Soneto da vida difícil

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Não houve favoritismo algum, foi preciso acordar cedo e dar a cara a tapa

Foi preciso um coração de aço e joelhos capazes de suportar milhas e milhas

Foi preciso ler os sinais e os bons autores além da contra capa

Não houve lugar por onde não vagasse sua alma, na imensidão sonora de trilhas

Era preciso que fosse poeta, mulher, amante e aprendiz

Fora tudo e muito mais que se possa crer existir

Era no eu lírico uma multidão morando numa única cicatriz

Fora divina, rainha e imperatriz numa só vida regada á mártir

Não há quem não a sentisse penetrar a alma

Foi refém da própria falta de calma

Era insólita, imatura e neurótica

Era a encarnação de uma cronica em cada defeito que possuía

Era estranho vê-la partir de mala e cuia

Quase sempre sem rumo, acabava no destino certo de uma viagem caótica

 

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Poesias Excelentes: O tempo e as Estrelas

IMG_744f6a3f9b928cb07067024b48abc1d2Eu encontrei  em uma feirinha de livros, este livro lindo chamado O tempo e as estrelas (Editora TALENTOS DA LITERATURA BRASILEIRA), que  é o segundo livro de poesias do poeta Allison  Diego. 

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Blog do ator : http://alissondiego.blogspot.com.br/

Me identifiquei bastante também com o fato do autor ter participado de um dos Concursos que costumo participar.

Os temas que aborda neste apanhado de 33 poemas acompanhado de ilustrações de Francisco Rivero são : A POESIA, O AMOR, A EXISTÊNCIA E MINAS GERAIS.

A orelha do livro, traz um comentário de Vilma Guimarães sobre a poesia do autor: 

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Seguindo a linha de Bandeira e Drummond, Alisson fala de amor, cotidiano  e a significância da existência de maneira simples mais genial. Em seu pequeno livro, podemos ver mesmo através de pequenos versos a expressão intensa de suas frases.

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Segue aqui, dois do meus poemas favoritos do livro: 

É A VOZ DO PROFETA POPULAR

EM VERTIGINOSA SENTENÇA:

”TUDO É PÓ”

A VIDA É PÓ

A POLÍTICA É PÓ

PÓ DE MINÉRIO: POLUÍ

LEITE EM PÓ: DILUI

O HOMEM VEIO DO PÓ

O VENTO LEVA O PÓ

TUDO É PÓ

E O QUE NÃO É PÓ HOJE 

PÓ TORNAR-SE-Á UM DIA

 

Desafio

É PRECISO UM GRANDE DESAFIO

ALGO QUE FAÇA TREMER AS PERNAS

E TRAGA SUSPIROS E INQUIETAÇÕES

UM DESAFIO MAIOR

QUE A MAIORIA NÃO ALMEJE POR MEDO

UM AMOR MALDITO

UMA GUERRA SEM SENTIDO

UM DESAFIO  METAFISICAMENTE CALCULADO

PREOCUPANTEMENTE INCERTO

REALISTICAMENTE IMPOSSÍVEL.

RECOMENDO!

 

 

Poesia sobre o íntimo: Outros Jeitos De Usar a Boca de Rupi Kaur

5Não é sempre (pelo menos não na atualidade) que um livro de poesias chama tanto atenção a ponto de  ocupar o primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times.  Mas isto aconteceu com OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA,  livro que reuni poemas e gravuras da escritora e artista Rupi Kaur.

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Rupi  é uma imigrante da Índia, e foi justamente por ter dificuldade em falar inglês quando criança  que se dedicou  a desenhar (hobby que herdou da mãe) e a ler.

E então aos dezessete anos (em 2009) passou a se dedicar a escrita, e ficou famosa nas redes sociais pela temática abordada em sua arte, que carrega uma forte expressão poética de sobrevivência e femilidade. 

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Atualmente Rupi vive em  Toronto , no Canadá, e Milk and Honey– editado por aqui como OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA é seu primeiro livro publicado. 

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Minha historinha com o livro:  O livro já havia a bastante tempo me despertado interesse, tanto pelo fato de se tratar de poesia (como sabem eu me interesso/e escrevo  poesia), e principalmente por esta estar relacionado ao tema MULHER/femilinidade. 

Não sou feminista, e por essa razão mesmo tendo bastante interesse na abordagem da mulher através da escrita, sou bastante criteriosa, e acabo tendo dificuldade em encontrar um bom livro  que trate a respeito.  

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Mas Rupi uniu o que procurava a um livro com excelentes gravuras (as quais admirei muito!). E então quando  recebi o livro de presente do meu namorado, o devorei em poucas horas! (Embora eu ache que este seja o tipo de livro que se deva ler vagarosamente, buscando refletir a respeito). 

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Embora já tenha lido a um certo tempo (quem me acompanha do instagram deve ter visto os diversos trechos que compartilhei por lá),  eu queria ter tempo suficiente para falar desse livro por aqui. E finalmente esse dia chegou, rs!

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Como mulher acredito que é  de suma importância  transmitir  o nosso ponto de vista  em relação o cotidiano no que diz respeito a violência, preconceito, relacionamento familiar/e afetivo, perdas e etc.  { Por isso recomendo este livro, a todas as mulheres (sem exceção), e  aos homens sábios,  para que estes através das palavras de Rupi possam ver um pouco melhor  como muitas vezes nos sentimos em relação a estes temas. } 

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Neste livro, que é   dividido em quatro partes, que são :  A DOR,  O AMOR, A  RUPTURA E A  CURA

O livro se inicia pela DOR onde Rupi nos conta um pouco sobre os abusos sofridos durante  sua infância e  ao que tudo indica inicio da adolescência. 

