Resenha: O Calor Do Sangue

PicsArt_10-01-08.17.30O Calor Do Sangue – IRÉNE NÉMIROVSKY

É na França da década de 30, que Sílvio um homem já velho, relembra sua juventude. Enquanto a morte sem muitas explicações do personagem Jean Dorin, acaba pouco a pouco por revelar alguns segredos acerca de outros personagens.

O livro parece ter tentado seguir a linha de mistério policial, mas fracassou feio nessa tentativa. No entanto é recheado de boas frases, e eu separei dois trechos  para que se tenha uma noção da escrita de Némirovsky:

Não sei se o ser humano faz sua própria vida, mas o certo é que a vida acaba por  por transformar o homem.

Cada um deve viver e sofrer por si próprio. O serviço que podemos prestar aos nossos filhos é deixar que ignorem nossa própria experiencia. 

O titulo “Calor do Sangue” se refere a chama da vontade, tipicamente jovem, que faz com que se viva para realizar os próprios desejos, da maneira mais intensa e egoísta possível.

tumblr_orynvhhhfq1v8hcteo1_500

E leva o leitor a refletir sobre o qual tolos somos nessa fase da vida, e como isto pode resultar no nosso futuro (e também no de outras pessoas). 
A obra inacabada, que deveria ter sido datilografada pelo marido da Irène, Michel Epstein, foi interrompida quando Michel soube da prisão de Némirovsky, pela polícia nazista em 1942. Denile Epstein a filha do casal, foi quem apresentou ao mundo as obras da mãe.

Considero uma leitura leve, bem vinda para quem gosta de detalhes e reflexões do gênero.

 

Anúncios

Resenha: A Casa  De Caryle E Outros Esboços (e ao menos por aqui um pouco mais de Woolf)

PicsArt_10-01-08.17.59A Casa  De Caryle E Outros Esboços – VIRGINIA WOOLF

Minha historinha com o livro: Eu parei numa feira de livros no terminal rodoviário Tiete, pouco tempo antes de partir para minha viagem rumo a Vinhedo, e dei voltas e voltas em pilhas de livros até que finalmente encontrei algo da Woolf. E enquanto lia o livro durante a viagem, acabei por perceber logo que há mais de David Bradshaw (o autor/organizador) do que da própria Virginia Woolf. FRUSTRANTE! 

RESENHA ALERTA
O livro é uma reunião de trechos do diário da escritora, mas a maioria dos textos, são comentários tecidos pelo organizador do livro David Bradshaw.
Eu pensei que por se tratar de páginas de diário, o livro seria um mergulho nas impressões de Woolf em relação a época e o meio em que viveu, mas nada muito woolfiano é percebido através desta leitura de 129 páginas.

Editora: Nova Fronteira Ano: 2004 

o-VIRGINIA-WOOLF-facebook.jpg

Virginia Woolf (1882-1941) foi uma romancista, ensaísta e editora inglesa. Uma das principais escritoras do Movimento Modernista do século XX. Famosa por apresentar em suas obras as questões políticas, sociais e feministas. Nascida em Londres, no dia 25 de Janeiro de 1882, filha do editor, Leslie Stephen, Woolf  fora marcada profundamente pela morte de sua mãe, de sua irmã e mais tarde de seu pai. Por conta das terriveis percas, a escritora  adentrou uma crise nervosa, que a levou a uma tristeza incurável. 

