Antes dos 30: Na beirada dos vinte e sete e já me sentindo um personagem de 42 do Ben Stiller

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Tinjo o cabelo desde os onze anos, pois gosto da sensação de mudança. Mudava sempre e  por qualquer motivo, mas na maioria das vezes sem razão sensata alguma. Hoje em dia tinjo de preto e apenas de preto, para disfarçar os fios brancos que começaram a nascer cedo, se multiplicaram, e agora são muitos. 

Minha postura já não é a mesma, o que me deixa com dor nas costas com certa facilidade.

Surgiu uma barriguinha que nunca esteve aqui.

Esses dias depois do almoço mordi uma bala (que me lembra da infância), e meu dente cariado quebrou, não deu outra, tive que arrancar o que restava dele.

Agora aqui estou eu, escrevendo  sobre  os três anos antes dos trinta/como é se sentir um tanto quanto velha (em relação a como me sentia antes), e claro estou usando óculos por conta da miopia, sendo cautelosa pra não me mover tanto a ponto de desatar os pontos na gengiva. 

Assisti esses dias no Netflix a uma comédia bobinha do Ben Stiller, cujo o titulo  era  ENQUANTO SOMOS JOVENS.

No filme: Josh Srebnick (Ben Stiller)  é casado com Cornelia (Naomi Watts) a alguns anos, vivendo uma vida sem muitas surpresas, e um tanto quanto chata. Mas ao conhecerem um casal  na faixa dos vinte e cinco começam a comparar sua vida a deles, e assim acabam por perceber  o quanto envelheceram, e sobre tudo o quanto poderiam ainda sim serem como os jovens em relação a acertas coisas. 

O louco é que assisti ao filme, me identificando mas com a crise  de idade do Ben Stiller do com os personagens jovens. 

E veja a ironia, logo eu apaixonada por mudanças desde criança, agora com receio de uma mudança natural e inevitável. 

Daqui treze dias completo vinte anos, e embora esteja vivendo a melhor fase da minha vida até aqui, e me considere mais segura e madura em relação a antes, mas ainda longe de ser o suficiente!  eu me pego tendo medo de não me reconhecer numa mulher de trinta.

Logo eu que li Balzac aos quatorze temendo agora me perder de mim…

E se eu não me reconhecer mais nas músicas que hoje ainda fazem sentido?

E se passar a temer arriscar? 

E se algo aqui nunca maios for o mesmo?

E se fizer planos e mais planos e …

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Eu vou ter essas palavras, e me lembrar de como era  ter medo do que não deveria temer.

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Soneto da vida difícil

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Não houve favoritismo algum, foi preciso acordar cedo e dar a cara a tapa

Foi preciso um coração de aço e joelhos capazes de suportar milhas e milhas

Foi preciso ler os sinais e os bons autores além da contra capa

Não houve lugar por onde não vagasse sua alma, na imensidão sonora de trilhas

Era preciso que fosse poeta, mulher, amante e aprendiz

Fora tudo e muito mais que se possa crer existir

Era no eu lírico uma multidão morando numa única cicatriz

Fora divina, rainha e imperatriz numa só vida regada á mártir

Não há quem não a sentisse penetrar a alma

Foi refém da própria falta de calma

Era insólita, imatura e neurótica

Era a encarnação de uma cronica em cada defeito que possuía

Era estranho vê-la partir de mala e cuia

Quase sempre sem rumo, acabava no destino certo de uma viagem caótica

 

A magia da disciplina em O Caminho do Guerreiro Pacífico (filme, resenha do livro e dica de quadrinho)

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Hoje eu vim recomendar, um dos livros mais significativos que já li na vida, se trata do best-seller O CAMINHO DO GUERREIRO PACÍFICO

O livro na época de sua edição vendeu cerca de 25.000 exemplares no Brasil, quantidade que considero pouca, diante das  importantes reflexões que o livro proporciona a seus leitores no mundo todo.  Traduzido em vinte idiomas, e até hoje fazendo workshops e seminários  Dan Millman é um desses autores difíceis de ignorar!