Chamando atenção para o tema estrupo, abusos psicológicos, e relação familiar de opressão. Rupi também nos leva a  reflexão, sobre como podemos ser ocupadas/os por educar as mulheres  para serem de certa forma passivas em relação a estes desacatos.  

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Na parte AMOR,  é abordado a importância do amor próprio, e como este pode tornar muito mais saudável nossos relacionamentos. 

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 Minha parte favorita foi  A RUPTURA onde Rupi parece nos passar com ainda mais força toda revolta do seu íntimo em relação a toda opressão, seja da sociedade, da família ou mesmo de relacionamentos tóxicos e abusivos.

( clique nas imagens para ve-las em tamanho maior )

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E então depois de toda poesia de sobrevivência gritada, chegasse a última parte intitulada A CURA,  onde a autora escreve “A questão sobre escrever é que/ eu não sei se vou acabar me curando/ ou me destruindo” — Rupi Kaur

É  A PARTE DO LIVRO ONDE MAIS SE DESTACA A IMPORTÂNCIA DO AMOR PRÓPRIO,COMO LIDAR COM AS PERCAS E SOBRE TUDO COMO TRANSFORMAR EM POESIA/ ALGO POSITIVO   TODA DOR DAS EXPERIENCIAS AMARGAS

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  • EDITORA:  Editora Planeta do Brasil, 2017  –  204  páginas 
  • Não deixei de ler este livro, e repassa-lo as mulheres que conhece, pois elas com certeza irão em algum ponto se identificar e se sentirem reconfortadas por esta leitura. 
  • Se eu não destaquei muito bem os motivos pelos quais este livro deve ser lido, não deixe de ver o post feito pelo SUPER INTERESSANTE a respeito do mesmo. 

 

 

Paladar pra amar

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Amor calmo, amor fulgaz, amor escândalo e acalentador

Amor contradição, loucura, que aguça olfato e audição

Amor felicidade em prosa ou poesia em dor

Amor platônico, sem tato, turvo ou sem visão

Amor barulhento, costumeiro ou diferente

Amor difícil de explicar, mas que cabe na canção

Amor boêmio, louco  e incoerente

Amor infantil, carente, desses que suplica atenção

Me rendo aqui pois não posso com o coração

 

Borrão

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O primeiro amor surge sempre antes da gente crescer. Vai ver até a gente só cresce porque ele surge.

Eu era menina quando você veio pra mim, não sabia combinar cores, estragava as aquarelas e fazia estragos com tinta óleo.  Eu sujava telas e me julgava adulta, mau sabia que as pinceladas de imaturidade ia nos colocar num quadro tão desconfortável.

Não queria que tivéssemos sido dramáticos e tristes como Van Gogh, nem queria ver nosso amor como a fase azul de Picasso.

Queria saber como amar, e como pintar de cuidado seu corpo.

Queria ter feito arte digna de ser  emoldurada.

Queria por fim ser mais que um rascunho, um borrão.

Lamento então nossa tela, que hoje se desfaz mais um bucado, pois crescemos e ainda somos péssimos na arte de amar.  

 

Desmaio

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Cai, e dessa vez sobre você

Não me apoiei sobre nenhum argumento falho, nem dei desculpas, ou fiz cena, apenas cai

Cai como caem as folhas das árvores

Não desmoronei, não rolei as avessas, não morri

 

Foi como um desmaio, tranquilo e quase imperceptível

Era eu, era um amontoado de nós, no teu colo desajeitado

Foi quase um sonho, daqueles onde caímos quando mergulhados num sono pesado

Era pra durar pra sempre, mas eu acordei, me endireitei sobre minhas pernas e fui embora

 

Não me culpe se acontecer de novo e eu recair

Cai sem querer

Não sou de agir assim

Cai sem culpa

 

Foi  um desmaio, tranquilo, natural

Era eu, nos teus braços, me lembrava os nós que havia sido

Foi quase um sonho, daqueles onde nos colocamos quando ainda acordados

Era pra  durar mais, mas era só um desmaio

Soneto: Palavras

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Palavras

Há sempre as palavras que caem bem, e as que não cabem em lugar nenhum

Algumas dizemos, outras esquecemos, com raras sonhamos e nunca ouvimos

Há sempre as doces, as amargas, as rudes e as acalentadoras

Todas de alguma maneira repleta de formas, sabores, sentidos e cores

Todas importantes, mas há as que dispensamos

 

Há sempre palavras onde tem homens, mas nem sempre há homens onde há palavras

Algumas soam como ruído, outras tantas fazem guerra enquanto poucas chamam a paz

Há sempre pequenas e grandes, da realeza ao baixo escalão

Todas vazando dos lábios, para se declarar, odiar e ensinar

Todas ditas, mas há sempre as que não são ouvidas

 

Há palavras pra todo tipo de gente

Dezenas pra machucar, centenas para curar

Palavras nos livros, nas revistas, nos rádios, nas televisões e nos sonhos

Existem até palavras dentro do silencio, e fazemos até uso de palavras para explica-las

Todas de todo tipo, povoam a terra, inundam os mares, recheiam as manchetes

Falam por nós e as vezes nos calam