A apelação mais do que sensacionalista do Netflix : Thirteen Reasons Why

A série sensação do momento  Thirteen Reasons Why é uma adaptação do  livro de mesmo titulo, que  fora publicado  em 2007, cujo autor é  Jay Asher.

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Nunca li o livro ( não perderia meu tempo! ), já perdi tempo demais assistindo a série. Mas faço questão de registrar aqui minha enorme repulsa pela mesma! 

Não vou me estender aqui sobre o blá blá que a sinopse dessa série apresenta, pois acredito que a maioria já tenha visto o bastante sobre, ou talvez assistido ao menos um episódio, mas é importante que este  post seja lido, pois essa série pode sim ser prejudicial …

Eis aqui meus 13 motivos para acha-la tão inútil  (okay na verdade apenas resumi meus mais de 13 motivos em três razões serias de porque detestei a série)! Mas antes, atenção nas palavras em vermelho :

O tema bullying é  sim um tema sério, merece sim ser abordado e tratado, abuso físico e psicológico pode sim causar depressão, e depressão pode  realmente levar ao suicídio.  Mas o que a  produção da Netflix fez foi apelar para o tema, fazendo com que se acreditasse que esta é uma série  para o publico adolescente, por abordar um tema infelizmente tão comum na fase escolar. 

Porém, na verdade essa série é adulta ( aborda violência, estrupo … morte!) ! Mas é claro que a Netflix precisa agradar a maioria dos seus espectadores, ou seja os jovens, e as garotinhas fãs de Selena Gomes (produtora da  série)! Por isso a série traz rostinhos bonitos e um estilo bem clichê adolescente,  onde a novata se apaixona pelo vampiro, ops! quer dizer pelo cara mala jogador do time da escola (que obviamente só quer transar com toda e qualquer garota, o que significa que logicamente a quer também *caso não esteja claro!)

A porcaria da série não irá apresentar soluções para os adolescentes que sofrem algum tipo de abuso, ela não oferece opções, não diz ” Fale com um adulto, ele pode ajudar! ” , pelo contrário ela diz ” É provável que seu conselheiro diga Siga em frente depois que você falar com ele sobre seu abuso, então nem conte a ele, seja rápida corte os pulsos!  O que você tem a perder amigos falsos, abusos ? Sua merda de vida? Vamos exaltar a morte, pois ela meninos (as)  é a única solução ! ”

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Motivo de inutilidade número 1 :   LANÇAR A CULPA SOBRE OS OUTROS

Como devem saber   a série  se inicia com Clay Jensen encontrando as fitas de Hanna Baker, onde a mesma irá contar a todos nós porque resolveu partir. Hanna faz isso de maneira bastante organizada, numera as fitas de 1 a 13, coloca Tony Padilla para ser uma espécie de guardião das mesmas, para se certificar de que todos saibam o que fizeram a ela ! 

Devem todos pagar?! Devem todos sofrer ?! Devem todos cortar os pulsos como ela ( e Alex) fizeram ?

Por que Hanna deixa as fitas ?

Sua preocupação não são seus pais, sua melhor amiga que se mudou de cidade ou qualquer outra pessoa, Hanna quer se eximir da culpa, quer  apontar o erro, ou falha de cada um para com ela, ela não se vê como culpada por ter feito escolhas ruins, ela apenas diz ” você falhou comigo, e é por sua CULPA que eu enfiei a navalha nos pulsos! ”

 Hanna é uma personagem jovem , e jovens costumam serem assim, impulsivos, péssimos em fazer escolhas,  suscetíveis a depressão quando tudo esta difícil, certo? 

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No momento em que se nota que a personagem da aos outros o poder de seu bem estar, parece justo que ela culpe os outros pela maneira como  é tratada. 

Mas quando ela pode fazer algo por si mesma o que ela faz? Ela desiste!  Ela entra numa banheira e corta os pulsos, e que se dane pai e mãe, o Clay,  e até mesmo sua melhor amiga  que se mudou, que se dane a vida !  

