Meu riso de liberdade

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Lembro do desconforto, das borboletas inquietas atormentando meu sono, e  das velas acessas que iluminavam meu  coração  incendiado. O inferno da paixão maldita que eu julgava ser amor…

Dizia morrendo por dentro, as  repetidas  frases de esperança, para me convencer de que era possível… que um dia meu calor o tirasse do triste frio da solidão. 

E veja agora as borboletas voando nos lugares onde não estamos! Não  parece ser sempre verão?

Veja as cores que voltaram a ter vida  quando nós morremos!  Não é linda  nossa festa de luto? 

Já posso dormir em paz! 

Veja meu riso de liberdade por termos sofrido tanto, e sobrevivido!

 

 

 

 

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Últimos beijos


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Se soubéssemos que  naquela  tarde uma tempestade inundaria nossos corações, teríamos evitado a catástrofe? 

Se soubéssemos que se  aproximava o fim, teríamos amado mais o inicio?

Se soubéssemos que era última vez que nossos lábios iriam se tocar, teríamos selado nossas almas? 

Se soubéssemos que aquele era o último  dia juntos, o último dia da existência do nós, que teríamos feito? O que se planeja para o último paragrafo de um amor? 

Se soubéssemos que era uma despedida, pularíamos aquele dia, e seguiríamos encenando últimos beijos? 

 

 

Moscas

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Tinha tudo para ser um grande amor, se não fosse o medo … se não fosse as tempestades!

Se não fossemos tão ingênuos e  pequenos, se não  andássemos tão  confundidos julgando ter razão.

Se não  fossemos como moscas ao redor da carne, rondando  o amor sem coragem para amar. 

Se o amor não  fosse apenas um   privilégio dos destemidos, á nós covardes restaria  algo mais que ilusões doces que amargam com o tempo. 

As perfurações

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Uma lança, uma opinião, um conceito mau formado  e pontiagudo  vem disposto a tirar-me o sono. Atormentar com armas, minha bolha quente e confortável, que  é para mim como um útero,  um lar. 

Amargas perfurações de verdade, se não fossem por ti, como o sol entraria aqui? 

É bem verdade, que toda  placenta estoura. 

Ciclo do autoconhecimento

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Aqueles dias noutro tempo  eram considerados os belos dias.  Mas então a luz! E logo já não eram tão belos assim. 

Eis  a desilusão amiga, me  apontando as tolices que antes não via. 

Mas é  chegado o tempo em que vejo demais, e como  que afim de evitar o erro, temo a vida.  

Precaução demais! -grita  o coração.

Teimosia! Outro erro, outra dor , uma nova culpa, uma tatuagem, cem anos de solidão …

Esse é outro tempo!

Eis a  ilusão  amiga, a qual abraço já  sem medo, pois sem ela não  viveria. 

Testemunha

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Lembro me agora, com certo esforço confesso, que a lua aquele dia estava posta  no céu sem muito esplendor. Isso porque irradiávamos maior luz.

Não sei ao certo agora, pois só há fragmentos estranhos dessa memória particular em mim, mas creio que não  estava frio, e nem quente demais.   No entanto me lembro bem que ardíamos… congelados pelo medo de calar o sentimento evidente.  E isso  é tudo que sei sobre aquela noite. É tudo o que sei  sobre o que somos, ou eramos.

Qualquer coisa sem importância   grita a lua agora, em vão, enquanto amaldiçoamos os versos de  amor  deteriorados pelo tempo.

Já se foi aquela  noite, e mais seiscentas depois dela.

Já  se foi  também quem eramos,  e o único mau agora é a lua, pois esta ainda existe pra nos lembrar  aquela noite.

Feche então os olhos, tape os ouvidos e tente não ouvi-la, ignore a lua e o que ela nos diz.

Ela é a única testemunha que resta, e se não for ouvida, não  seremos tão  culpados assim.