Quem eu fui se foi

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Retornei aos velhos escritos, e retomei a leitura das lamúrias do passado construído por ideias  de desesperança…

Sabe, é bom ver a vida daqui. Daqui onde já  não dói tanto relembrar, pois quase tudo esqueço, e mesmo relendo o passado me sinto longe dele. 

Tentei é verdade reconstruir as cenas, lembrar dos aromas, das vozes, das cores, mas já estava outro cenário. Cenário esse que fazia de mim nova personagem…

Mas quem eu fui?

Se foi . 

 

 

 

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Resolução sobre os amores de outrora

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Vivo esbarrando nos velhos amores

Amores de ontem, amores de outra fase 

De quando tinha  outro coração, o coração ingenuo de antes  das dores 

De antes de compreender o sentido daquela frase …

O ‘ Eu te amo ‘ se diluiu em lágrimas, se desfez assim o amor de outrora 

Outra história se fez, voltei a vida

Resplandeceu a aurora 

Reacendeu a chama ávida 

 

Vivo é verdade, esbarrando nos velhos amores

Eles me encontram nas estações de trem, nas menores livrarias da cidade, nos dias mais chuvosos, e até nos domingos de sol 

Os encontro até sem te-los por perto, pois continuam aqui, na memória

E devo confessar que cada um deles, fora único e inesquecível

Mas se foram!

Não partiram de todo é verdade, alguns nunca nem existiram 

São  só uns ”quases” que perambulam a hipótese do infinito inexistente 

Foram só olhares, gestos, palavras ao acaso …

Tentativas… erros… tentativas, nada mais do que tentativas !

Mas tenho certeza de que não eram pra ser 

O sentido de um fim e as memórias que todos temos

Oi! 

Hoje eu vou resenhar a primeira leitura obrigatória da minha vida acadêmica como estudante de Letras, o livro O sentido de um fim ( título original : SENSE OF AN ENDING ), do autor inglês Julian Barnes.

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Iremos trabalhar o livro durante todo esse primeiro semestre,  na disciplina  Lingüística e Comunicação.

Confesso que comprei o livro há duas semanas, no entanto estava bem difícil dar continuidade a leitura do mesmo. Em parte por ler nas brechas de tempo no transporte público ( que convenhamos não é o que se pode considerar um bom lugar para leitura ), em parte por desinteresse na narrativa ( eu detestei o jeito esnobe como o narrador descreve  como eram seus  amigos colegiais, metidos a filósofos mo inicio do livro ) .

Mas ontem, ao me dar conta da quantidade de tarefas que tenho protelado, decidi ( e prometi a mim mesma )   começar o livro do primeiro paragrafo ( De novo!  Deixando de lado as primeiras e negativas impressões )  e ir até a última página  em poucas horas… acabei por adormecer as 2 AM deixando minha promessa se esvair em profundo sono.

Acordei atrasada para o trabalho, e quase esqueci de levar comigo r as 159 páginas do  senhor Barnes, mas  finalmente, finalmente terminei o livro! Então bora conferir minha resenha!

MINHAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBRA  

O livro é narrado em primeira pessoa por Anthony Webster ( ou Tony para os íntimos) , um  senhor de sessenta e poucos anos  que mergulha de cabeça nas memorias da juventude, afim de encontrar sentido para uma porção de questões que talvez não tenham tido um fim, ao menos não, com um  sentido claro. 

Durante anos você sobrevive com as mesmas sequencias, os mesmos fatos e emoções. Eu aperto um botão marcado Margaret ou Verônica, a fita corre, a mesma coisa de sempre aparece. Os eventos reconfirmam as emoções- ressentimento, uma sensação de injustiça, alívio-  vice -versa.

Não parece haver um jeito de acessar  outra coisa; o caso está encerrado. É por isso que você busca corroboração, mesmo que acabe sendo contradição. Mas e se, mesmo num período tardio, suas emoções acerca daqueles fatos  e pessoas do passado mudarem? 