Muitos podem discordar de mim, mas eu não creio que a personagem pareça uma pessoa com depressão, ao longo da série vemos que Hanna  tem facilidade em fazer amigos,  é bonita, tem um emprego, chama a atenção dos garotos, inclusive de Clay que se apaixona realmente por ela.

Mas o que  sai errado?  Tudo começa com seu interesse por Justin Foley, e o que seria seu primeiro beijo acaba por se tornar  o inicio dos abusos que viria a sofrer. 

E então nos enquanto assistimos também culpamos Justin Folley por ser um abusador nojento, culpamos Jess/Jessica Davis por ser uma péssima amiga, Alex Standall pela lista quente, Zach Dempsey e  todos os demais por suas horríveis falhas. E somos levados a não culpar Hanna (pobre Hanna uma inocente suicida)! 

E então  acontece o estrupo da Jess ( o qual Hanna assiste, sem fazer nada é claro !), e depois acontece o estrupo com a própria e já fragilizada Hanna , o que torna a personagem ainda mais vitimizada, e  dessa vez por um motivo mais devastador.

As treze fitas, os treze motivos de Hanna, são sobre as atitudes de outras pessoas, logo para ela a culpa é do outro e somente do outro. Hanna vai mergulhando pouco a pouco na depressão, porque entrega o controle de sua vida aos seus abusadores, logo já não é mais tão fácil fazer amigos, nem mesmo o conselheiro da escola a ajuda, e então a solução parece  obvia ” se mate!

Para mim é inútil uma série que mostre ao jovem o que pode leva-lo ao suicídio, infelizmente é comum jovens  terem pensamentos suicidas hoje em dia, eles sabem muito bem o que os levam a te-los. Eles podem até se identificar com Hanna, e eu temo que se identifiquem com uma personagem tão fraca, tão pouco dona de si e de suas ações.  Vivemos sim , numa sociedade cheia de abusadores, ocorre abuso de crianças e jovens nos lares, nas escolhas, no trabalho, mas eles precisam aprender a lidar com isso evitando ao máximo se colocarem em risco, e a sempre buscarem ajuda, e compreender que  o ato de dor ao qual foram submetidos é sim culpa do outro, porém será somente culpa deles ( somente deles ) darem cabo da própria vida, se nem se quer tentarem realmente lutar pela vida.

Há quem diga que Hanna queria deixar uma lição através das fitas, mais  como a maioria de seus abusadores se sentiram perante elas?

  • Pouco culpados (ironicamente já que Hanna quis o tempo todo deixar claro a culpa e participação de cada um deles em sua decisão pelo suicídio!) , seguem com suas vidas, suas festas e jogos de basket, e o que vemos apenas é o mártir pelo medo de serem descobertos! Hanna deixa o Clay com o coração  tragicamente partido, colabora para o suicídio de Alex, arrasa seus pais  para sempre (que nem se quer tiveram a chance de ajuda-la!) 

Motivo de inutilidade número 2  :   Romancear o suicídio

Já temos músicas, filmes e outras séries que se apoiam sobre a depressão (ou que levam a agravar a  depressão), queremos nos divertir um pouco  através do Netflix, mas se for para assistir algo  que aborde assuntos sérios como abusos e suicídio, que isso por favor não  seja romanceado!  Porque o drama real   da depressão/abusos/suicídio não pode ser mensurado por uma série tão ridícula, que coloca foco nos pontos errados, e leva o adolescente suicida a parecer apenas alguém sem nenhuma escolha.

                                        Motivo de inutilidade número 3  :   Personagens Estereotipados

Não bastasse toda a apelação  em torno do tema ( que sempre causa na mídia e internet ), a série precisou realmente apelar para os esterótipos dos filmes  americanos sobre os adolescentes. Eu poderia falar aqui  sobre o qual inútil é a construção medíocre de cada personagem vazio, mas acho que qualquer um que tenha o minimo de percepção notou isso!

