Insânia nuvem

tumblr_llmnwyKhBd1qk3ev6o1_500

Ver o mundo escurecer costuma me arrastar para baixo
Serve de impulso para o que alguém chamaria de crise
E eu já não sei se caio, ou apenas me canso de ficar em pé

Escuto o som da queda e vejo o que não existe em uma nuvem lá fora
Eu já não sei mas o valor do espaço, entre a sanidade e a loucura
Deve ser uma linha de tédio, a que divide o horizonte do país das maravilhas

Horas servem para contar os exaustivos minutos carregando o peso de uma vida
Mas eu tenho reparado na velocidade do tempo
E quando o encaro face a face, ele desaparece

Existir é uma fantasia
Fomos obrigados a engolir todas verdades
E vomitamos mentiras para sobreviver

Sou meio incrédula quanto a tudo
E tudo parece desconfiar de mim o tempo todo
Mas há de fato uma metamorfose acontecendo no céu

Anúncios

Eu sou uma parte de tudo, tal como a hora é uma parte do dia. (Epicteto)

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

O Carnaval de  noventa e um e as contrações da minha mãe, as canções do álbum Out of Time tocando  alto  quando nasci … estava tudo lá  enquanto eu passava a existir.

Madrugada, dia 26 de fevereiro, e desde então o tempo até aqui fora todo meu, minhas horas, minha existência, meus dias e anos permitindo que eu seja, seja lá o que queira ser. Concedendo a mim a chance de deixar fixado no agora qualquer coisa ou nada, que repita o ontem ou tente algo novo hoje, que use bem o tempo sabendo que o amanhã é incerto.

Por hora ainda sou uma parte de tudo como o as horas que fazem parte do dia, mas os ponteiros se movem, e os ossos enfraquecem, enquanto  a mente luta para ficar sã…

Um dia param de girar, deixo de existir mas continuo de alguma maneira fazendo ainda parte de tudo.

Jaqueline em poucos parágrafos

 

images

Olhou rapidamente para o calendário já haviam lhe corrido vinte e seis anos e a semana estava por acabar. Talvez o amanhã lhe oferecesse uma nova doença psicossomática, talvez a nova fatura do cartão mais um fio branco.

Talvez fingisse ter ainda dezenove afim de fingir nunca ter vivido os desastres que lhe sucederam na vida após a tenra idade. Sim, era criança antes do vinte, antes da vida lhe impactar de sobressalto com a experiência do coma.

Pobre garota tão jovem fora submersa numa paixão doentia por um homem ainda menino no âmago, tal desejo por afeto lhe despedaçou o coração. Falsas amizades lhe tiraram o sono, lhe deixaram menos ingênua, ou seja de algo lhe serviu os revés da vida.

Mas tudo tão rápido, um dia estava no jardim de infância e hoje nem sabe por onde seus próprios passos ão de leva-la.