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Dan Millman é um escritor norte-americano que já publicou 13 livros em um estilo auto-ajuda místico. O mais famoso dos seus livros é “O Caminho do Guerreiro Pacífico”, uma espécie de semi-autobiografia, no qual o autor relata desde a sua vida como jovem ginasta que se preparava para as Olimpíadas, até o seu encontro com o mestre Sócrates, que vai lhe transmitir ensinamentos de transformação interior, que muito tem da filosofia budista.

Vamos a minha historinha com livro :  Era final do ano de 2015 quando acabará de sair de um relacionamento,   e para compor ainda mais minha fase fossa, eu também estava desemprega e doente, pois havia sido diagnosticada com anemia profunda.  Não conseguia sair de casa, então  entre muitos bifes de figado e saladas de beterraba eu assistia a muitos filmes na internet para me distrair, foi então que através do Youtube  que conheci o filme traduzido aqui no Brasil como  Poder Além da Vida  (Título orginal : Peaceful Warrior)

Ter assistido a este filme tão motivante, justamente naquela época foi algo muito importante pois me ajudou muito. Não demorou muito para que eu fosse atrás de descobrir tudo sobre o mesmo, que apesar das alegorias, é baseado na história real de   Dan Millman, que além de escritor (com mais de dez livros publicados) hoje em dia também atua como palestrante disseminando ainda mais a filosofia do Guerreiro Pacífico  

Embora tenha comprado o livro no ano passado, e devorado o mesmo em poucas horas, eu resolvi o reler nos últimos cinco dias com mais calma, para fazer uma resenha por aqui.  Clique aqui para assistir ao filme. 

Sobre Dan Millman

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Como livro é dividido:IMG_f8095a2dbec62526e7680eda6b2da2a0Slide de alguns dos meus  trechos favoritos: 

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RESENHA DO LIVRO IMG_b9683d9966b0adc6b9507003775a02b5.jpg

O livro  se inicia com a entrada de Dan na Universidade, e é justamente durante esse período  como estudante, que o jovem passa a ter pesadelos terríveis com a morte, e caminha para depressão. 

Até que certa vez ,após acordar de um pesadelo, vai até a loja de conveniência de um posto de gasolina próximo a Universidade, e lá se depara com um senhor identifico ao que estará em seu horripilante sonho. Tornando a situação ainda mais enigmática, instantes depois de Dan o ver sentado,  se vira para trás e nota que o  senhor está no teto da loja. Atordoado  o questiona sobre o truque, mas o senhor permanece quieto. 

Seus pesadelos se tornam ainda mais terríveis e frequentes, então Dan decide voltar ao posto de gasolina para obter respostas,  tanto sobre o por que daquele homem fazer parte de seus pesadelos (e por se sentir de algum modo ligado a ele) , e claro, também  para descobrir como o mesmo subiu tão rapidamente ao telhado. E assim nasce uma estranha amizade, entre aprendiz e mestre.

O senhor sábio de aparentes poderes misticos e  respostas filosóficas,  é chamado por Dan de Sócrates, e passa no decorrer de todo livro frases bastante significativas, chegando até a fazer menção de muitas narrativas de cunho filosófico. 

Sócrates encaminha Dan para vida de guerreiro, enquanto o mesmo acaba sendo passado ao pelo leitor, que também é levado a rever seu estilo de vida e seus sonhos.

PONTOS IMPORTANTES DA NARRATIVA 

O medo que Dan possuí da morte

A maioria dos pesadelos do personagem  está relacionado a morte. E esse é um ponto bastante abordado no livro, pois diferente de Dan, Sócrates não teme a morte e o alerta dizendo que ”A morte não é triste. O triste é que a maioria das pessoas não vive.

Durante o livro, situações levam tanto Dan quanto Sócrates a  flertarem com a morte, o que torna o tema ainda mais  expressividade no livro.