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Lição da série : Morrer parece ser  bem mais fácil do que evitar ser idiota, ou evitar  idiotas!

A série não nos mostra  que através da tortura que Hanna tentou provocar em seus abusadores com as fitas, eles tenham realmente aprendido algo, ou  deixado  de serem cruéis nos pontos em que a fizeram sofrer. Os personagens apenas seguem com suas vidas, deixando claro aos que sofrem os abusos  na vida real, que  se matar não levará ninguém a mudar, e que seu sofrimento mesmo que explicado através de um bilhete ou gravação é inútil, porque  tudo  permanece o mesmo ou pior …porque existem muitas outras vitimas para fazerem o papel de Hanna. 

Os personagens não sofrem , eles  apenas temem serem descobertos, Alex que se  sensibiliza demais com tudo se mata ( por culpa? ) …  ou para que tenha mais temporadas?  ( Pois quem sabe na Segunda Temporada alguém além de Clay e os pais de Hanna se sensibilizem realmente com a alguns dos  temas tão explorados) . 

A série não ajuda a tratar o bullyng ou o abuso ( seja ele físico ou emocional) , a série é ridícula, exalta a dor, a depressão e morte/suicídio  da personagem… nos leva no máximo a pensar que  já fomos ( ou somos ) vitimas , ou ”abusadores” de alguma maneira.
Não ensina os jovens a lidarem o tema, a pedirem ajuda,  ou mesmo a não serem os causadores de tanta dor para com seus conhecidos.

A série só diz  da maneira mais romanceada possível ” Hanna se matou ”. 

 

 

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Asas do desejo

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Eu tenho sérios problemas em assistir filmes em preto e branco, a maioria me da medo, e eu desisto antes da metade. Ainda bem que Asas do Desejo  passa a ter cor quando Damiel deixa de ser anjo e vira um humano rs

Bom acreditem se quiser, eu nunca havia visto o clássico de Wim Wenders, mas tenho um irmão cinéfilo ainda bem  que me obriga a ver filme bom de verdade rs.

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SINOPSE : Na Berlim pós-guerra, dois anjos perambulam pela cidade. Invisíveis aos mortais, eles leem seus pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram. Entretanto, um dos anjos, Damiel ao se apaixonar por Marion  uma trapezista, deseja se tornar  humano para  para poder tocá-la, e experimentar os pequenos prazeres do dia-a-dia como tomar um café, se aquecer do frio ou apenas sentir o cumprimento de um amigo.Para guiá-lo em sua escolha, surge um anjo caído que soube fazer a transição entre os dois mundos.

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Ao ver  as pessoas depressivas os anjos buscam ajuda-las, e ficam sem compreender como podem ser infelizes diante da grandeza de existir. O filme é lindo, exalta a vida e o valor das pequenas coisas. Eu separei alguns trechos desse roteiro poético pra vocês :

É fantástico viver espiritualmente. Dia após dia testemunhar para a eternidade o que há de puro, de espiritual nas pessoas. Mas às vezes farto-me desta eterna existência de espírito. Nessas alturas gostaria de não pairar eternamente. Gostaria de sentir um peso que anulasse a infinidade e me segurasse à Terra. A cada passo ou a cada golpe de vento gostaria de poder dizer: “Agora, agora, agora” e não “desde sempre” ou “para sempre”.

-Damiel

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Nostalgia de um amor que me animasse. É isso que me torna desajeitada, a falta de prazer. Desejo de amor. Desejo de amar.

-Marion

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Ainda ninguém conseguiu entoar uma epopeia de paz. Que tem a paz, que a longo prazo não causa entusiasmo e que pouco deixa por contar a seu respeito?

Não que eu queira sair concebendo um filho ou plantando uma árvore, mas seria interessante, ao chegar em casa, alimentar o gato.

Ou, finalmente, sentir como é tirar os sapatos sob a mesa e esticar os dedos dos pés, descalço, assim.