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O tempo passa para todos, mas o que revela quem somos, nossa história, e tudo que vivemos é a nossa memória. Memória essa que com o tempo pode falhar, nos fazendo talvez nos perder de quem  fomos,  e assim consequentemente de quem deveríamos ser.

E hoje, quem somos? Sub produto do que vivemos,  ou o que pretendíamos realmente ser?

Quem era mesmo Adrian? Quem era mesmo Verônica?

Tony Webster busca responder a essas perguntas, enquanto acaba por perceber quem é, e sobre tudo quem foi. Numa reflexão nostálgica Tony procura compreender o passado, para encontrar sentido no presente. 

O livro traz fragmentos de muitas memórias da juventude do narrador, e suas impressões atuais sobre elas. 

Além de revelar fatos do presente como encontros com Margaret sua ex mulher, e uma serie de encontros com Verônica sua ex namorada da adolescência. 

Particularmente amo obras literárias que tratam do poder corrosivo do tempo,  e de  como os anos podem comprometer nossa memória a ponto de alterar o sentido de muitas ocasiões. 

Eu sei que o que vivi, com base em tudo que me lembro, mas se passo a esquecer o que vivi, fico confusa, não sei bem o que senti quanto estive lá ( no passado) , naquele lugar distante que é agora apenas uma memória nebulosa.  É assim que me sinto se por mais que me esforce esqueça do que fora outrora. 

Isso é humano! Esquecer é humano, afinal de contas quem de nós pode levar consigo a clareza de algo mais do que cabe em pequenos fragmentos de memória?

Eu não posso!

E por essa razão acabei por me identificar com Tony Webster, e talvez seja por isso que o livro tenha ganhado tanta repercussão  ( e vencido o premio MAN BOOK PRIZE 2011) . 

Se esqueço  o que vivi, logo esqueço o que senti, e  acabo por perder as lições por trás de tais sentimentos. Logo me perco de quem me tornei através dos episódios vividos, volto a estaca zero. Sem memoria de certos fatos, sem parte de mim…  Que sentido  tem o fim se nem me lembro do começo?

Embora não tenha me apegado tanto ao personagem em si, ou mesmo a construção dessa narrativa, gostei muito de como Julian Barnes  retratou a memória, e o que pode acomete-la com o passar do tempo. Fragmentos, nada além de fragmentos … algumas cenas, algumas coisas que nunca iremos esquecer, decepções, amigos que partem para sempre, o envelhecimento, a vida tomando novas formas depois de se tornar disforme. Esse livro faz uso da nostálgica analise de um personagem sobre sua  juventude, e acaba por levar o leitor a mergulhar nas suas próprias memórias. E refletindo nelas, nos perdemos um pouco de Tony, mas questionamos as mesmas coisas que ele. 


Sobre o livro *

O livro é dividido em duas partes, a primeira trás atona ao leitor as principais  memórias da juventude do narrador, Tony Webster. Já  na segunda parte Tony  está tentando encara-las mediante os fatos do presente ( 40 anos mais tarde ). 

O que leva Tony nesse profundo mar de nostalgia, é o fato de haver recebido como herança o diário de um de seus melhores amigos da juventude.   Tal inesperada herança  o leva a pensar não apenas Adrian ( seu amigo suicida, autor do diário), mas também em sua ex namorada Verônica.

A tentativa de recuperar mais memórias da juventude afim de compreender o atual estado de sua vida, o leva a muito remorso, e respostas que talvez não desejasse obter. 

Aos sessenta anos de idade, divorciado, pai e avó,  Tony conta com a ex mulher Magaret por um tempo, para tentar compreender certas coisas sobre si mesmo, mas logo fica por sua conta a compreensão nítida do que o passado fez do presente. Então Tony nota que passado não é apenas passado, é provavelmente o sentido que se esconde por trás do fim. 

 

 

 

Minha participação na Edição ANTOLOGIA POÉTICA SARAU BRASIL 2016

Cheguei  da faculdade há algumas horas, e tive a ótima notícia de que minha tão esperada correspondência  finalmente chegou!!!