O medo do fracasso

Seja como ginasta, seja no amor, ou na vida como um todo, Dan como maioria de nós teme o fracasso, e por isso vive correndo atrás do sucesso. E mesmo se deprimindo e ficando cada vez  mais frustrado, custa-lhe muito perceber que a ” A jornada é o que nos traz a felicidade, não o destino”

Neste ponto Dan é levado a se questionar sobre o porque por trás de suas ações, e encontra assim respostas que o levaram a perguntas ainda mais complexas sobre sua existência.

A ansiedade – A dificuldade do personagem de viver no presente

Outro ponto onde fica  fácil se identificar com Dan, é em relação a sua dificuldade de viver O AQUI, O AGORA. Não é atoa que da um demasiado trabalho a Sócrates ensinar a ele esta lição!

A falta de autocontrole   x   A disciplina de um guerreiro

De irritadiço, esfomeado, falante e  triste,  Dan trilha o caminho do Guerreiro Pacífico rumo uma mudança  radical de vida. A qual se fundamenta nas 3 Regras, que são:

PARADOXO
A vida é um mistério. Não perca tempo tentando entendê-la.
HUMOR
Tenha senso de humor. Especialmente sobre si mesmo. É a força por trás de toda atitude.
MUDANÇA
Nada permanece o mesmo.

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Enfim, chega de resenha. e bora mergulhar  de cabeça nessa obra incrível de Dan Millman que rendeu o filme citado no inicio do post, e também uma bela história em quadrinhos,  com ilustrações de Andrew Winegarner. 

 

O Livro, com certeza é a maneira mais profunda de conhecer essa linda história e aprender com as experiencias reais de Dan, mas sim, carrega um dose extra de misticismo e alegorias.

O Quadrinho, por sua vez condensa muito bem o fundamental da história, mas talvez por não ser muito meu estilo, não creio que seja tão expressivo quanto o livro. Já meu namorado que curte quadrinhos, considera  que as ilustrações de Winegarner foram mais eficazes do que o longa quanto a transmitir as mensagens que Millman destaca no livro.

Quanto AO FILME, embora tenha sido meu primeiro e significativo  contato com a história de Dan, confesso que quando comparado ao livro ou mesmo aos quadrinhos, acaba sendo a  versão mais rasa, pois no longa  dirigido por Victor Salva não existe os ares de fabula e misticismo presente nas narrativas, o que acaba por  ter retirado da história partes bem interessantes.

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PS: TANTO O LIVRO QUANDO O QUADRINHO FORAM LANÇADOS AQUI NO BRASIL, PELA EDITORA: PENSAMENTO.

Meu primeiro BuJo (Parte 1)

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De certa forma  desde  muito pequena (com isto compreenda muito jovem rs!) eu já fazia algo parecido com o famoso Bullet Journal também chamado de BuJo. Eram uma espécie de diários com desenhos, recortes  ou mesmo fotos coladas, e até havia certas listas e planejamento de coisas para fazer no dia-a-dia /mês ou ano neles. 

Mas quem organizou tudo isto e de um nome a esses cadernos tão especiais, foi  o designer digital  Ryder Carroll que vive no Brooklyn, NY.

Este ano decidi aderir aos queridinhos do Pinterest e do  Tumblr. Mas confesso não estar seguindo as  regrinhas básicas do BuJo, que seria fazer calendários ou mesmo índices.

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Caderno  sem pauta que ganhei do meu namorado e estou usando para o Bullet Journal

Eu assisti a algumas semanas atrás  a este video AQUI, do canal IlustradaMente o qual  nos incentiva a fazer uma espécie de diário que consiste ter um espaço para escrever no inicio do dia e outro para  noite, no espaço para se escrever no dia devemos escrever pelo menos três coisas pelas quais devemos ser gratos (Pra já começar o dia de pé direito, sendo feliz com o que possuímos!) , depois fazer três afirmações positivas sobre si mesmo (Algo do tipo: EU POSSO, EU CONSIGO, para espantar o negativismo e qualquer pensamento de inferioridade em relação aos desafios pessoais/diários). Já  para o espaço da noite a ideia é fazer uma auto avaliação e ver o que poderia ter tornado o dia melhor (de modo a avaliar o próprio comportamento/ desempenho profissional etc). 

