De novo e de novo

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Tem um ar de filosofia em nossos signos de água

E como se o oceano fosse pequeno demais para dois peixes, escolhemos habitar o céu

Nós estamos desfazendo um nó juntos

Reconstruindo castelos de areia que vamos derrubar de propósito, porque nós amamos começar de novo e de novo 

Tem sempre  paradoxos nas nossas coincidências

E como se o mundo  nos conectasse por milhas e milhas de razões que desconhecemos, escolhemos amar sem procurar porquês

Nós estamos fazendo as malas
Colando nossos corações no mesmo quadro, porque nós amamos começar de novo e de novo
Jaque Bastos
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O que você tem dito a si mesmo ?

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As piores mentiras são aquelas que dizemos a nós mesmos, buscando nós convencer de algo por medo ou mera conveniência. Tentando assim calar a inquieta voz da verdade dentro de nós mesmos, a qual  grita incessantemente qual é a realidade dos fatos.

Minha experiência me revelou que quando criança apesar do mundo de fantasias que rondava minha cabeça, não havia necessidade de  tais mentiras.

Mas então cresci, e com isso, como todo adulto  passei a presumir demais. E em um mundo de tantas suposições, as presunções me levaram para um calabouço solitário onde eu ousava presumir as reações das pessoas, ou pior suas intenções e atitudes em relação a mim.

Você já  fez uma ideia boa de alguém que te surpreendeu com alguma atitude desprezível?

E o contrário?

Pois é, faz com que nos sentimos completos idiotas, né? 

É como tenho me sentido diante de certos fatos.

A verdade incontestável é de que a vida é uma surpresa, e tão certo quanto você não pode presumir o que acontecera dentro de duas horas ( ou se existirá amanhã ), você nunca vai poder supor as atitudes alheias ( e muitas vezes nem as suas próprias ) .

Eu andei pensando bastante sobre, pois as vozes a qual costumamos dar mais ouvidos, são as nossas, a voz do orgulho que diz  não  faça isso porque isso é se sujeitar, a voz do medo que diz não encare, a voz da audácia que fala quando deveria calar, entre tantas outras que se disfarçam de pensamentos inofensivos.

Nossa postura diante da vida vai ser fortemente determinada pelas vozes interiores que escolhemos ouvir. E por essa razão é extremamente importante pensar em que estamos dizendo a nós mesmos, e no que temos nós forçado a se convencer.

Há em cada um de nós vozes de encorajamento,que podem ser boas ou ruins. Mas ambas são reflexo do nosso eu.

E o que você tem dito  pra si mesmo?
O que ecoa pra você em forma de pensamentos?

Ok, você não pode controlar seus pensamentos.

Mas lembre-se pode controlar suas atitudes.

Quem eu era, quem tenho sido ou quem vou me tornar ?

08ec2fa7ee2f6f5b0c14cc76a3bd209cE. E. Cummings escreveu    Não ser ninguém – além – de – você – mesmo num mundo que está fazendo de tudo, noite e dia, para transformar você em outra pessoa – significa travar a batalha mais difícil que qualquer ser humano pode travar; e nunca parar de lutar. E ele também escreveu É preciso coragem para crescer e tornar-se o que você realmente é. E são  com essas  duas frases que eu estou de  volta depois do hiato de alguns meses, sem escrever nada por aqui. 

Sobre  estes meses ausente, o que dizer ?

Conto sobre ter feito  a  minha primeira tatuagem, sobre os quilos que  ganhei , sobre meu pesadelos  ou sobre alguns sonhos se realizando ?

O que realmente importa? Quem eu era, quem tenho sido  ou quem vou me tornar ?

Porque, bem , quem eu  era errava bastante, quem tenho sido também erra (mesmo que tentando concertar velhos erros), e eu não sei se por hábito ou ”destino”, ou pelo simples fato de ser humana vou  continuar a cometer erros. 

E por mim tudo bem, tudo bem seja lá o que esteja por vir, contanto que eu volte aqui e me de conta de que o meu eu, essa parte grande insólita sobre quem eu sou continue viva, mesmo diante de todo esforço que o mundo faz para me tornar outra pessoa, matando quem eu realmente sou. 