-Damiel

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“Algo aconteceu e continua acontecendo… Algo que compromete. Foi assim à noite, e segue sendo durante o dia. Agora mais do que nunca. Quem era quem? Eu estava nela, e ela me envolvia. Quem, neste mundo, pode afirmar ter se unido a outra pessoa? Mas eu me uni a ela. Não geramos nenhum mortal, apenas uma imagem comum imortal. Nesta noite aprendi o que é o total espanto. Ela veio me levar para casa. E ali encontrei meu lar. Aconteceu uma vez. Aconteceu uma vez e seguirá ocorrendo. A imagem que criamos me acompanhará até o momento da morte. Terei vivido em seu interior. O total espanto causado por nós dois, o total espanto causado pelo homem e pela mulher, fez de mim um ser humano. Agora sei o que nenhum anjo sabe.”

-Damiel

Asas do Desejo

“Não saberia dizer quem sou. Não tenho a menor ideia. sou uma pessoa sem raízes, sem história, sem país. Sempre insisto no mesmo. Estou aqui, sou livre… Posso imaginar o que quiser. Tudo é possível. Basta apenas levantar os olhos, E me converto novamente no mundo. Agora. Aqui mesmo. Uma sensação de felicidade que poderia durar para sempre…”

-Marion

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Poema de Peter Handke

CANÇÃO  DA INFÂNCIA

Quando a criança era criança,
andava balançando os braços,
queria que o riacho fosse um rio,
que o rio fosse uma torrente
e que essa poça fosse o mar.

Quando a criança era criança,

não sabia que era criança,
tudo lhe parecia ter alma,
e todas as almas eram uma.

Quando a criança era criança,

não tinha opinião a respeito de nada,
não tinha nenhum costume,
sentava-se sempre de pernas cruzadas,
saía correndo,
tinha um redemoinho no cabelo
e não fazia poses na hora da fotografia.

Quando a criança era uma criança

era a época destas perguntas:
Por que eu sou eu e não você?
Por que estou aqui, e por que não lá?
Quando foi que o tempo
começou, e onde é que o espaço termina?
Um lugar na vida sob o sol não é apenas um sonho?
Aquilo que eu vejo e ouço e cheiro
não é só a aparência de um mundo diante de um mundo?
Existe de fato o Mal e as pessoas
que são realmente más?
Como pode ser que eu, que sou eu,
antes de ser eu mesmo não era eu,
e que algum dia, eu, que sou eu,
não serei mais quem eu sou?
Quando uma criança era uma criança,
Mastigava espinafre, ervilhas, bolinhos de arroz, e couve-flor cozida,
e comia tudo isto não somente porque precisava comer.
Quando uma criança era uma criança,
Uma vez acordou numa cama estranha,
e agora faz isso de novo e de novo.
Muitas pessoas, então, pareciam lindas
e agora só algumas parecem, com alguma sorte.
Visualizava uma clara imagem do Paraíso,
e agora no máximo consegue só imaginá-lo,
não podia conceber o vazio absoluto,
que hoje estremece no seu pensamento.
Quando uma criança era uma criança,
brincava com entusiasmo,
e agora tem tanta excitação como tinha,
porém só quando pensa em trabalho.
Quando uma criança era uma criança,
Era suficiente comer uma maçã, uma laranja, pão,
E agora é a mesma coisa.
Quando uma criança era criança,
amoras enchiam sua mão como somente as amoras conseguem,
e também fazem agora,
Avelãs frescas machucavam sua língua,
parecido com o que fazem agora,
tinha, em cada cume de montanha,
a busca por uma montanha ainda mais alta,e em cada cidade,
a busca por uma cidade ainda maior,
e ainda é assim,
alcançava cerejas nos galhos mais altos das árvores
como, com algum orgulho, ainda consegue fazer hoje,
tinha uma timidez na frente de estranhos,
como ainda tem.
Esperava a primeira neve,
Como ainda espera até agora.
Quando a criança era criança,
Arremessou um bastão como se fosse uma lança contra uma árvore,
E ela ainda está lá, chacoalhando, até hoje
.