15a_vw_and_lw_hyde_park-568x800

 Woolf  não escreveu tanto quanto gostaríamos (mas deixou a todos nós grandes livros), infelizmente sua depressão se agravou durante a guerra, e então  ela encheu os bolsos de seu casaco com pedras, e se suicidou no rio Ouse, perto de sua casa, em Sussex, Inglaterra, no dia 28 de março de 1941, deixando para Leonard seu esposo (á esquerda na foto) a seguinte carta de adeus: 

VW-carta-de-suicidio1

Meu Muito Querido:
Tenho a certeza de que estou novamente enlouquecendo: sinto que não posso suportar outro desses terríveis períodos. E desta vez não me restabelecerei. Estou começando a ouvir vozes e não consigo me concentrar. Por isso vou fazer o que me parece ser o melhor.
Deste-me a maior felicidade possível. Fostes em todos os sentidos tudo o que qualquer pessoa podia ser. Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes até surgir esta terrível doença. Não consigo lutar mais contra ela, sei que estou destruindo a tua vida, que sem mim poderias trabalhar. E trabalharás, eu sei. Como vês, nem isto consigo escrever como deve ser. Não consigo ler.
O que quero dizer é que te devo toda a felicidade da minha vida. Fostes inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom.
Quero dizer isso — toda a gente o sabe. Se alguém me pudesse ter salvo, esse alguém terias sido tu. Perdi tudo menos a certeza da tua bondade. Não posso continuar a estragar a tua vida.
Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais felizes do que nós fomos.
V.”

 

Resenha: O Homem Duplicado

PicsArt_10-01-08.16.55O Homem Duplicado JOSÉ SARAMAGO

Minha historinha com o livro: Certa noite (a cerca de três ou quatro semanas), pedi a meu irmão cinéfilo sempre citado por aqui, a dica de um filme. E fiquei muito feliz em saber que ele me recomendou um filme com Jake Gyllenhaal como devem saber, meu queridinho!, mas ele me advertiu ‘ ESSE EU JURO QUE NÃO ENTENDI! MAS SE QUISER TENTAR! ‘  

239210.jpg-c_300_300_x-f_jpg-q_x-xxyxx

Foi então que eu e meu namorado dedicamos a noite a pensar sobre o filme  de Denis Villeneuve, baseado na obra de José Saramago. // Post sobre o filme aqui // Mas não obtivemos muito sucesso, então decidi comprar o livro (e ler Saramago pela primeira vez), e o resultado da leitura (foi uma experiencia tão  insólita quanto ter visto o longa ) rendeu a resenha abaixo:

RESENHA
O inicio do livro  (narrado em terceira pessoa) nos leva supostamente a conhecer Tertuliano Máximo Afonso (nome que Saramago repetiu de 3 a 5 vezes em cada página!), um homem refém de um cotidiano monótomo, que se dividi entre dar aulas de História e ler sobre as civilizações mesopotâmicas.
Aos trinta oito anos de idade e recém divorciado, o protagonista vai dia após dia sucumbindo a depressão, até que um colega de trabalho (o professor de matemática) lhe indica um filme, o qual Tertuliano aluga, e acaba por descobrir seu clone no longa (se trata de um ator com papéis medíocres de pontas).
Tertuliano passa a desejar descobrir mais sobre o homem, cujo a face e todo resto é perfeitamente igual a ele. Mergulha então em horas e horas de cinema, assistindo a muitos filmes da produtora onde trabalha seu duplo. Até que finalmente descobre a identidade do mesmo, e busca uma forma de conhece-lo.
A essa altura da leitura, já sabendo que não se trata de gêmeos, clones ou irmãos, tem até um aviso na contra-capa de que não seria algo tão obvio, foi então que comecei como leitora, a me perguntar se Tertualino era mesmo o homem pacato apresentado pelo narrador. Pois sua súbita obsessão em conhecer seu duplo, acabou por leva-lo a se questionar muito acerca de si mesmo, até que ele sofre uma enorme crise existencial,e  se mostra mais perturbado, do que  apenas triste e entediado.

Saramago construiu uma narrativa simples acerca de homem  Tertualiano nos dizendo  oque  este faz, como é, o que possuí , e que não possuí, mas este é na verdade  um personagem deveras complexo, o que faz com que a elaboração do livro chame atenção pelo cuidado do autor, em criar estrategias de suspense e mistério em torno do tema DUPLICIDADE.

