Estilhaços, crise existencial e amizades pouco prováveis em DEMOLITION

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Que eu sou uma fã  (desde que vi JIMMY BOLHA quando criança) de Jake Gyllenhaal  a maioria já sabe, mas o que poucos sabem por não ter feito muito burburinho com os brazucas, é o sobre o filme Demolition/Demolição.

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Direção: Jean-Marc Vallée . Gênero: Drama. Nacionalidade: EUA

Sim, mesmo sendo apaixonadinha pelo ator eu só fui saber desse filme após  ver uma cena do mesmo no instagram ( é, em tempos onde não há tempo para ver trailers  ou pesquisar sobre filmes, basta o instagram! )

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  Neste filme Jake Gyllenhaal interpreta  um homem de negócios, que trabalha  com investimentos  na empresa do sogro, e que levava a vida de uma maneira um tanto quanto sem graça (e sem sentido), até que um acidente  (do qual fez parte) leva sua esposa a falecer. É então que  seu personagem  Davis Mitchell entra em colapso emocional, e é levado a pensar sobre o que de fato teria sido seu casamento, e se realmente é importante o trabalho que possuí, entre outras coisas.

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Nessa procura por sentido Naomi Watts surgi como a atendente Karen Moreno da empresa para qual continuamente Davis envia cartas de reclamação por ter tido um problema com uma máquina de alimentos (justo no dia do acidente). Carente e desesperado Davis desabafa toda a tragédia e crise existencial que tem enfrentado para Karen, e é então que o filme te leva a  pensar que algo clichê como um romance previsível irá acontecer, mas não! O filme vai muito além do previsível, sutilmente levando o espectador a se questionar tanto quanto Davis a respeito de sua própria vida.

 

 

 

DEIXO AQUI MINHA RECOMENDAÇÃO, E O TRAILER : 

Outras recomendações com Gyllenhaal AQUI<<

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A arte da verossimilhança em ANIMAIS NOTURNOS de Tom Ford

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Em Literatura na Faculdade temos aprendido a importância da verossimilhança que a Literatura deve ter com a realidade. E como é fundamental que a Arte nos faça questionar nossos valores e principalmente como estes nos levam a tomar nossas decisões, e é exatamente sobre isto que trata o digno drama dirigido por Tom Ford.

Sinopse por mim ( e comentários sobre ): Amy Adams ( uma atriz que para mim não é das melhores) interpreta Susan uma galerista bem sucedida , um tanto quanto solitária embora casada com o homem que sua mãe escolhera para ela, visando é claro dinheiro e status.
Mas outrora Susan fora casada com Edward Sheffield (meu querido Jack Gyllenhaal), e claro sente falta dele, que apesar de inseguro a amava de verdade. Certa vez Susan recebe o manuscrito de um livro de Edawrd intitulado ANIMAIS NOTURNOS , e é então que o filme se divide em três tempos , primeiro o presente, onde Susan está lendo o manuscrito, em segundo o tempo que revela como Susan enxerga a história do livro em sua mente, e o terceiro onde vemos as memorias dela sobre sua relação com Edward. Tudo se move de uma forma fácil de entender, mais que é altamente envolvente e igualmente intensa.
O manuscrito em si nos leva a uma história cheia de suspense, violência e questionamentos, e enquanto lamentamos as escolhas dos personagens repensamos as nossas.

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* O filme foi merecidamente premiado no Festival de Veneza e tem sido alvo de muitos elogios bons por parte da crítica. E para mim é dos filmes mais envolventes e fortes ( E DE REAL QUALIDADE ) que vi nos últimos tempos.

 

Para aguçar mais a vontade de ver este filme, ou para você que já viu, deixo aqui abaixo um  vídeo divulgado pela Universal Picutres, o diretor e o elenco, que conta com Amy Adams, Jake Gyllenhaal e  Aaron Taylor-Johnson, explicam a trama do ambicioso drama. : 

Asas do desejo

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Eu tenho sérios problemas em assistir filmes em preto e branco, a maioria me da medo, e eu desisto antes da metade. Ainda bem que Asas do Desejo  passa a ter cor quando Damiel deixa de ser anjo e vira um humano rs

Bom acreditem se quiser, eu nunca havia visto o clássico de Wim Wenders, mas tenho um irmão cinéfilo ainda bem  que me obriga a ver filme bom de verdade rs.

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SINOPSE : Na Berlim pós-guerra, dois anjos perambulam pela cidade. Invisíveis aos mortais, eles leem seus pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram. Entretanto, um dos anjos, Damiel ao se apaixonar por Marion  uma trapezista, deseja se tornar  humano para  para poder tocá-la, e experimentar os pequenos prazeres do dia-a-dia como tomar um café, se aquecer do frio ou apenas sentir o cumprimento de um amigo.Para guiá-lo em sua escolha, surge um anjo caído que soube fazer a transição entre os dois mundos.