17:59

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Esse ano vem sendo no mínimo diferente pra mim.No início do ano, lá no dia 1 de Janeiro,eu acordei bem cedo (nem aguentei de sono muito tempo depois da virada) porque tinha de ir ao trabalho. E por falar em trabalho dois meses depois, estava em outro emprego (ou seja em dois).
Até que recebi um convite de trabalho que pareceu  tentador, e então deixei meus outros dois empregos ( mas isso foi muito mais do que sair de empresas, me fez abandonar  uma rotina,amigos e eu arrisco dizer um eu que se perdeu ).

Quem acompanha o blog sabe que fiquei doente e isso estava me prejudicando nas minhas atividades,e foi uma das razões que me fizeram aceitar a nova oportunidade de trabalho sem pensar.E então visando minha saúde,e finalmente uma ascensão profissional e dinheiro, eu mergulhei de cabeça nesse novo trabalho.
Acabei viajando e conhecendo pessoas,indo a lugares que nunca havia ido antes, e claro passado horas num escritório imaginando o que estava acontecendo fora daquelas paredes. É eu estava infeliz,muito infeliz eu diria.

Algumas pessoas juram que nasceram pra se sentarem naquelas cadeiras giratórias e fazerem cotações, acordos e contratos, outros dizem que são movidas pelo dinheiro que isso proporciona, pois o que ele pode comprar é sua maior motivação.

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Mas sentada ali eu ficava tentando imaginar os estranhos na rua caminhando numa tarde ensolarada,ou quem sabe enfrentando uma terrível chuva. Algum vestígio de vida,qualquer coisa além de metas e papéis,e então eu contava cada minuto até as dezoito horas enquanto presumia que ainda existia vida real lá fora.

As 17:59 sentia meu coração saltar,o coração que durante oito horas me impediam de usar estava pulsando de novo,já não era mais um robô,estava aliviada e feliz.

Voltava pra casa sendo eu mesma de novo, mas estava cansada, e só de pensar em ter de voltar no dia seguinte,no outro e no outro até o fim de semana eu já me entristecia.

No almoço as colegas de trabalho falavam sobre como a hora de almoço passa rápido enquanto a última hora para as dezoito  parecia ser uma eternidade,se queixavam dos gerentes,da empresa,do salário,dos maridos,dos  filhos,enfim da vida.
Falam mais do quanto eram infelizes no trabalho,fosse viajando ou no escritório,e fartas de serem infelizes se cabavam umas às outras de beber muito no fim de semana (o que pra mim só mostrava ainda mais o quanto são infelizes) e planejavam a próxima balada ou passeio.

Eu ficava calada  a maior parte do tempo,não sou casada e não tenho filhos o que elimina a maioria dos assuntos em comum com elas,não  bebo e não sei esperar até o final de semana para encontrar uma válvula de escape. Eu escrevo,me apaixono,desapaixono,escrevo, vou ao cinema,leio, sujo telas,vejo filmes na Internet,mantenho esse blog no ar,imagino historias e sonho que elas posam ser reais. Não preciso beber pra “lidar”  com algum trauma,me divertir ou ficar “bem”. Levo minha vida entediante enfrentando meus demônios e arrumo tempo pra divertir de verdade  (do meu jeito) apesar dos pesares.

Mais eu ficava ouvindo elas,e pensando no porque estava tão infeliz e não achava uma resposta sobre.

Me esforcei e quis “amar” o que fazia,mais aquilo no máximo me proporcionaria dinheiro(depois de muito dinheiro a empresa claro).
Foi quando comecei a me dar conta que estava vivendo uma dicotomia,meu corpo vivia pra cumprir obrigações de uma agenda,enquanto minha alma berrava ‘O que você está fazendo? E por que ?’