Simbolismos e elementos parecem roubar a ”cena”, e em algum ponto subestimei Tertuliano por julgar conhece-lo, e é então que o Senso Comum (narrador do texto) nos leva ao desespero do personagem que vive o pesadelo do mito da originalidade, e percebemos que nada é realmente o que parece.

Super recomendo! 

Resenha: A fera em mim

IMG_20170527_142550_907

Quem me acompanha no instagram sabe que esses dias li o livro A FERA EM MIM de Serena Valentino, e fiquei de fazer uma resenha do mesmo por aqui. Mas antes de começar a falar sobre o livro, eu vou dizer quem é Serena e que tipo de trabalho ela desenvolve.

46284790-horz
13765776_10154381928647938_260042759071089273_oSerena Valentino é conhecida por seu estilo único de contar histórias, trazendo seus leitores para mundos assustadores, beleza e extraordinárias protagonistas femininas. (palavras da Wikipédia sobre a autora)

C5xvbKfU4AAx4eiEla é autora de uma série de livros intitulada Os vilões da Disney , lançada pela editora Universo dos Livros, a série propõe contar aos fãs de contos de fadas um pouco sobre quem eram os personagens icônicos antes de se tornarem grandes vilões .

Confira aqui toda a coleção. <<

IMG_20170528_121043_285

RESENHA

Agora falando do volume (único que li desta coleção de livros da autora) A FERA EM MIM, que adquiri nas lojas Americanas, pensando realmente ser um livro que abordaria todo conto da visão da Fera, vamos a minhas primeiras impressões sobre:

a-bela-e-a-fera

Devo salientar primeiramente que como sou fã deste conto de fadas, e pensei que seria interessante um livro que abordasse justamente o ponto de vista do príncipe amaldiçoado, ao invés de uma mera narrativa, como o conto fora contado e recontado pela Disney nos filmes.Tive certa presa em ler o livro, e fiz a leitura de suas 235 páginas em poucas horas dividas em dois dias. E após ler o livro pensei Apenas uma obra Disney contada com alguns personagens a mais, uma ou outra diferença da versão dos filmes e só ! Nada de pensamentos do príncipe a cerca de como era estar preso a uma maldição, ou mesmo sobre ter se apaixonado por uma garota tão diferente do tipo pelo qual costumava se atrair
Eu não teria comprado o livro se soubesse que Selena Valentino se baseia nos vilões da Disney , e como esses se apresentam nas histórias da própria produtora infantil Walt Disney Pictures.
De uma maneira bastante simples, beirando uma mediocridade na escrita, Selena apenas mostrou a fera tal como a vemos nos filmes. O que é contado sobre o príncipe ser arrogante,egocêntrico, mimado e obsessivo por beleza e perfeição é algo que todos nós já vimos, ou seja o príncipe aqui aparece exatamente como nas versões cinematográficas.

tumblr_static_7yblzz2fv4kc0k4kgwocc408c_640_v2

A amizade do príncipe com Gaston 
Uma diferença bastante notória é amizade que ele tem com Gaston, nesta versão ambos são grandes amigos de infância, e Gaston chega até a salvar a  vida do príncipe. Com o passar dos anos a amizade de ambos se torna ainda maior. Porém Gaston começa a mostrar indícios de inveja, o que acaba gerando uma certa competitividade entre eles.

As pretendentes do príncipe 
Antes de ser amaldiçoado o príncipe se encanta pela beleza de Circe, uma moça de cabelos loiro claro, olhos azuis pálidos e delicadas sardas. Chega a ficar noivo da mesma, porém ao descobrir que essa era filha de um criador de porcos desmancha o noivado.  Circe porém é uma feiticeira, e neste caso a feiticeira que lança sobre ele a maldição que o transforma em fera. Sim, nesta versão é esta ex noiva a responsável pela maldição, que acontece pouco a pouco atormentando o príncipe dia após dia.