Enfim, eu achei a ideia muito legal,  e depois de assistir a essa pregação AQUI do Tiago Brunet na qual se aborda a importância do planejamento da vida espiritual, emocional e financeira (além de destacar a importância no foco dos objetivos sem se desviar para possíveis propostas no decorrer do ano). Juntei tudo e fiz o meu próprio e insólito Bullet Journal,  que claro, também uso para planejar minhas tarefas diárias, metas mensais e listas. 

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Através do BuJo estou treinando o lettering,  que é resumidamente, a arte de desenhar letras. E também estou pegando gosto por fazer doodles.

Doodle é uma palavra inglesa para referir um tipo de esboço ou desenho realizado ao acaso, quando uma pessoa está distraída ou ocupada. Massss que ganham próposito nos BuJos. Servem por exemplo para dar destaque a uma data especial , ou mesmo decorar as páginas. 

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Doodles que eu fiz.

Meu BuJo está bem no comecinho, então tá tudo bem misturado, bem colorido, e cheio de desenhos e fotos. Mas acho que com o tempo vou organiza-lo melhor, e mostro por aqui, sobre tudo se ele esta me ajudando a organizar o dia/ a vida rs!

Um livro que aborda a sexualidade feminina sem meias palavras: Diário De Uma Garota Normal

Eddard Stark

Minha historinha com livro:

Há algum tempo …

Voltando de uma viagem, meu namorado e eu passamos numa pequena livraria de terminal rodoviário. E foi o Leo (meu namorado) que ao ver a capa resolveu me mostrar o livro.

Creio eu que ele deve ter feito isto por duas razões, primeira: A ARTE DA CAPA/porque amo vermelho, e amo livros ilustrados, segundo: porque era nítido que o ‘’normal’’  no título era um tanto quanto  irônico.

Eu foliei o livro, li a contra capa, e resolvi levar (ou melhor dizendo, ele me deu de presente!). Mas não demorou muito tempo para perceber que seria uma leitura um pouco cansativa, pois  o livro é bastante extenso e rico em detalhes, além de que a personagem é um tanto quanto chatinha e exageradamente rebelde, o que soou bastante genérico no início.

Próxima do final do livro percebi que a personagem era definitivamente, uma garota perdida! Perdida em vários sentidos, sendo os principais: o fato de ser adolescente, o fato de ter um pai ausente, e possuir uma mãe totalmente irresponsável. E também por crescer numa época onde a juventude tinha por obrigação se rebelar (ainda que sem motivos!)… pra ajudar a criaturinha ainda se apaixonou logo pelo padrasto, com o qual vivia no início uma relação conturbada de sexo casual. Enfim, vamos a resenha:

Minnie é uma garota 15 anos que mora em São Francisco, ama desenhar (e pretende levar seus desenhos a sério e um dia trabalhar com isto) e resolve registrar sua adolescência de uma maneira bem ilustrada num diário. Seu relato da puberdade é bastante detalhado, e não deixa de fora todos os segredos que normalmente os jovens gostariam de esconder de todos.

Diferente da maioria das garotas dessa idade, Minnie não tem receios de abordar sua relação com o sexo, descrevendo detalhes dos encontros amorosos com o namorado de sua mãe, e seu enorme interesse por outros rapazes. Além disso discorre também sem medo sobre sua relação com as drogas.

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Sem sutilezas ou romantismos o livro nos leva a ver o quão rebelde a jovem Minnie é, o que toma um ar quase mirabolante. Mas aos poucos percebemos que sim, Minnie é apenas uma garota normal, insegura com sua aparência, descobrindo o mundo (e apesar das suas experiências diferentes, digamos assim)  tudo o que ela deseja é ser amada, seja por um homem ou por seus pais.

