Resenha: A Casa  De Caryle E Outros Esboços (e ao menos por aqui um pouco mais de Woolf)

PicsArt_10-01-08.17.59A Casa  De Caryle E Outros Esboços – VIRGINIA WOOLF

Minha historinha com o livro: Eu parei numa feira de livros no terminal rodoviário Tiete, pouco tempo antes de partir para minha viagem rumo a Vinhedo, e dei voltas e voltas em pilhas de livros até que finalmente encontrei algo da Woolf. E enquanto lia o livro durante a viagem, acabei por perceber logo que há mais de David Bradshaw (o autor/organizador) do que da própria Virginia Woolf. FRUSTRANTE! 

RESENHA ALERTA
O livro é uma reunião de trechos do diário da escritora, mas a maioria dos textos, são comentários tecidos pelo organizador do livro David Bradshaw.
Eu pensei que por se tratar de páginas de diário, o livro seria um mergulho nas impressões de Woolf em relação a época e o meio em que viveu, mas nada muito woolfiano é percebido através desta leitura de 129 páginas.

Editora: Nova Fronteira Ano: 2004 

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Virginia Woolf (1882-1941) foi uma romancista, ensaísta e editora inglesa. Uma das principais escritoras do Movimento Modernista do século XX. Famosa por apresentar em suas obras as questões políticas, sociais e feministas. Nascida em Londres, no dia 25 de Janeiro de 1882, filha do editor, Leslie Stephen, Woolf  fora marcada profundamente pela morte de sua mãe, de sua irmã e mais tarde de seu pai. Por conta das terriveis percas, a escritora  adentrou uma crise nervosa, que a levou a uma tristeza incurável. 

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 Woolf  não escreveu tanto quanto gostaríamos (mas deixou a todos nós grandes livros), infelizmente sua depressão se agravou durante a guerra, e então  ela encheu os bolsos de seu casaco com pedras, e se suicidou no rio Ouse, perto de sua casa, em Sussex, Inglaterra, no dia 28 de março de 1941, deixando para Leonard seu esposo (á esquerda na foto) a seguinte carta de adeus: 

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Meu Muito Querido:
Tenho a certeza de que estou novamente enlouquecendo: sinto que não posso suportar outro desses terríveis períodos. E desta vez não me restabelecerei. Estou começando a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso vou fazer o que me parece ser o melhor.
Deste-me a maior felicidade possível. Fostes em todos os sentidos tudo o que qualquer pessoa podia ser. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes até surgir esta terrível doença. Não consigo lutar mais contra ela, sei que estou destruindo a tua vida, que sem mim poderias trabalhar. E trabalharás, eu sei. Como vês, nem isto consigo escrever como deve ser. Não consigo ler.
O que quero dizer é que te devo toda a felicidade da minha vida. Fostes inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom.
Quero dizer isso — toda a gente o sabe. Se alguém me pudesse ter salvo, esse alguém terias sido tu. Perdi tudo menos a certeza da tua bondade. Não posso continuar a estragar a tua vida.
Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes do que nós fomos.
V.”

 

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