O despertar dos sonhos ingênuos, meu regresso e o sentido da vida

matsumoto05

Olá! digo eu sem saber se alguém me escuta, e ouço de volta Olá!
Eis o eco da minha suposta voz ecoando no cyber espaço á milhas e milhas de algum lugar. Já nem sei se alguém por aqui aparece, no entanto regresso nesta noite quente de sábado, para me desculpar a esse inexistente alguém do outro lado.
Eu passei bastante tempo ausente, e muito se deu entre meu sumiço e esse retorno inesperado até para mim, que já havia até me esquecido a senha deste blog.
Sei que é demasiado estranho me espantar com minha própria volta, mas é que a muito não me via sentada na frente do notebook a discorrer as maluquices que me preenchem os dias/a vida.
Mas para que outro motivo este blog existe, se não para registrar insolitamente o quanto existir me é a cada dia uma aventura incoerente na qual busco encontrar sentido?
Ah sim o sentido da vida! Assunto inoportuno para sábados a essa hora, não?
Que pensamento enfadonho! Como posso ousar filosofar a vida a essa altura?
Me perdoe de novo meu caro ninguém do outro lado, mas estou adoecendo como costumam adoecer os saudáveis que ousam pensar demais. O mau que me acomete sucedeu numa série de situações que acabaram por tornar a vida inerente a uma busca por respostas, sejam elas quais forem.
Tudo começou num assombroso dia no trabalho, já era quase fim do expediente integral quando a voz do diabo se apossou de um colega, a quem compartilhava de igual ócio, e me fez esfregar as janelas dos olhos de dentro e me ver numa encruzilhada.
Ele disse ‘ Esse trabalho me parece bom, é sempre o mesmo! Venho cá de segunda a sexta, todos os dias o mesmo, depois daqui o curso e logo a cama. Posso passar cem anos assim sem nem notar, me sinto inútil é verdade, e sei que me julgam assim também, mas me dedico a ser útil com algo egoísta com os estudos entende? Lá está o futuro, aqui são só horas (perdidas, mas apenas 8 horas diárias!) ‘
Não respondi. Tive assombro ao notar que a mim sucedia o mesmo pensamento medíocre. O diabo vem e esfrega a nossa mediocridade no nariz, e ficamos gratos, que vida promissora e recheada de sentido não? Seria até saborosa se não fosse tão insossa e com requintes de existencia vã.
No dia seguinte me questionei sobre a faculdade…
Ah a faculdade!
Passado o primeiro semestre, tudo se tornará quase que insuportável, o clima era quente e a Universidade sem ar condicionado fazia com que todos derretessem, enquanto a aula dada em inglês começava a parecer de grego.
Não me apetece aprender grego e muito menos inglês! E por sorte percebi isso antes do segundo semestre findar. Não quero ser professora não quero nem mesmo ser o que sempre quis (ser redatora).
Mudei absolutamente de ideia, passei a procurar um novo trabalho, ironicamente encontrei um igualmente chato, era numa financeira, fui até a segunda etapa do processo seletivo ficaram de me ligar, pedi as contas do trabalho onde estava a quase um ano. E nunca, nunca me ligaram.
Antes era medíocre com o trabalho e faculdade e então larguei ambos, e não avancei um passo na oportunidade de crescimento pessoal.
Mas em um dia chuvoso recebi uma ligação de um diretor de cinema quase esquecido da sétima arte brasileira)… não sabia de quem se tratava quando recebi a ligação mais fui mesmo assim conhece-lo, conversamos algumas horas, me contratou, me demitir dois dias depois por razões que prefiro não mencionar. Me re-contratou para uma atividade a qual dependia de um certo envolvimento com arte e escrita … o tempo passou (não muito tempo, mas a mim pareceu demasiado). Acabei sendo contratada por uma editora (a maior da América Latina, conhecida por manipular as pessoas * não só com papel poluído de conteúdo alienado mas também associada a certa emissora de tv de igual objetivo na manipulador).
VEJAM SÓ, DESISTI DE SER REDATORA, ME DESPRENDI DA IDEIA DE FAZER PARTE DE UMA EDITORA, RISQUEI DE VEZ A ALTERNATIVA DE UM DIA SER JORNALISTA E PARA ONDE A VIDA ME LANÇA (OU EU ASSUMINDO MINHA CULPA – VOU DE PASSOS APRESSADOS? IRONIA NÃO? )
Sim, eu estive no inferno das revistas de fofoca e as manchetes de política hora esquerdista hora de direita, um liquidificador de anúncios com objetivo de lhe comprar a alma …
Volto então a estaca zero… ou devo dizer que dessa vez talvez tendo avançado um pouco no crescimento pessoal, afinal de contas, mundos que imaginei ingenuamente serem interessantes eram na verdade fabricas de ilusões temperadas com desesperada ambição por nada menos que dinheiro.
Antes ainda fosse como o colega medíocre de trabalho a quem dependia da ideia de uma profissional para ser útil. Agora me via a questionar… sempre quis coisas que tive de uma hora pra outra, e as lancei a sorte, para azar de quem encontre um desses futuros fingidos de promissores.
Mas não para por aí, ainda insistente a vida (ou seja lá o que for) a me convencer a voltar a mesmice, me surgi a oferta de uma bolsa de estudos, e eu quase afundo por completo deixando que tudo voltasse a ser como naquela tarde de fim de expediente.
O que quero dizer é que, se um dia alguém ler isso, que me leia, e por favor se esforce a me compreender, não sou dessas moças de vinte poucos anos que quer uma profissão, um noivo, um marido ou qualquer um desses aparentes sentidos óbvios.
Quero tão somente, nunca, nunca me contentar com o obvio. Pois a mim não existe melhor sentido na existência do que SER antes de possuir, seja um bom cargo numa grande empresa, um perfil invejável no LinkedIn, uma porcaria de diploma aos quais as universidades hoje em dia dão a qualquer um que tenha frequência as aulas…
Nada de anel na mão esquerda para ostentar o vínculo com outro ser humano de igual necessidade que foge ao amor, nada de uma poupança com dinheiro suficiente para uma casa na rua principal como temia Joe Ramone.
Me deixem com a pura arte, aquela que vem de dentro e transcende a necessidade de que meu bolso tenha valor suficiente para que seja vista como alguém.
A vida esta cheia de ambiciosos, a internet idem, inundada no mais do mesmo. TodAs maquiadas, todOs tentando parecer engraçados (youtubers o mau do século!), o reflexo da decadência humana… Morreu Zygmunt Bauman ( me entristeceu, sua existência me aliviava o pesar de ver o declínio da raça humana), matei meus sonhos pois descobri que eram estúpidos, arrumei um ou outro emprego para descobrir de uma vez por todas que não preciso tanto deles quanto julgava precisar, houve a aparição de um ex psicopata e eu ignorei por completo (presumo que seja como se deva agir diante de um real Hannibal), me irrito a cada dia mais com o que vejo nas revistas/jornais/tv/internet … estou a ler O Homem Duplicado , e me irrita ver o nome de Tertuliano sendo repetido cinco vezes em cada página, mas Saramago é uma companhia que me preenche as horas com questionamentos diversos daqueles em que pensamos ser o próprio diabo a nos perturbar a vida… E agora estou aprendendo a lidar com os comentários alheios sem que isso me faça largar o emprego (faculdade já não faço parte de uma a que possa largar) mas creio que me compreendeu (ao menos em parte).
Mas me faltava, o ar e o clima seco tem me feito sentir tontura, fui diagnosticada com bronquite, e uso o tempo na inalação para encontrar maneiras de nunca cair no vão da mesmice que separa a existência do EXISTIR (se é que me entende!)
Mas está tudo bem, eu vou sobreviver, vou voltar ao Eu Insólito e como sempre fazer jus ao seu propósito.