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Obs: O que me lembrou bastante um filme que assisti no Netflix que se chama LOVE ME (ver post AQUI) <

Minnie da voz  a um tema tratado como tabu que é a sexualidade feminina, da qual mau se fala, e quando se fala, é geralmente tratada por homens , ou mesmo por mulheres com certo receio. E um ponto bastante interessante na leitura, é a maneira como a adolescente nos mostra que o universo adulto  pode ser mais cáustico que a própria adolescência, ou que talvez a adolescência só seja caótica justamente por ser essa passagem da infância para um universo de egoísmo e joguinhos ‘’adultos’’.  Pois ficamos a pensar que apesar da personagem ser rebelde, o problema não está nela e sim no adulto que a assedia, na mãe  alcoólatra e que se mantem distante, e no próprio contexto com a qual a juventude da época (1960) estava lidando.

"Everything is so loveless and mediocre"

Fui levada a acreditar durante a leitura que o ápice  do livro seria o suspense sobre a mãe da personagem vir a encontrar seu diário, e de repente surtar com ela. Mas aos poucos se vê que este livro tem o propósito de contar realmente uma estória que nos faça refletir, e sobre tudo não mistificar a sexualidade feminina, pois esta é natural, normal.

Quando vi a foto da autora na capa do livro, e juntando os fragmentos lidos, eu suspeito assim como os críticos de que este é um livro totalmente autobiográfico.

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Sobre a autora: Phoebe Gloeckner nasceu na Philadelphia e cresceu em San Francisco. Seus quadrinhos apareceram pela primeira vez em publicações underground quando ela era ainda adolescente. Hoje, é aclamada pela critica por sua coleção de historias, quadrinhos, pinturas e gravuras.

Fica aqui minha recomendação para quem curte a abordagem do tema. 

Editora: Faro Editorial –  302 Páginas


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Vale lembrar que o livro ganhou uma adaptação para o cinema em 2015 (que eu ainda não assisti), trailer abaixo: 

Borrão

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O primeiro amor surge sempre antes da gente crescer. Vai ver até a gente só cresce porque ele surge.

Eu era menina quando você veio pra mim, não sabia combinar cores, estragava as aquarelas e fazia estragos com tinta óleo.  Eu sujava telas e me julgava adulta, mau sabia que as pinceladas de imaturidade ia nos colocar num quadro tão desconfortável.

Não queria que tivéssemos sido dramáticos e tristes como Van Gogh, nem queria ver nosso amor como a fase azul de Picasso.

Queria saber como amar, e como pintar de cuidado seu corpo.

Queria ter feito arte digna de ser  emoldurada.

Queria por fim ser mais que um rascunho, um borrão.

Lamento então nossa tela, que hoje se desfaz mais um bucado, pois crescemos e ainda somos péssimos na arte de amar.  

 

Desmaio

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Cai, e dessa vez sobre você

Não me apoiei sobre nenhum argumento falho, nem dei desculpas, ou fiz cena, apenas cai

Cai como caem as folhas das árvores

Não desmoronei, não rolei as avessas, não morri

 

Foi como um desmaio, tranquilo e quase imperceptível

Era eu, era um amontoado de nós, no teu colo desajeitado

Foi quase um sonho, daqueles onde caímos quando mergulhados num sono pesado

Era pra durar pra sempre, mas eu acordei, me endireitei sobre minhas pernas e fui embora

 

Não me culpe se acontecer de novo e eu recair

Cai sem querer

Não sou de agir assim

Cai sem culpa

 

Foi  um desmaio, tranquilo, natural

Era eu, nos teus braços, me lembrava os nós que havia sido

Foi quase um sonho, daqueles onde nos colocamos quando ainda acordados

Era pra  durar mais, mas era só um desmaio