Se  há  alguém que ainda acompanha, ou eventualmente lê esse blog, bom eu estou de volta!  E peço desculpas  a minha  dúzia de emails de  vocês  leitores  insólitos que ficaram sem respostas por tanto tempo. 

O que posso  dizer é  que foram meses bem insólitos e decisivos.  Houveram risos, lágrimas, espanto e surpresas agradáveis, e aos poucos   irei contando se não tudo, boa parte  do que aconteceu. 

Com toda minha insólita mente

Jaque Bastos

 

 

Antes dos 30: Na beirada dos vinte e sete e já me sentindo um personagem de 42 do Ben Stiller

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Tinjo o cabelo desde os onze anos, pois gosto da sensação de mudança. Mudava sempre e  por qualquer motivo, mas na maioria das vezes sem razão sensata alguma. Hoje em dia tinjo de preto e apenas de preto, para disfarçar os fios brancos que começaram a nascer cedo, se multiplicaram, e agora são muitos. 

Minha postura já não é a mesma, o que me deixa com dor nas costas com certa facilidade.

Surgiu uma barriguinha que nunca esteve aqui.

Esses dias depois do almoço mordi uma bala (que me lembra da infância), e meu dente cariado quebrou, não deu outra, tive que arrancar o que restava dele.

Agora aqui estou eu, escrevendo  sobre  os três anos antes dos trinta/como é se sentir um tanto quanto velha (em relação a como me sentia antes), e claro estou usando óculos por conta da miopia, sendo cautelosa pra não me mover tanto a ponto de desatar os pontos na gengiva. 

Assisti esses dias no Netflix a uma comédia bobinha do Ben Stiller, cujo o titulo  era  ENQUANTO SOMOS JOVENS.

No filme: Josh Srebnick (Ben Stiller)  é casado com Cornelia (Naomi Watts) a alguns anos, vivendo uma vida sem muitas surpresas, e um tanto quanto chata. Mas ao conhecerem um casal  na faixa dos vinte e cinco começam a comparar sua vida a deles, e assim acabam por perceber  o quanto envelheceram, e sobre tudo o quanto poderiam ainda sim serem como os jovens em relação a acertas coisas. 

O louco é que assisti ao filme, me identificando mas com a crise  de idade do Ben Stiller do com os personagens jovens. 

E veja a ironia, logo eu apaixonada por mudanças desde criança, agora com receio de uma mudança natural e inevitável. 

Daqui treze dias completo vinte  e sete anos, e embora esteja vivendo a melhor fase da minha vida até aqui, e me considere mais segura e madura em relação a antes, mas ainda longe de ser o suficiente!  eu me pego tendo medo de não me reconhecer numa mulher de trinta.

Logo eu que li Balzac aos quatorze temendo agora me perder de mim…

E se eu não me reconhecer mais nas músicas que hoje ainda fazem sentido?

E se passar a temer arriscar? 

E se algo aqui nunca maios for o mesmo?

E se fizer planos e mais planos e …

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Eu vou ter essas palavras, e me lembrar de como era  ter medo do que não deveria temer.

Ordinária

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Via tudo ao contrário do que é

Sonhava acordada e assassinava os próprios anseios para se manter viva

Num mundo onde ser egoísta era existir, ela optou por fingir

Fingia sorrisos, fingia não ouvir os rumores a seu respeito

Fingia até não ver os deboches de todos sobre ser como era, tal como parecia

Mas ela não era o que viam, nem tão pouco o que imaginavam

Era feita de concreto maciço, e por dentro era pura memória

Memória das vidas que sonhou ter tido

Vidas de quem tem alma de poeta, e um corpo carnal e facilmente corruptível

Mas o tempo a fez meio torta, quase atriz, mentirosa para o mundo e verdadeira onde importava ser

Ah se soubessem como era grande, rainha do seu próprio mundo

Ordinariamente imensa dentro se si

 

