Merlí : Filosofia, puberdade e sexo

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A proposta da série   Merlí  é no mínimo diferente, e foi recomendada pelo meu professor de espanhol. 

Recomendação de um ótimo professor +  ideia diferente  = acabei assistindo um episódio …  atrás do outro, em dois meses as  3 temporadas!

E agora estou aqui para recomenda-la  á vocês  (apesar de  considerar que há  na mesma certos exageros, cenas desnecessárias, e como em toda série Netflix APELATIVAS!

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Resumão: Merlí  é  um homem divorciado, com cerca  de cinquenta anos, pai de um adolescente homossexual,  que passa a morar com mãe  (que é atriz) por estar desempregado.

Mas logo no início da série ele arruma um trabalho como professor  no  colégio onde o filho estuda.  Não  demora muito para se destacar entre os jovens por ser irreverente e espontâneo.

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Pontos altos  da série : 

Um pouco de  didática

Cada episódio tem o nome de um filosofo, e mostra um trecho da aula de Merlí sobre o mesmo.  No decorrer do episódio tudo está  de certa forma ligada a filosofia do filosofo em questão, o que acaba por ser uma abordagem sensacional sobre.

Metodologia de Ensino e Influencia 

Através do personagem a série faz duras criticas ao método de ensino autoritário, e  também  aponta para necessidade   dos jovens  em ter alguém com quem possa contar. O que leva Merlí a ser uma espécie de herói da garotada.

Merlí  é  um professor capaz de causar grande influencia. Mas nem sempre sua influencia sobre eles é boa, pois Merlí  apesar de adulto leva a  vida de uma maneira um tanto quanto inconsequente o que garante boas confusões durante as três temporadas.

O personagem chega a  fazer criticas quanto a política, a educação ortodoxa de alguns pais e há  falta de atenção de outros, entre outros pontos  sociais  que estão  inerentes ao papel  da construção  educacional, tal como  o papel da escola em relação  ao  combate do bullying  e a liberdade sexual. 

Sobre tudo a importância de formação de cidadãos críticos  com opiniões próprias (ou seja seres capazes de não sucumbir a massa)  é  o que se destaca nesta série. 

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O ponto baixo da série com certeza  é o exagero das cenas de sexo (sendo estas demasiadamente exploradas, e em quase todos os episódios), e a forçação de pares entre personagens que claramente não teriam nenhuma ligação afetiva, o que acaba por tornar estes ”romances” fantasiosos demais e chatos. 

O FIM  – O fim  é  lindo, porém triste, e com certeza   cumpre o principal proposito  da série   que é   fazer o expectador pensar  sobre qual seria A MELHOR maneira de levar sua vida!

Assistam e me digam o que acharam !

 

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Moscas

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Tinha tudo para ser um grande amor, se não fosse o medo … se não fosse as tempestades!

Se não fossemos tão ingênuos e  pequenos, se não  andássemos tão  confundidos julgando ter razão.

Se não  fossemos como moscas ao redor da carne, rondando  o amor sem coragem para amar. 

Se o amor não  fosse apenas um   privilégio dos destemidos, á nós covardes restaria  algo mais que ilusões doces que amargam com o tempo. 

Ciclo do autoconhecimento

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Aqueles dias noutro tempo  eram considerados os belos dias.  Mas então a luz! E logo já não eram tão belos assim. 

Eis  a desilusão amiga, me  apontando as tolices que antes não via. 

Mas é  chegado o tempo em que vejo demais, e como  que afim de evitar o erro, temo a vida.  

Precaução demais! -grita  o coração.

Teimosia! Outro erro, outra dor , uma nova culpa, uma tatuagem, cem anos de solidão …

Esse é outro tempo!

Eis a  ilusão  amiga, a qual abraço já  sem medo, pois sem ela não  viveria. 

Eu sou uma parte de tudo, tal como a hora é uma parte do dia. (Epicteto)

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O Carnaval de  noventa e um e as contrações da minha mãe, as canções do álbum Out of Time tocando  alto  quando nasci … estava tudo lá  enquanto eu passava a existir.