Mais tarde conhecemos  a princesa Tulipa Morningstar uma moça que embora bastante simpática e bonita, não é muito inteligente, e justamente por este motivo motivo Gaston a apresenta ao príncipe como um ótimo partido, e logo se torna a nova noiva do príncipe.  

Nesta parte a narrativa começa  a abordar  ( de maneira medíocre ) a questão de que naquela época as mulheres não liam ou estudavam , pois estas eram  vistas como atividades masculinas.

Bela é uma personagem que aparece pouco na narrativa, embora  apareça misteriosamente no decorrer da estória como uma moça que o príncipe nunca consegue ver de frente. Bela é justamente o perfil de garota pelo qual o príncipe jamais iria se interessar (antes da maldição), pois por ser uma apaixonada por livros, pensa de maneira  muito diferente das outras mulheres.

Era verdade: todo mundo no vilarejo pensava que ela era estranha por ler muito, já que não se comportava exatamente como as outras garotas. *** E dai que ela estava mais interessada em ler sobre princesas do que em ser uma? * Trecho da página 193🌷  

Não era um mostro completo, era? Se fosse, não a teria matado? Não teria se importado em quebrar o feitiço.Assim, precisava dela desesperadamente. Ela era sua última chance. Não tinha certeza se merecia uma chance , mas interpretou a chegada de Bela  como um sinal de que deveria tentar.* Trecho da página 194 🌷  

Livros! Livros a deixavam feliz.Ela não era como qualquer garota que ele conhecera,e ele pensou que talvez gostasse disso. Na verdade, ele tinha certeza de que gostava.
* Trecho da página 197🌷  

As bruxas
Circe a feiticeira ”boazinha”, é a irmã mais nova de 3 bruxas: Marhta, Ruby e Lucinda que odiosas pelo que o príncipe fez a ela, buscam  não dar a ele a opção de se livrar da maldição (conhecendo o amor verdadeiro). Essa foi a única parte da estória em que noto o esforço da autora em tornar este um conto ”assustador”, tanto na descrição da aparência das bruxas, ou até mesmo no comportamento delas  Serena tentou realmente trazer ao livro um ar mais pesado, mas sinceramente não conseguiu!

O desfecho da história é bastante parecida com o que todos conhecemos, não  é um livro que eu recomende, e deixo aqui meu porque.

Sobre a participação no CNNP ( O TERCEIRO CONCURSO DO ANO )

20161218_115831

Foi minha primeira participação no CNNP, e me sinto privilegiada por ter sido selecionada para fazer parte de mais uma Antologia Poética promovida pela Editora Vivara.

Deixo  aqui meu soneto que faz parte desse compilado de trabalho de novos poetas:

tumblr_static_tumblr_static_filename_640

Confissão

Tentei de tudo, mas ele não deixava meu pensamento

E então me tornei refém, sem ousar de novo outra tentativa de resistência

Me entreguei inteira ao sentimento

Que pedia de mim solucionar depressa a dor da ausência

E contra a vontade do amor não se luta

Padre o senhor a de me compreender, era um encanto

E já não sou mais uma mulher impoluta

E sabia que só encontraria nele meu acalanto

Havia de ser assim ou eu ia morrer

E eu só iria a óbito por amor, se ele fosse comigo

E então fomos pra não mais sofrer

Para onde vão os apaixonados sem noção de perigo

Fomos amar

Mas não vou pedir perdão por isso

Só queria mesmo era confessar não ter mantido meu sentimento remisso

Pois isso seria pecar


 

20161222_203526

Concurso 1 –  Soneto: Anjo Caído > ver aqui 

Concurso 2 – Soneto: Soneto de didático para Leonardo > ver aqui

É possível conferir outras participações AQUI << 

O sentido de um fim e as memórias que todos temos

Oi! 

Hoje eu vou resenhar a primeira leitura obrigatória da minha vida acadêmica como estudante de Letras, o livro O sentido de um fim ( título original : SENSE OF AN ENDING ), do autor inglês Julian Barnes.