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Se trata dos livros da  Edição ANTOLOGIA POÉTICA  do Sarau Brasil 2016, que reúne através de um Concurso Nacional  poesias de  novos poetas.

Esse ano entre as poesias  selecionadas está (na página 225) meu soneto :

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Soneto didático para Leonardo

Os teus olhos cansados diziam coisas que não pude ouvir
Me distraia com seus lábios perfeitos olhando pra mim
Sentia tua alma me tocar e o amor intervir
Sem pé nem cabeça, começou assim

Te juro que menti que não era amor
Era tão confuso que me roubou o direito de mentir
Mas já estava tão inteiramente roubada, que consenti ao rumor
E disse, seja lá o que disse só pra não discutir

É que eu te quis pra valer
Como tem gente que quer só porque o outro quis equivaler
Mais foi bonito, foi amor correspondido

Foi meio apocalíptico
Mas se virasse um livro, ia ser didático
Sobre um tipo de sentimento meio subentendido


Muito feliz de fazer parte de mais uma seleção de poesias que rendeu publicação! 

Não imaginei que seria esta minha poesia selecionada, uma vez que assim como os demais candidatos enviei duas …

Este soneto em especial é o registro de um romance vorazmente vivido/sentido/sofrido e superado, que fora capaz de me trazer grandes aprendizados, por tanto é de extremo valor que tenha ido parar num livro.

Fica ai O Soneto De Didático Para Leonardo em estima a todo aprendizado gerado através da minha tentativa de compreender tal paixão …

Caro Leo, paixão é só paixão.

Isso significa tudo, pode não ser nada …

Importa  é que vivemos…

Aprendemos …

Supondo estar nos amando …

Desabafos de quem fora míope perante a vida

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É uma confissão dessas que me sinto  realmente  coagida por minha consciência  a fazer  a mim mesma … pois só assim sou capaz de admitir meus erros e aprender com eles.

É um tanto quanto insólito falar sobre isto, mas é extremante preciso, porque é extremamente necessário corrigir rotas!

E para tal correção é necessário enxergar bem os caminhos perante mim, e é justamente ai que entra a insólita analogia com a miopia …

Tendo sido diagnosticada na semana passada com miopia e astigmatismo, eu fiquei pensando em todas as minhas características sempre comentadas entre amigos e familiares que eu nem imaginava terem sido resultado do meu problema de visão ( eu realmente julgava enxergar muito bem ) .. mas andava sempre olhando fixamente para baixo temendo tropeçar ( pois as vezes me parecia que  o chão estava  mais abaixo ou acima do que estava realmente ), com isso fui sempre chamada de cabisbaixa! 

E também tem as características  como:  coçar muito os olhos (e borrar a maquiagem), seguida de olhar fixo e de olhos semi cerrados para olhar as pessoas enquanto elas falam  ( ou mesmo virar um pouco a cabeça para tentar focar melhor o rosto delas )… essas pequenas coisas toscas que formam a imagem que as pessoas fazem de quem sou.

Mas não eu não ando cabisbaixa porque sou triste ou tímida !

Minha maquiagem não vive borrada porque  chorei, ou porque sou extremamente sem noção ( embora até seja sem noção ) !

E sobre  tentar focar em você enquanto você fala, mantendo os olhos semi cerrados com cara de esforço … é porque eu não sei qual imagem de você é real, pois vejo dois ou mais  as vezes …

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Se levou em conta essas coisas,  você que enxerga bem, me viu de fato, mas não me conheceu … Mas não lhe julgo, pois nem eu mesma me conhecia. Nem eu mesma sabia que tudo isto era um problema de visão … 

As terríveis dores de cabeças da chamada garota enxaqueca… tudo poderia ter sido evitado se não abandona-se meu óculos na infância … pensei que até que se os usasse talvez não tivesse sofrido o acidente que me mudou tanto … 

Não apenas míope, mas tendo uma visão igualmente míope perante a vida, fiz tantas escolhas erradas, errei tantos caminhos … E claro, eu não quero me lamentar sobre, mas eu não vou fujo da  possibilidade que muitas coisas teriam sido diferentes. 