Eu conversei com algumas pessoas sobre,e pensei ALGO ESTÁ MUITO ERRADO.POR QUE NÃO CONSIGO FICAR FELIZ COM A ESCOLHA QUE FIZ?

Meu corpo estava farto de ter que se parecer com uma máquina programada pra trabalhar de segunda a sexta , enquanto meu espírito me enchia de perguntas sobre minha alma estar perdida em algum lugar onde perdi também meus reais objetivos de vida.

Sabe,o problema não era o cansaço e o desgate, eu sei o que é  estar cansada por trabalhar em dois empregos,era algo que me fazia mau interiormente.
Eu me via triste a maior parte do tempo,e pensava na vida e nas pessoas que deixei pra trás (uma delas meu muro inspirador),senti saudades de todos os amigos,do caminho por onde ia, e de quem eu era e o que sentia.

Alguns meses atrás eu era uma garota apaixonada,determinada e feliz apesar de ter estado adoecida e cansada.E me vi na mesa daquele escritório tendo de buscar na mente o que era estar viva.

Eu não trabalhei no meu último dia naquele escritório,eu fiquei imaginando como iria fazer pra pedir as contas (sabendo que não ia pedir ),imaginei a reação dos meus pais por me verem abrir mao de uma boa oportunidade (E nem na minha imaginação eles aceitavam bem).

Peguei meu celular  faltando alguns minutos para  ir embora,e escrevi pra mim mesma :

ISSO É TEMPORAL,É O QUE VOCÊ QUER?
A OMISSÃO ACABA PARECENDO SER O PARAÍSO, MAS É  SÓ UMA QUESTÃO DE TEMPO ATÉ O INFERNO INEVITÁVEL PRA ONDE ELA TE LEVA!

Senti como se houvesse sido golpeada no estômago quando li essas palavras.

Dicotomia!Eu acho que a outra parte de mim falava comigo.
É isso é bem estranho, 17:59 peguei minhas coisas e ia saindo quando a gerente me chamou pra conversar.

E finalmente aconteceu, fui demitida ao invés de pedir as contas (como costumo fazer,só esse ano duas vezes),em resumo ela disse que sou fantástica  (é ela usou essa palavra *fantástica, e disse que talvez se arrependesse de me demitir porque eu era pontual, profissional e bla blá blá ),mas contratou o próprio filho no meu lugar(isso é tão anti ético que podia render outro post,mas devido às circicunstancias e o todo meu foco é  outro ).

Apesar da sensação estranha de estar pela primeira vez sendo demitida (e da certa revolta por haver  largado dois trabalhos pelo tal) eu senti um alívio.

Pareceu que alguma coisa balançou minha vida,e isso a colocou no lugar de novo.
Eu não entendi ainda exatamente aquelas frases que escrevi,mas fico feliz por nós últimos dias não olhar pro relógio as 17:59 me perguntando sobre o porque de estar me fazendo tão infeliz.

Apesar de sentir que as coisas voltaram aos trilhos eu ainda não tomei grandes decisões ou fiz grandes coisas.Eu estou imóvel resolvendo o que realmente quero,e analisando o quanto isso é ou não temporal demais pra valer meu tempo de vida.

A vida é tão preciosa e eu a tenho deixado escapar no passar  sem sentido de horas é horas… meses e anos me dividindo em duas.

Sendo em parte a pretensão dos meus desejos temporais e uma outra metade trancafiada esperando algum outro momento pra se mostrar.Quem sabe amanhã, quem sabe daqui a pouco no minuto seguinte as 18 horas.