Madrugada, dia 26 de fevereiro, e desde então o tempo até aqui fora todo meu, minhas horas, minha existência, meus dias e anos permitindo que eu seja, seja lá o que queira ser. Concedendo a mim a chance de deixar fixado no agora qualquer coisa ou nada, que repita o ontem ou tente algo novo hoje, que use bem o tempo sabendo que o amanhã é incerto.

Por hora ainda sou uma parte de tudo como o as horas que fazem parte do dia, mas os ponteiros se movem, e os ossos enfraquecem, enquanto  a mente luta para ficar sã…

Um dia param de girar, deixo de existir mas continuo de alguma maneira fazendo ainda parte de tudo.

A resiliência e resignação de Epicteto

epicteto Eu cria que a vida havia me feito uma criança que por diversas razões, desabrochou para adolescência com certo ódio e amargura. De modo que eu estava predestinada a ser amarga para sempre. Mas não, não fora a vida que fez de mim o que sou, tão somente eu decidi ser como sou diante de tudo que vivi. 

Então meus passos firmes, me levaram para onde não deseja ir, e toda minha audácia por jamais se resignar me tirou muitas oportunidades e até amizades…

Havia criado regras para evitar a dor que nem eu mesma poderia  seguir, de modo que sofria diante das minhas falhas para comigo mesma. 

Segui a risca frase de Darcy Ribeiro, e de tão indignada (não só com política) com tudo, mau vivi, vinte e seis anos de lutas vãs, e tudo para que?

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Mas não penso em viver a outra metade de vida que julgo possuir dessa maneira. 

E é então que surgi a figura de Epicteto, o filosofo nascido escravo e só liberto depois de adulto, foi uma das vozes mais influentes da filosofia da Antiguidade. Tendo vivido nos primórdios da Era Cristã, de 40 a 125. Epicteto não escreveu um livro se quer. Seus pensamentos se tornaram conhecidos  graças a um discípulo, o historiador Arriamo, que  teve o cuidado de anotar as ideias de seu mestre, e depois transformá-las em dois livros, Entretenimentos e Manual. Seu tamanho intelectual é tal que o imperador-filósofo Marco Aurélio, o último grande comandante do Império Romano, escreveu que um dos acontecimentos capitais de sua vida foi ter tido acesso às obras de Epicteto.

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Para ele, o passo básico da vida feliz é aceitar as coisas como elas são. Revoltar-se contra os fatos não altera os fatos, e ainda traz uma dose de tormento desnecessária. “Não se deve pedir que os acontecimentos ocorram como você quer, mas deve-se querê-los como ocorrem: assim sua vida será feliz”, disse Epicteto. (Séculos depois, o pensador francês Descartes escreveu uma frase que é como um tributo à escola de Epicteto: “É mais fácil mudar seus desejos do que mudar a ordem do mundo”.)

Ou seja não adianta sofrer pelas  circunstâncias onde a vida nos coloca, porque isso não muda nada, não nos  livra da circunstancia  onde estamos, só dificulta ainda mais a vida. No transito não existe outra escolha se não esperar, e em outras tantas situações da vida é sim necessário aceitar, esperar, saber como lidar. É sábio, e diminui as lágrimas e a dor. 

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Fontes:  Aqui  e Aqui !