Instante

aborto-1

Tentava segurar a vida nas mãos, mas tinha as mãos pequenas demais para segurar até mesmo o próprio coração
Desejava aquecer a todos, mas se sentia cada vez mais fria enquanto ardia em tentativas de sobreviver
Esqueceu o coração em algum lugar ou alguém, caminhou rumo ao sol enquanto congelava
Ficou presa em um pesadelo enquanto desejava sonhar
Viveu o oposto do que queria, encontrando os lugares de onde fugia
Sucumbiu no insante em que deveria nascer
Nunca foi alguém, era só o instante de sabe lá quem …

 

#abortoécrime

Algum renovo depois de tanta ansiedade

Oi insólitos (as) !
Me perdoem pela falta de atualizações por aqui. Muita coisa tem acontecido na minha insólita vida, e sim eu gostaria de escrever sobre a maioria delas.

tumblr_nixr3hufcw1t625dco1_500
Há bastante tempo não me sentia assim, reflexiva sobre o presente.
Na maior parte do tempo estava com a mente no futuro ou no passado,mas nunca no agora. Por algum motivo evitava estar realmente na realidade do hoje.

Tenho vivido com presa,contando as horas,os dias,os meses,os anos.Como se estivesse esperando por algo,que não sei o que é.
Me sinto sempre atrasada e exausta, como se precisasse do amanhã o mais rápido possível para que ele pudesse me livrar do hoje.
Entendem o que quero dizer?

Há quem diga que não sou a única, e que esse é o mau do século. DESEJAMOS TÃO ARDENTEMENTE O AMANHÃ QUE NÃO APROVEITAMOS O HOJE,NÃO VIVEMOS SOMENTE CORREMOS COMO LOUCOS ATRÁS DA PRÓPRIA MORTE AFIM DE ALCANÇAR ALGUM DESCANSO.

Por sorte adoecemos antes de desperdiçar toda a vida de maneira tão tola.E então despertamos e passamos a chance de mudar os hábitos, concertar os parafusos frouxos e viver de verdade.
Aparentemente tudo estava bem,eu estava num trabalho, fazia faculdade e passava o fim de semana com meu namorado.
Mas a verdade é que estava suportando nove horas diárias de tédio corporativo,fazendo o que detesto (quem me segue sabe que tenho dificuldade em estar em trabalhos que restringem minha criatividade em 4 paredes e muitas regras) . E sim eu havia voltado a contar as horas para ir embora,durante todas as árduas semanas e meses .Dia após dia sentia mais e mais presa,sentia se a ansiedade me consumisse e ainda tinha as tarefas da faculdade as exaustivas aulas teóricas em inglês. E não me levem a mau ey amo estudar, mas não teve um só dia desde que comecei o curso de Letras Inglês em que odiei menos o idioma, e sempre que ouvia em sala me perguntava o porquê de estar me torturando tanto.

Por que nos torturamos? Por que o trabalho mais longe e mais diferente da nossa personalidade? Por que o curso que vai custar anos de estudo para nos ensinar algo que odiamos? Por que ?

Por que eu nunca faço o que quero e apenas o que acho que devo?

Talvez a resposta seja uma justificativa: eu escolho com presa,pois tenho 26 anos e me sinto estupida por não ter uma droga diploma ou uma carreira.
Mas o mais louco é que quando recobro a consciência,eu realmente não me importo com nada disso. Eu só quero viver,viver bem e sem presa. SEM A ANGUSTIA DE ACOMPANHAR PONTEIROS TEMOROSA … APENAS VIVENDO.