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Dificuldade de enxergar se submetida a muita luz

Dificuldade de me concentrar na leitura, por me perder nas linhas 

Dificuldade de ver as coisas como elas realmente são, sem saber onde realmente estão

Dificuldade!

Sim, é bem verdade que tudo se deve ao meu problema de visão, mas fez de mim quem eu sou, e se corrijo isso mudo inevitavelmente quem sou e como as pessoas passam a me enxergar!

As vezes foco tanto em uma coisa/situação/ alguém que  o resto do cenário a minha volta fica todo nebuloso… há vezes mesmo fora do trabalho, penso tanto no trabalho que é como se estivesse ainda dentro dele. Há vezes que amo tanto algo que me perco de mim … sou de forçar a vista e também o coração…  desejo enxergar o que aparentemente vejo, mas não vejo… Desejo sentir ao máximo, o que talvez não deva!

Eu vivo num abstrato, e não sei como sair dele!

Embora saiba que devo sair dele …

Preciso aprender a ver o todo, nem que pra isso precise me submeter as lentes a mudança de hábitos, de forma tal a ser outra ( embora sendo sempre eu … )

Certa vez vi um rapaz, e foi como dizem AMOR A PRIMEIRA VISTA, o problema é que estava bem mau da vista … ela não era como pensei ter visto ( ninguém nunca é … as vezes são melhores, mas na maioria das vezes piores!) …

Me pergunto se foi a imagem dele que me enganou, ou se por vê-lo com meu coração míope  me enganei …

Não sei!

Nunca sei …  por isso minha vida é repleta de reticencias!

Eu tive que me apoiar em suposições, porque não era capaz de enxergar as coisas como elas realmente são …

E quem supõem muito tem esse hábito de filosofar até quando vai ao oftalmologista.

Bem-vindo ao mundo!

Eis aqui quem sou de verdade através do que vejo ( e principalmente do que não vejo! )

 

Tempos de crescer sem crescer

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Me  lembrei das vezes que ia sozinha por aí riscando com giz as placas de pare

E deu saudade da infância, porque não podiam me impedir …

No meu Universo minhas próprias regras

E era engraçado o passar das horas, porque traziam o mesmo  de novo e de novo…

o mesmo desenho animado, a mesma sensação boa de fim de tarde do dia anterior…

Sabores doces, brincadeiras com  o impossível, sonhos sem limites… 

Mas as coisas começaram a mudar 

E deu saudade da infância, porque o passar das horas traziam de volta as boas coisas vividas no ontem …

Mas hoje eu preciso obedecer a cada placa, a cada ordem , a cada regra

E da saudade da infância, do ontem … Meu universo, minhas regras…

O desenho animado, as sensações boas, uma placa riscada de giz 

Liberdade de ir pra onde queria, fazer o que queria, sonhar sem ser impedida

Me coroar rainha, me tornar sereia, princesa, fada, mãe , professora, gigante …

Crescer sem crescer 

Viver o momento como eternidade, e ter a certeza de poder fazer o mesmo no dia seguinte … No meu Universo com  minhas próprias regras

 

 

Boas lembranças

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Costuma andar com uma bagagem pesada
Cheia de razões e sentidos medonhos que dei a cada uma delas
Mas era um fardo grande demais, e me empedia de ver que a vida é mais simples do que parece
Maior do que se mostra aos apressados
Pois melhor do que ter as respostas é poder caminhar livremente para encontra-las

E então eu soltei a velha certeza pelo caminho
Segui o trem do inesperado
Tropecei no caminho, e vi coisas que jurava que nem existiam

Tenho um punhado de sementes nas mãos agora
Tenho plantado outras razões
Não para as levar comigo
Já não preciso justificar meus passos
Eu apenas devolvo ao caminho o que ele me deu