20160912_174210

Iremos trabalhar o livro durante todo esse primeiro semestre,  na disciplina  Lingüística e Comunicação.

Confesso que comprei o livro há duas semanas, no entanto estava bem difícil dar continuidade a leitura do mesmo. Em parte por ler nas brechas de tempo no transporte público ( que convenhamos não é o que se pode considerar um bom lugar para leitura ), em parte por desinteresse na narrativa ( eu detestei o jeito esnobe como o narrador descreve  como eram seus  amigos colegiais, metidos a filósofos mo inicio do livro ) .

Mas ontem, ao me dar conta da quantidade de tarefas que tenho protelado, decidi ( e prometi a mim mesma )   começar o livro do primeiro paragrafo ( De novo!  Deixando de lado as primeiras e negativas impressões )  e ir até a última página  em poucas horas… acabei por adormecer as 2 AM deixando minha promessa se esvair em profundo sono.

Acordei atrasada para o trabalho, e quase esqueci de levar comigo r as 159 páginas do  senhor Barnes, mas  finalmente, finalmente terminei o livro! Então bora conferir minha resenha!

MINHAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBRA  

O livro é narrado em primeira pessoa por Anthony Webster ( ou Tony para os íntimos) , um  senhor de sessenta e poucos anos  que mergulha de cabeça nas memorias da juventude, afim de encontrar sentido para uma porção de questões que talvez não tenham tido um fim, ao menos não, com um  sentido claro. 

Durante anos você sobrevive com as mesmas sequencias, os mesmos fatos e emoções. Eu aperto um botão marcado Margaret ou Verônica, a fita corre, a mesma coisa de sempre aparece. Os eventos reconfirmam as emoções- ressentimento, uma sensação de injustiça, alívio-  vice -versa.

Não parece haver um jeito de acessar  outra coisa; o caso está encerrado. É por isso que você busca corroboração, mesmo que acabe sendo contradição. Mas e se, mesmo num período tardio, suas emoções acerca daqueles fatos  e pessoas do passado mudarem? 

Pag.  129

O tempo passa para todos, mas o que revela quem somos, nossa história, e tudo que vivemos é a nossa memória. Memória essa que com o tempo pode falhar, nos fazendo talvez nos perder de quem  fomos,  e assim consequentemente de quem deveríamos ser.

E hoje, quem somos? Sub produto do que vivemos,  ou o que pretendíamos realmente ser?

Quem era mesmo Adrian? Quem era mesmo Verônica?

Tony Webster busca responder a essas perguntas, enquanto acaba por perceber quem é, e sobre tudo quem foi. Numa reflexão nostálgica Tony procura compreender o passado, para encontrar sentido no presente. 

O livro traz fragmentos de muitas memórias da juventude do narrador, e suas impressões atuais sobre elas. 

Além de revelar fatos do presente como encontros com Margaret sua ex mulher, e uma serie de encontros com Verônica sua ex namorada da adolescência. 

Particularmente amo obras literárias que tratam do poder corrosivo do tempo,  e de  como os anos podem comprometer nossa memória a ponto de alterar o sentido de muitas ocasiões. 

Eu sei que o que vivi, com base em tudo que me lembro, mas se passo a esquecer o que vivi, fico confusa, não sei bem o que senti quanto estive lá ( no passado) , naquele lugar distante que é agora apenas uma memória nebulosa.  É assim que me sinto se por mais que me esforce esqueça do que fora outrora. 

Isso é humano! Esquecer é humano, afinal de contas quem de nós pode levar consigo a clareza de algo mais do que cabe em pequenos fragmentos de memória?

Eu não posso!

E por essa razão acabei por me identificar com Tony Webster, e talvez seja por isso que o livro tenha ganhado tanta repercussão  ( e vencido o premio MAN BOOK PRIZE 2011) . 