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Ao ver  as pessoas depressivas os anjos buscam ajuda-las, e ficam sem compreender como podem ser infelizes diante da grandeza de existir. O filme é lindo, exalta a vida e o valor das pequenas coisas. Eu separei alguns trechos desse roteiro poético pra vocês :

É fantástico viver espiritualmente. Dia após dia testemunhar para a eternidade o que há de puro, de espiritual nas pessoas. Mas às vezes farto-me desta eterna existência de espírito. Nessas alturas gostaria de não pairar eternamente. Gostaria de sentir um peso que anulasse a infinidade e me segurasse à Terra. A cada passo ou a cada golpe de vento gostaria de poder dizer: “Agora, agora, agora” e não “desde sempre” ou “para sempre”.

-Damiel

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Nostalgia de um amor que me animasse. É isso que me torna desajeitada, a falta de prazer. Desejo de amor. Desejo de amar.

-Marion

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Ainda ninguém conseguiu entoar uma epopeia de paz. Que tem a paz, que a longo prazo não causa entusiasmo e que pouco deixa por contar a seu respeito?

Não que eu queira sair concebendo um filho ou plantando uma árvore, mas seria interessante, ao chegar em casa, alimentar o gato.

Ou, finalmente, sentir como é tirar os sapatos sob a mesa e esticar os dedos dos pés, descalço, assim.

-Damiel

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“Algo aconteceu e continua acontecendo… Algo que compromete. Foi assim à noite, e segue sendo durante o dia. Agora mais do que nunca. Quem era quem? Eu estava nela, e ela me envolvia. Quem, neste mundo, pode afirmar ter se unido a outra pessoa? Mas eu me uni a ela. Não geramos nenhum mortal, apenas uma imagem comum imortal. Nesta noite aprendi o que é o total espanto. Ela veio me levar para casa. E ali encontrei meu lar. Aconteceu uma vez. Aconteceu uma vez e seguirá ocorrendo. A imagem que criamos me acompanhará até o momento da morte. Terei vivido em seu interior. O total espanto causado por nós dois, o total espanto causado pelo homem e pela mulher, fez de mim um ser humano. Agora sei o que nenhum anjo sabe.”

-Damiel

Asas do Desejo

“Não saberia dizer quem sou. Não tenho a menor ideia. sou uma pessoa sem raízes, sem história, sem país. Sempre insisto no mesmo. Estou aqui, sou livre… Posso imaginar o que quiser. Tudo é possível. Basta apenas levantar os olhos, E me converto novamente no mundo. Agora. Aqui mesmo. Uma sensação de felicidade que poderia durar para sempre…”

-Marion

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Poema de Peter Handke

CANÇÃO  DA INFÂNCIA

Quando a criança era criança,
andava balançando os braços,
queria que o riacho fosse um rio,
que o rio fosse uma torrente
e que essa poça fosse o mar.

Quando a criança era criança,

não sabia que era criança,
tudo lhe parecia ter alma,
e todas as almas eram uma.

Quando a criança era criança,

não tinha opinião a respeito de nada,
não tinha nenhum costume,
sentava-se sempre de pernas cruzadas,
saía correndo,
tinha um redemoinho no cabelo
e não fazia poses na hora da fotografia.

Quando a criança era uma criança

era a época destas perguntas:
Por que eu sou eu e não você?
Por que estou aqui, e por que não lá?
Quando foi que o tempo
começou, e onde é que o espaço termina?
Um lugar na vida sob o sol não é apenas um sonho?
Aquilo que eu vejo e ouço e cheiro
não é só a aparência de um mundo diante de um mundo?
Existe de fato o Mal e as pessoas
que são realmente más?
Como pode ser que eu, que sou eu,
antes de ser eu mesmo não era eu,
e que algum dia, eu, que sou eu,
não serei mais quem eu sou?
Quando uma criança era uma criança,
Mastigava espinafre, ervilhas, bolinhos de arroz, e couve-flor cozida,
e comia tudo isto não somente porque precisava comer.
Quando uma criança era uma criança,
Uma vez acordou numa cama estranha,
e agora faz isso de novo e de novo.
Muitas pessoas, então, pareciam lindas
e agora só algumas parecem, com alguma sorte.
Visualizava uma clara imagem do Paraíso,
e agora no máximo consegue só imaginá-lo,
não podia conceber o vazio absoluto,
que hoje estremece no seu pensamento.
Quando uma criança era uma criança,
brincava com entusiasmo,
e agora tem tanta excitação como tinha,
porém só quando pensa em trabalho.
Quando uma criança era uma criança,
Era suficiente comer uma maçã, uma laranja, pão,
E agora é a mesma coisa.
Quando uma criança era criança,
amoras enchiam sua mão como somente as amoras conseguem,
e também fazem agora,
Avelãs frescas machucavam sua língua,
parecido com o que fazem agora,
tinha, em cada cume de montanha,
a busca por uma montanha ainda mais alta,e em cada cidade,
a busca por uma cidade ainda maior,
e ainda é assim,
alcançava cerejas nos galhos mais altos das árvores
como, com algum orgulho, ainda consegue fazer hoje,
tinha uma timidez na frente de estranhos,
como ainda tem.
Esperava a primeira neve,
Como ainda espera até agora.
Quando a criança era criança,
Arremessou um bastão como se fosse uma lança contra uma árvore,
E ela ainda está lá, chacoalhando, até hoje
.