Ciclo do autoconhecimento

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Aqueles dias noutro tempo  eram considerados os belos dias.  Mas então a luz! E logo já não eram tão belos assim. 

Eis  a desilusão amiga, me  apontando as tolices que antes não via. 

Mas é  chegado o tempo em que vejo demais, e como  que afim de evitar o erro, temo a vida.  

Precaução demais! -grita  o coração.

Teimosia! Outro erro, outra dor , uma nova culpa, uma tatuagem, cem anos de solidão …

Esse é outro tempo!

Eis a  ilusão  amiga, a qual abraço já  sem medo, pois sem ela não  viveria. 

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Testemunha

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Lembro me agora, com certo esforço confesso, que a lua aquele dia estava posta  no céu sem muito esplendor. Isso porque irradiávamos maior luz.

Não sei ao certo agora, pois só há fragmentos estranhos dessa memória particular em mim, mas creio que não  estava frio, e nem quente demais.   No entanto me lembro bem que ardíamos… congelados pelo medo de calar o sentimento evidente.  E isso  é tudo que sei sobre aquela noite. É tudo o que sei  sobre o que somos, ou eramos.

Qualquer coisa sem importância   grita a lua agora, em vão, enquanto amaldiçoamos os versos de  amor  deteriorados pelo tempo.

Já se foi aquela  noite, e mais seiscentas depois dela.

Já  se foi  também quem eramos,  e o único mau agora é a lua, pois esta ainda existe pra nos lembrar  aquela noite.

Feche então os olhos, tape os ouvidos e tente não ouvi-la, ignore a lua e o que ela nos diz.

Ela é a única testemunha que resta, e se não for ouvida, não  seremos tão  culpados assim.

Borrão

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O primeiro amor surge sempre antes da gente crescer. Vai ver até a gente só cresce porque ele surge.

Eu era menina quando você veio pra mim, não sabia combinar cores, estragava as aquarelas e fazia estragos com tinta óleo.  Eu sujava telas e me julgava adulta, mau sabia que as pinceladas de imaturidade ia nos colocar num quadro tão desconfortável.

Não queria que tivéssemos sido dramáticos e tristes como Van Gogh, nem queria ver nosso amor como a fase azul de Picasso.

Queria saber como amar, e como pintar de cuidado seu corpo.

Queria ter feito arte digna de ser  emoldurada.

Queria por fim ser mais que um rascunho, um borrão.

Lamento então nossa tela, que hoje se desfaz mais um bucado, pois crescemos e ainda somos péssimos na arte de amar.  

 

Desmaio

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Cai, e dessa vez sobre você

Não me apoiei sobre nenhum argumento falho, nem dei desculpas, ou fiz cena, apenas cai

Cai como caem as folhas das árvores

Não desmoronei, não rolei as avessas, não morri

 

Foi como um desmaio, tranquilo e quase imperceptível

Era eu, era um amontoado de nós, no teu colo desajeitado

Foi quase um sonho, daqueles onde caímos quando mergulhados num sono pesado

Era pra durar pra sempre, mas eu acordei, me endireitei sobre minhas pernas e fui embora

 

Não me culpe se acontecer de novo e eu recair

Cai sem querer

Não sou de agir assim

Cai sem culpa

 

Foi  um desmaio, tranquilo, natural

Era eu, nos teus braços, me lembrava os nós que havia sido

Foi quase um sonho, daqueles onde nos colocamos quando ainda acordados

Era pra  durar mais, mas era só um desmaio

Pra pensar

A vida são deveres, que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas…
Quando se vê, já é sexta-feira
Quando se vê, já é Natal ….
Quando se vê, já terminou o ano .
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida .
Quando se vê, passaram-se 50 anos !
Agora, é tarde demais para ser reprovado …
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho,
a casca dourada e inútil das horas …
Eu seguraria todos os meus amigos, que Já não sei como e onde eles estão e diria: vocês são extremamente importantes para mim.
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
Dessa forma eu digo, não deixe de fazer algo que gosta devido a falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Quem eu fui se foi

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Retornei aos velhos escritos, e retomei a leitura das lamúrias do passado construído por ideias  de desesperança…

Sabe, é bom ver a vida daqui. Daqui onde já  não dói tanto relembrar, pois quase tudo esqueço, e mesmo relendo o passado me sinto longe dele. 

Tentei é verdade reconstruir as cenas, lembrar dos aromas, das vozes, das cores, mas já estava outro cenário. Cenário esse que fazia de mim nova personagem…

Mas quem eu fui?

Se foi . 

 

 

 

Soneto de um amor em decomposição

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Em memória do que vivemos eu te escrevi

Queria resumir numa carta o passado

Mas foi pouco que transcrevi

Por questão de segurança, relembrar demais é um ato recusado

Meu coração só suporta até certo ponto

Minha mente já não é mais assim tão sã

Eu te amei desde nosso primeiro encontro

Foi quando teve inicio a paixão malsã

E agora ai de mim

Que vivo morto assim

Relembrando que a felicidade escapou de nós por um triz

E foi assim que amor que partiu, me partiu o peito

E agora ai de mim que peno com o lembrança em estado putrefeito

Buscando no passado um amor que não me quis

 

Jaqueline Bastos