Se esqueço  o que vivi, logo esqueço o que senti, e  acabo por perder as lições por trás de tais sentimentos. Logo me perco de quem me tornei através dos episódios vividos, volto a estaca zero. Sem memoria de certos fatos, sem parte de mim…  Que sentido  tem o fim se nem me lembro do começo?

Embora não tenha me apegado tanto ao personagem em si, ou mesmo a construção dessa narrativa, gostei muito de como Julian Barnes  retratou a memória, e o que pode acomete-la com o passar do tempo. Fragmentos, nada além de fragmentos … algumas cenas, algumas coisas que nunca iremos esquecer, decepções, amigos que partem para sempre, o envelhecimento, a vida tomando novas formas depois de se tornar disforme. Esse livro faz uso da nostálgica analise de um personagem sobre sua  juventude, e acaba por levar o leitor a mergulhar nas suas próprias memórias. E refletindo nelas, nos perdemos um pouco de Tony, mas questionamos as mesmas coisas que ele. 


Sobre o livro *

O livro é dividido em duas partes, a primeira trás atona ao leitor as principais  memórias da juventude do narrador, Tony Webster. Já  na segunda parte Tony  está tentando encara-las mediante os fatos do presente ( 40 anos mais tarde ). 

O que leva Tony nesse profundo mar de nostalgia, é o fato de haver recebido como herança o diário de um de seus melhores amigos da juventude.   Tal inesperada herança  o leva a pensar não apenas Adrian ( seu amigo suicida, autor do diário), mas também em sua ex namorada Verônica.

A tentativa de recuperar mais memórias da juventude afim de compreender o atual estado de sua vida, o leva a muito remorso, e respostas que talvez não desejasse obter. 

Aos sessenta anos de idade, divorciado, pai e avó,  Tony conta com a ex mulher Magaret por um tempo, para tentar compreender certas coisas sobre si mesmo, mas logo fica por sua conta a compreensão nítida do que o passado fez do presente. Então Tony nota que passado não é apenas passado, é provavelmente o sentido que se esconde por trás do fim. 

 

 

 

Minha participação na Edição ANTOLOGIA POÉTICA SARAU BRASIL 2016

Cheguei  da faculdade há algumas horas, e tive a ótima notícia de que minha tão esperada correspondência  finalmente chegou!!!

20160908_230014

20160908_230121

w

Se trata dos livros da  Edição ANTOLOGIA POÉTICA  do Sarau Brasil 2016, que reúne através de um Concurso Nacional  poesias de  novos poetas.

Esse ano entre as poesias  selecionadas está (na página 225) meu soneto :

20160909_005047

Soneto didático para Leonardo

Os teus olhos cansados diziam coisas que não pude ouvir
Me distraia com seus lábios perfeitos olhando pra mim
Sentia tua alma me tocar e o amor intervir
Sem pé nem cabeça, começou assim

Te juro que menti que não era amor
Era tão confuso que me roubou o direito de mentir
Mas já estava tão inteiramente roubada, que consenti ao rumor
E disse, seja lá o que disse só pra não discutir

É que eu te quis pra valer
Como tem gente que quer só porque o outro quis equivaler
Mais foi bonito, foi amor correspondido

Foi meio apocalíptico
Mas se virasse um livro, ia ser didático
Sobre um tipo de sentimento meio subentendido


Muito feliz de fazer parte de mais uma seleção de poesias que rendeu publicação! 

Não imaginei que seria esta minha poesia selecionada, uma vez que assim como os demais candidatos enviei duas …

Este soneto em especial é o registro de um romance vorazmente vivido/sentido/sofrido e superado, que fora capaz de me trazer grandes aprendizados, por tanto é de extremo valor que tenha ido parar num livro.

Fica ai O Soneto De Didático Para Leonardo em estima a todo aprendizado gerado através da minha tentativa de compreender tal paixão …

Caro Leo, paixão é só paixão.

Isso significa tudo, pode não ser nada …

Importa  é que vivemos…

Aprendemos …

Supondo estar nos amando …