Então eu tentei outro trabalho,resolvi deixar a faculdade (embora eu apenas tenha a trancado não pretendo voltar para o estudo do mesmo idioma). Enfim eu voltei ao início de novo!
Lembram quando comecei esse blog eu estava doente, depressiva e recém saída de um relacionamento toxico? Sem trabalho e sem condições de outra atividade se não escrever… eu estava começando do zero.

Eu tive uns três empregos desde então. Eu me apaixonei duas vezes,eu conheci pessoas incríveis, lugares novos,enfim tive insólitas experiências boas (e confesso algumas ruins, mas até isso foi bom pois aprendi com elas!) , e tudo isso me levou ao agora e a esses pensamentos de recomeço a partir daqui.

Eu fui abençoada em ter nascido na família em que nasci,apesar de tudo o que vi e vivi desde a minha infância,eu não trocaria minha família por nenhuma outra.

***Nota: eu deletei ao postagem onde falava sobre e explico a respeito aqui * Nas palavras em azul no fim da página deste post ***

Entre tantos revés amorosos da maneira inusitada possível num emprego em que estive por apenas 3 meses eu conheci o cara mais incrível do mundo.
Eu tenho poucas e insólitas amizades que tornam mesmo meus piores e mais difíceis dias em dias inesquecíveis!
Eu tenho aprendido a viver o hoje,o agora, esse momento único e precioso e isso tudo o que realmente preciso!

Dedico esse post a você Wen ,meu ex companheiro de sala de aula que também tem enfrentado a ansiedade : Admiro sua força de vontade e seu amor pelos os estudos! Nunca vou esquecer das palavras que me disse: AS VEZES É PRECISO MAIS FORÇA E CORAGEM PARA ABANDONAR ALGO DO QUE PARA CONTINUAR.
Agora eu entendo, e sei que recomeçar não é a saída mais fácil, por isso exige mais coragem de nós. MAS COMO MINHAS EXPERIÊNCIAS ANTERIORES ME MOSTRARAM RECOMEÇAR TRAZ O NOVO,ACRESCENTA A NOS O QUE REALMENTE É PRECISO.
E AGORA EU SEI,EU APENAS PRECISO VIVER.

Certa sem conseguir dormir me levantei de madrugada e escrevi uma postagem de desabafo sobre assuntos familiares com o título “papai é um no monstro” . Muitas pessoas se sensibilizaram com a narrativa e me enviaram emails. AGRADEÇO A TODOS (AS) QUE FIZERAM ISTO.
E digo a vocês qye tenho aprendido muito desde então,sobre tudo a liberar perdão.
Deletei o post em questão a menos de uma semana, e como voces se preocuparam comigo acho importante dizer o que levou a deleta-lo.
Nunca quis que esse blog fosse um lugar odioso,ou apenas um espaço onde deposito minhas dores e traumas . PELO CONTRÁRIO, EU SEMPRE QUIS AQUI COMPARTILHAR MINHAS EXPERIÊNCIAS E IDEIAS*sejam elas boas ou ruins,afim de desabafar sim,mas sobre tudo registrar meus aprendizados com meus próprios erros. NÃO quero daqui alguns anos olhar para esse blog e ver estupidez como a daquele post. QUERO VER OS REGISTROS DE COMO CRESCI,APRENDENDO A LIDAR E ACIMA DE TUDO A SUPERAR.
A vida se encarrega de dar a cada um o que merece, o que já é razão suficiente para não precisarmos guardar mágoa.
Perdoar é libertador,e é melhor do que vingança.

Em breve uma  enxurrada de postagens novas, porque eu estou de volta!

Silêncio

178970-Hush.-Enjoy-The-Silence

O grave da minha voz poderia incomodar
Mas o que quero realmente, é ensurdecer a alma dos desavisados  
Os que não sabem para que, ou pelo que vale apena gritar
Eu vim pra que houvesse dor
Pois a dor que em mim doeu primeiro, me ensinou o que todos deveriam aprender
Que o grito vem e morre, mas o silencio há de perdurar

Fazendo do silencio meu mais estrondoso grito 

Eu ainda ouço os pensamentos  mudos ao redor
Ameaço um grito , mas a frieza  me cala
Sou só silêncio afogada nos gritos que nunca saíram do peito

Porque me calo?
O que dizer ?
Se digo apago a ideia ao invés de acende-la, e assim eu causo o incêndio
Eu  mesmo coloco fogo e recolho as cinzas 
Vou embora sem dizer nada , nem uma só palavra

Fecho a porta
Pulo da janela
Eu me  arrependo

Quebrei a ponte que usei para chegar até aqui 

Eram palavras, agora é só silencio