O soneto de minha autoria escolhido pela Editora Vivara

O hoje

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Hoje eu não vou pensar na paixão avassaladora da juventude que me escapou pelos dedos, e se casou com alguma mulher muito diferente de mim. Hoje não vou fazer contas, e ver se ainda tenho sanidade suficiente para o futuro. Não vou me pesar, não vou ao médico, não vou pensar na morte. Hoje não vou calçar nada, mas pretendo caminhar, ou quem sabe voar. Ir para qualquer lugar longe daqui, que não seja nem o passado e nem o futuro. Quero estar acima do tempo, quero ser livre da prisão dos calendários e das memórias.
Só hoje não vou sentir saudade da infância, vou ser complacente com o que quer que seja. Não vou julgar, não vou gritar, não vou pensar nos que me fizeram bem, nem nos que me fizeram mau, não vou pensar em trabalho, amor ou comida. Vou sucumbir na ideia do que posso ser no eterno. Vou me desfazer até sumir, não vou sentir frio, nem sono. Não haverá saudade que dói, nem carta ou email a esperar. O despertador não tocará, eu não vou dormir, nem despertar. Não vou viver dentro de um conto, ou morrer atravessando a rua. Vou ser o sempre, porque quis assim.
Vou voltar como se nunca houvesse partido, vou chorar um pouco e confessar, que mesmo desejando estar em qualquer outro lugar sempre estiver no hoje.

Pessoas

Renoir

Eu sou único e eles são todos
— Fiódor Dostoiévski – Notas do Subsolo, p. 56

Não era meu habito observar as pessoas, como tenho as observado nas últimas semanas. Mas algum tipo de mudança, tem acontecido, e uma vez que toda mudança seja ela qual for é significativa isso deve ter uma razão maior do que qualquer explicação que conseguisse deixar aqui. Por tanto, esquecemos as razões, apenas basta dizer que eu tenho tentando descobrir porque fazem o que fazem , do modo como fazem , ou porque deixam de fazer algo, e como isso impacta suas vidas.

tenor.gifAs pessoas do meu trabalho por exemplo, são todas bastante parecidas. Concordam sobre praticamente todos os assuntos. Concordam inclusive de que eu sou do tipo que costuma contrariar a maioria em praticamente todo assunto.
Já minha família, bom, basta dizer que para eles sou maluca, incuravelmente insana. E com isso concluo que não me conhecem o suficiente.
Pois além de insana, eu sou também agora, a observadora.
Tenho olhado  todos, as estranhas aberrações no trem, os executivos do centro, meu chefe, a secretária, o carteiro, o frentista, os estranhos no ônibus, as mães solteiras na fila do mercado, os idosos no hospital… me parecem tão resignados, e se estivessem felizes, daria um “viva” á resignação.
Mas parecem terem sucumbido a uma miserável vida na qual comer, dormir, fazer sexo e trabalhar basta (mesmo que não seja nessa ordem).
Mas e eu? Carregando esse insólito eu e mais uns vinte eus líricos, como posso suportar o fardo das obrigações, os trinta dias até o salário, as enormes filas do banco, meu diagnostico sem tratamento pelo governo, minha fome por alguma coisa surreal que abasteça o dia com algo mais do que cumprimentos falsos.
Gente indo e vindo, vida esvaindo…
Eu conheço uma mulher que engravidou na adolescência e hoje conta todos os dias a quantidade de comida que resta até o fim do mês, para saber se poderá sustentar a filha de seis anos. Conheço um tipico homem do que chamo ”o meio corporativo” na beirada dos cinquenta que quer dormir comigo, e acha que um dia vai conseguir. Conheço um outro homem , esse de 30 anos, que traí a esposa toda semana com garotas mais jovens, mais diz que nunca irá se divorciar por não querer que outro homem crie seus filhos. E tem também a insuportável estudante de direito que pensa ser dona do mundo, e que por alguma razão me odeia… não consigo ver razões em suas escolhas sejam elas do passado ou do presente.
Compreendo é claro, que a mãe queira alimentar a filha, que homens de quase cinquenta daquele tipo querem transar com qualquer mulher com menos de trinta, que é quase sinônimo de ”hombridade” querer criar os próprios filhos, e que pessoas que cursam direito, bom são pessoas que cursam direito então…
Eu apenas me pergunto se assim como eu, eles possuem fomes mais urgentes, algo que a alma peça, e seja maior do que fome de alimentos, desejo, orgulho ou ambição profissional.
Eu observei bastante, eu até conversei com eles, mas eu não achei o que procurava.
São imensos, são universos, são pessoas, que para mim são parecidos entre si, justamente por não se parecem comigo.