O despertar dos sonhos ingênuos, meu regresso e o sentido da vida

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Olá! digo eu sem saber se alguém me escuta, e ouço de volta Olá!
Eis o eco da minha suposta voz ecoando no cyber espaço á milhas e milhas de algum lugar. Já nem sei se alguém por aqui aparece, no entanto regresso nesta noite quente de sábado, para me desculpar a esse inexistente alguém do outro lado.
Eu passei bastante tempo ausente, e muito se deu entre meu sumiço e esse retorno inesperado até para mim, que já havia até me esquecido a senha deste blog.
Sei que é demasiado estranho me espantar com minha própria volta, mas é que a muito não me via sentada na frente do notebook a discorrer as maluquices que me preenchem os dias/a vida.
Mas para que outro motivo este blog existe, se não para registrar insolitamente o quanto existir me é a cada dia uma aventura incoerente na qual busco encontrar sentido?
Ah sim o sentido da vida! Assunto inoportuno para sábados a essa hora, não?
Que pensamento enfadonho! Como posso ousar filosofar a vida a essa altura?
Me perdoe de novo meu caro ninguém do outro lado, mas estou adoecendo como costumam adoecer os saudáveis que ousam pensar demais. O mau que me acomete sucedeu numa série de situações que acabaram por tornar a vida inerente a uma busca por respostas, sejam elas quais forem.
Tudo começou num assombroso dia no trabalho, já era quase fim do expediente integral quando a voz do diabo se apossou de um colega, a quem compartilhava de igual ócio, e me fez esfregar as janelas dos olhos de dentro e me ver numa encruzilhada.
Ele disse ‘ Esse trabalho me parece bom, é sempre o mesmo! Venho cá de segunda a sexta, todos os dias o mesmo, depois daqui o curso e logo a cama. Posso passar cem anos assim sem nem notar, me sinto inútil é verdade, e sei que me julgam assim também, mas me dedico a ser útil com algo egoísta com os estudos entende? Lá está o futuro, aqui são só horas (perdidas, mas apenas 8 horas diárias!) ‘
Não respondi. Tive assombro ao notar que a mim sucedia o mesmo pensamento medíocre. O diabo vem e esfrega a nossa mediocridade no nariz, e ficamos gratos, que vida promissora e recheada de sentido não? Seria até saborosa se não fosse tão insossa e com requintes de existencia vã.
No dia seguinte me questionei sobre a faculdade…
Ah a faculdade!
Passado o primeiro semestre, tudo se tornará quase que insuportável, o clima era quente e a Universidade sem ar condicionado fazia com que todos derretessem, enquanto a aula dada em inglês começava a parecer de grego.
Não me apetece aprender grego e muito menos inglês! E por sorte percebi isso antes do segundo semestre findar. Não quero ser professora não quero nem mesmo ser o que sempre quis (ser redatora).
Mudei absolutamente de ideia, passei a procurar um novo trabalho, ironicamente encontrei um igualmente chato, era numa financeira, fui até a segunda etapa do processo seletivo ficaram de me ligar, pedi as contas do trabalho onde estava a quase um ano. E nunca, nunca me ligaram.
Antes era medíocre com o trabalho e faculdade e então larguei ambos, e não avancei um passo na oportunidade de crescimento pessoal.
Mas em um dia chuvoso recebi uma ligação de um diretor de cinema quase esquecido da sétima arte brasileira)… não sabia de quem se tratava quando recebi a ligação mais fui mesmo assim conhece-lo, conversamos algumas horas, me contratou, me demitir dois dias depois por razões que prefiro não mencionar. Me re-contratou para uma atividade a qual dependia de um certo envolvimento com arte e escrita … o tempo passou (não muito tempo, mas a mim pareceu demasiado). Acabei sendo contratada por uma editora (a maior da América Latina, conhecida por manipular as pessoas * não só com papel poluído de conteúdo alienado mas também associada a certa emissora de tv de igual objetivo na manipulador).
VEJAM SÓ, DESISTI DE SER REDATORA, ME DESPRENDI DA IDEIA DE FAZER PARTE DE UMA EDITORA, RISQUEI DE VEZ A ALTERNATIVA DE UM DIA SER JORNALISTA E PARA ONDE A VIDA ME LANÇA (OU EU ASSUMINDO MINHA CULPA – VOU DE PASSOS APRESSADOS? IRONIA NÃO? )
Sim, eu estive no inferno das revistas de fofoca e as manchetes de política hora esquerdista hora de direita, um liquidificador de anúncios com objetivo de lhe comprar a alma …
Volto então a estaca zero… ou devo dizer que dessa vez talvez tendo avançado um pouco no crescimento pessoal, afinal de contas, mundos que imaginei ingenuamente serem interessantes eram na verdade fabricas de ilusões temperadas com desesperada ambição por nada menos que dinheiro.
Antes ainda fosse como o colega medíocre de trabalho a quem dependia da ideia de uma profissional para ser útil. Agora me via a questionar… sempre quis coisas que tive de uma hora pra outra, e as lancei a sorte, para azar de quem encontre um desses futuros fingidos de promissores.
Mas não para por aí, ainda insistente a vida (ou seja lá o que for) a me convencer a voltar a mesmice, me surgi a oferta de uma bolsa de estudos, e eu quase afundo por completo deixando que tudo voltasse a ser como naquela tarde de fim de expediente.
O que quero dizer é que, se um dia alguém ler isso, que me leia, e por favor se esforce a me compreender, não sou dessas moças de vinte poucos anos que quer uma profissão, um noivo, um marido ou qualquer um desses aparentes sentidos óbvios.
Quero tão somente, nunca, nunca me contentar com o obvio. Pois a mim não existe melhor sentido na existência do que SER antes de possuir, seja um bom cargo numa grande empresa, um perfil invejável no LinkedIn, uma porcaria de diploma aos quais as universidades hoje em dia dão a qualquer um que tenha frequência as aulas…
Nada de anel na mão esquerda para ostentar o vínculo com outro ser humano de igual necessidade que foge ao amor, nada de uma poupança com dinheiro suficiente para uma casa na rua principal como temia Joe Ramone.
Me deixem com a pura arte, aquela que vem de dentro e transcende a necessidade de que meu bolso tenha valor suficiente para que seja vista como alguém.
A vida esta cheia de ambiciosos, a internet idem, inundada no mais do mesmo. TodAs maquiadas, todOs tentando parecer engraçados (youtubers o mau do século!), o reflexo da decadência humana… Morreu Zygmunt Bauman ( me entristeceu, sua existência me aliviava o pesar de ver o declínio da raça humana), matei meus sonhos pois descobri que eram estúpidos, arrumei um ou outro emprego para descobrir de uma vez por todas que não preciso tanto deles quanto julgava precisar, houve a aparição de um ex psicopata e eu ignorei por completo (presumo que seja como se deva agir diante de um real Hannibal), me irrito a cada dia mais com o que vejo nas revistas/jornais/tv/internet … estou a ler O Homem Duplicado , e me irrita ver o nome de Tertuliano sendo repetido cinco vezes em cada página, mas Saramago é uma companhia que me preenche as horas com questionamentos diversos daqueles em que pensamos ser o próprio diabo a nos perturbar a vida… E agora estou aprendendo a lidar com os comentários alheios sem que isso me faça largar o emprego (faculdade já não faço parte de uma a que possa largar) mas creio que me compreendeu (ao menos em parte).
Mas me faltava, o ar e o clima seco tem me feito sentir tontura, fui diagnosticada com bronquite, e uso o tempo na inalação para encontrar maneiras de nunca cair no vão da mesmice que separa a existência do EXISTIR (se é que me entende!)
Mas está tudo bem, eu vou sobreviver, vou voltar ao Eu Insólito e como sempre fazer jus ao seu propósito.

