Moscas

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Tinha tudo para ser um grande amor, se não fosse o medo … se não fosse as tempestades!

Se não fossemos tão ingênuos e  pequenos, se não  andássemos tão  confundidos julgando ter razão.

Se não  fossemos como moscas ao redor da carne, rondando  o amor sem coragem para amar. 

Se o amor não  fosse apenas um   privilégio dos destemidos, á nós covardes restaria  algo mais que ilusões doces que amargam com o tempo. 

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Ciclo do autoconhecimento

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Aqueles dias noutro tempo  eram considerados os belos dias.  Mas então a luz! E logo já não eram tão belos assim. 

Eis  a desilusão amiga, me  apontando as tolices que antes não via. 

Mas é  chegado o tempo em que vejo demais, e como  que afim de evitar o erro, temo a vida.  

Precaução demais! -grita  o coração.

Teimosia! Outro erro, outra dor , uma nova culpa, uma tatuagem, cem anos de solidão …

Esse é outro tempo!

Eis a  ilusão  amiga, a qual abraço já  sem medo, pois sem ela não  viveria. 

COISA CHATA!

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Eu nunca assisti a versão original de It (no máximo fui adiantando para as cenas de ”terror” e só), também nunca li a obra de Stephen King. Mas até para minha surpresa, fui ao cinema conferir o remake de IT: A COISA, na companhia do meu namorado que gosta da obra.
Detestei cada segundo do filme, mas concordo que muitas partes causam bastante susto/aflição e até MEDO como o palhaço cabeça de balão gosta.  Os efeitos especiais são muito bem trabalhados, e as atuações das crianças são satisfatórias. No entanto continuo sem entender até hoje a grandiosidade da ideia  da pacata  cidade  Derry, aterrorizada por uma coisa que se alimenta de medo.  

Terror, não tem que fazer sentido né? Basta que aterrorize!

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Mas eu advirto  os fãs de  Pennywise  que o novo  filme, diferente do original, é apenas o primeiro de uma sequencia, pois o remake somente trata do primeiro capitulo da extensa obra de King. Ou seja ainda vem muita coisa chata por aí !

Big Brother e o medo da exclusão

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No livro ‘ Medo Líquido ‘ Zygmunt Bauman abordou  muitos medos, mas detalhou um dos maiores medos da nossa época, o medo de uma catástrofe pessoal. O medo de se tornar solitário, de ser o alvo selecionado, designado a ruína total. O medo de ser deixado de  para trás, de ser o excluído.

Mais do que nunca as pessoas fazem questão de se parecerem uma com as outras, corte de cabelo, estilo da barba, calçado, roupas, piercing e tatuagens, o que outrora poderia ser  uma forma de se expressar como diferente, tomou a massa, e agora só sinaliza que são ambos partes de uma mesma tribo, estilo, enfim parecidos. E por serem parecidos, unidos. Ou no minimo juntos a sofrer o eminente medo da exclusão!

No famoso reality show Big Bother é exatamente assim, como na vida real, todo mundo atuando ser o que não é, temendo ser eliminado por ser real.

Trecho pag. 29

Os reality shows, essas versões líquido-modernas das antigas morality plays*, testemunham diariamente em favor da vigorosa realidade dos medos. Como  indica o nome que assumem ( reality show ), um nome que não sofre oposição  dos espectadores e que só é questionado por um ou outros pedantes particularmente presunçosos, o que eles mostram é real; mais importante, contudo, indica também que ”real” é aquilo que mostram. E o que mostram é que a inevitabilidade da exclusão – e a luta para não ser o excluído – é aquilo no qual a realidade  se resume. Os reality shows não precisam ficar repetindo a mensagem: a maioria de seus espectadores já conhece essa verdade; é precisamente essa familiaridade arraigada que os atrai aos bandos para as telas de TV.

 

O Titanic somos nós

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Mais uma leitura acerca dos tempos líquidos, dessa vez ‘Medo Líquido’ (obviamente de Zygmunt Bauman).
O livro esmiúça bem medo por medo, que possuímos na sociedade atual, medo da violência das grandes cidades, medo de perder o emprego, medo de perder quem amamos, medo do terrorismo, da fúria da natureza … medo da morte, medo da própria vida.

Aos poucos vou postar trechos aqui, pra reflexão da loucura em que vivemos.

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Trechos, pag. 20 e 21
Muitos anos atrás, e alguns anos antes que os eventos 11 de Setembro, o tsunami, o furacão Katrina e o terrível salto subsequente nos preços do petróleo ( ainda que misericordiosamente por pouco tempo dessa vez) propiciassem essas oportunidades horríveis de acordar e ficar sóbrio, Jacques Attali refletia sobre o fenomenal sucesso financeiro do filme Titanic, que superou todos os recordes de bilheteria anteriormente obtidos por filmes-catástrofes aparentemente semelhantes.
Ele então ofereceu a seguinte explicação,notavelmente plausível quando a escreveu,mas que, alguns anos depois, nos soa nada menos que profética:

O Titanic somos nós, nossa sociedade triunfalista, autocongratulatória, cega hipócrita, sem misericórdia para com os pobres – uma sociedade em que tudo está previsto, menos os meios de provisão…Todos nós imaginamos que existe um iceberg esperando por nós, oculto em algum lugar no futuro nebuloso, com o qual nos chocaremos para afundar ouvindo música…

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Sim, icebergs -não um iceberg, mas muitos, provavelmente em número grande demais para serem contados. Attali identificou alguns deles: financeiro, nuclear,ecológico, social.

Trecho  pag. 28 

 Os temores emanados da ”síndrome do Titanic”  são os de um colapso ou catástrofe capaz de atingir todos nós, ferindo  cega e indiscriminadamente, de modo aleatório e inexplicável, e encontrando todos despreparados e indefesos.

Ver também:

Big Brother e o medo da exclusão

A terapia de lembrar

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Eu havia feito uma promessa, mais uma promessa a mim mesma que não fui capaz de cumprir…
Eu voltei atrás como sempre faço a respeito desses delicados assuntos.
Havia jurado, sacramentado … mas eu menti, como sempre minto sobre o que não aceito ser a verdade.
Entrei novamente naquele cubículo mau cheiroso onde guardei desajeitado grandes traumas e pequenas vergonhas. Me coloquei dentro da memoria pra tentar altera-la … e não pude mudar nada.
Lembrar é vicio, adoece, mas como todo vicio trás a falsa impressão de ser a solução, a cura.
E por alguma razão que desconheço permaneci ali por mais tempo do que o necessário, e o passado alterou parte do meu presente, mas um segundo e talvez altere todo o futuro.
A porta fechada, os demônios do medo exorcizados em mim.
O medo que morava aqui teve de abrir a porta, e eu finalmente pude fugir da dor das minhas próprias memorias sem ter de fugir delas.
Lá se vai o medo de lembrar, o medo de certos rostos … o medo de ter memoria.
É estranho quanta dor cabe em algumas lembranças, objetos viram armas, cartas sentenças, fotos vestígios de ilusão… vida desperdiçada, tentativa vã de felicidade.
É estranho que mesmo tendo novas lembranças as velhas ainda ocupem tanto em nós… por alguma razão deve ser assim … talvez lembrar seja a melhor terapia, ou creio nisso apenas porque não posso evitar.
Há coisas que uma garota nunca irá esquecer
Um grande amor, um enorme desastre
Meu melhor dia  e meus piores momentos.