C o n t i n u a   em    Dicotomia (Filosofia,Teologia) e partes de mim

Pra nunca mais ser a mesma

tumblr_m8yruoZUAz1rsjqsro1_500_zpsb2ebabf8Repentinamente ocorreu uma mudança drástica no tempo.A cidade toda congelou, e eu senti meu coração congelar também, enquanto uma ardência no rosto causada pelo forte vento frio, me lembrava de que as coisas já não eram mais as mesmas.
Não era só o clima e a paisagem que haviam mudado, era também outra estação dentro de mim.
Estava longe…longe do passado.Mas ainda não havia o esquecido, o que me fazia congelar inteiramente por dentro.
Passei a tarde toda caminhando naquele parque procurando um outro eu que se perdeu ali em algum verão.
Entre as árvores eu podia sentir os fantasmas das boas memorias insistentes em perambular por meus pensamentos.
Mas na vida tudo muda, e é por isso que temos de mudar também.
O existir é feito de fases, porque a vida é feita de fases, há noite e dia, calor e frio, há tempo de ser companhia e tempo de se estar só.
E eu não posso dizer que prefiro a noite ao dia, ou o frio ao calor,pois independente de qualquer fase era bom ter sua companhia.
No entanto, é necessário estar só, e ter este tempo para ver as coisas como elas são agora, diferentes.
Eu consigo perceber a importância que o tempo teve, e magia por traz de cada fase, que através do arrastar de horas e dias me trouxe até aqui.
E eu consegui mudar e evoluir, e eis então um dos grandes milagres da vida O ANTES e O DEPOIS, o passado e o presente.
O tempo muda tudo é verdade, mas só pode nos mudar se permitirmos isso.
Eu sei que amanhã não serei mais a mesma,porque não existe um dia igual ao outro,tudo a cada manhã se faz novo, e não importa quantos fantasmas do passado com o tempo passem a existir, eu escolho nascer com o dia, e deixar parte de mim morrer a cada noite, pra nunca mais ser a mesma.

Sobre a menina suicida

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Vão dizer que desistiu fácil demais

E com razão!

Porque permanecer  vivo  é para os fortes

O premio de consolação da vida é um dia após o outro

E quem é capaz de compreender a magia disto, vive ao invés de apenas sobreviver 

Não se entrega!

É triste ter de dizer, mas o  poder de mudança esteve nas  mãos dela o tempo todo, mas ela quis segurar uma navalha…

Ela não  sabia que ainda ia se apaixonar de verdade

Que ia  dançar nas nuvens desde o primeiro encontro com ele

Não sabia que ele ia  fazer transbordar de alegria seu coração

E mais do que isso, iria  ama-la!

Ia se casar  com ela  e lhe dar filhos lindos, e ela nunca mais ia se sentir sozinha de novo.

 

Ela não sabia que ia pra faculdade, que seria bem sucedida e que seria heroína dos seus filhos por conciliar  família e carreira tão sabiamente.

Um cartão com seu nome, um negocio próprio…

Ela não sabia que ia ter tanta história pra contar ou que iria colorir a vida de tanta gente.

Ela não  sabia que o mundo precisava dela 

Não sabia que sem ela o mundo não  seria mais o mesmo.

 

Ela não presumiu a falta que faria …

 

Ah menina, se eu pudesse impedir a corda  no seu pescoço enforcando teus sonhos, a navalha na sua mão e todas as suas ideias de morte …

Ah menina, se esse frasco de remédios estivesse bem no alto, onde a desistência de viver num alcança…

Ah menina! Se você soubesse os planos que a vida tinha pra você… 

Boneca

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Ela quis se levantar mas não podia
Seu corpo parecia estar como que sem vida
Não tinha força nos joelhos, não podia sobre suas pernas suportar o peso de sua doença
Ainda respirava mais ninguem notava
Parada la como uma boneca, num rosto opaco e sem vida
Sem sorriso, sem alegria
Imóvel
”Quase bela e sem vida!” diziam todos que a viam

Mas era uma menina
Uma menina de carne e osso prestes a congelar pra sempre
Partindo lentamente, enquanto caiam seus cabelos 
E quem poderia costurá-los de volta em sua cabeça?
Quem colaria suas unhas no lugar?
Quem lhe devolveria o brilho de existir?
Ela estava se desfazendo
Suas lágrimas molharam a fase
Doia partir
Ignoraram o fato
Ou simplesmente não a viram chorar