A insólita criação do Capitão Fantástico

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Recomendação do meu irmão Cris, ontem eu e meu namorado assistimos CAPITÃO FANTÁSTICO. Meu namorado gostou bastante, mas eu nem tanto, embora concorde que o filme traz sim alguns pontos importantes, tais como se questionar a cerca de como vivemos hoje em dia, como as crianças dessa geração estão sendo educadas e como essas interagem com a natureza e com própria sociedade, eu creio que o filme soou um tanto quanto exagerado, mas vamos lá …

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Para quem não sabe, o filme é sobre: Ben (interpretado por Viggo Mortensen) um pai de  seis filhos que vive na  floresta, e cria seus filhos com um rígida rotina que mais parece treinamentos de sobrevivência. As crianças  lutam, escalam,  caçam e praticam duros exercícios (e claro sem nunca comer bobagem!), não bastasse tudo isso leem obras clássicas e debatem sobre elas, tendo a autossuficiência sempre como palavra de ordem. 

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Apesar dos exageros do personagem Ben, e da ideia de crianças e adolescentes tão obedientes e bem dispostos, o decorrer do filme revela algumas surpresas nas quais os personagens ( e o espectador ) são levados a pensar se seria mesmo possível viver tão á parte da realidade atual da sociedade. E é esta sementinha de questionamento que faz o filme ser mais uma insólita recomendação por aqui.   Trailer : 

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