Já não existem homens como Steve McQueen

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Cheguei em casa cansada, desolada, meio revoltada, mais sem animo e disposição para demonstrar isso. Lancei a mochila sobre a mesma, descalcei os sapatos, e me arrastei pra cozinha afim de devorar até os talheres… talvez comer ainda pudesse me causar prazer, ou algum minimo conforto, qualquer coisa que pudesse melhorar meu humor.
Estava mastigando algo quando ouvi a conversa, meu pai e meu irmão na sala de jantar falavam com orgulho sobre outro homem. Pensei no mesmo instante no ”homem” que causara minha ira na tal noite e quis mata-lo, mas como não podia cometer tal crime, apenas continuei a ouvir a conversa.
Falavam sobre um homem de coragem, um tanto quanto excêntrico, que não ligava pro dinheiro, que gostava de ação, que pouco se importava com a carreira… pensei até que falavam sobre o homem dos meus sonhos.
Mas logo descobri pelo ouvir da conversa que o mesmo já havia tido umas três mulheres, e estou dispensando o tipo.
Por fim soube que se tratava de um ator de cinema, e as informações vinham de um documentário da tv a cabo.
Mas não pude deixar de imaginar como seria se homens de verdade, ou com a coragem do tal ator ainda existissem.
Ou se haveria de ter algum The King of Cool pra mim.

Quase

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Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Sarah Westphal

Sarah Westphal Batista da Silva é uma catarinense, autora da crônica “Quase”, que durante anos foi atribuída ao escritor Luis Fernando Veríssimo, sendo publicada na França, numa coletânea de textos e versos de escritores brasileiros, reunidos por uma escritora francesa.

Começo

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Outros momentos de Wash aqui

As crônicas de Wash

Episódio 14   COMEÇO


Partir exige coragem, mas é uma coragem precipitada que na euforia do momento é fácil de possuir.

Mas voltar atrás, ir lá no ponto onde  o colapso  começou e restaurar tudo que ele danificou, bem, isso exige mais que coragem pensada, exige um plano, uma estrategia eficaz. Mais do que apenas boa vontade há dias em que a vida vai te pedir todas sua forças, todas suas melhores emoções, todo seu coração.

Um dia de re-começo exige tudo isso. Mas um começo novo exige também um eu novo, e isso já não é tão simples de conseguir, não depois de tudo.

Todos os ‘eus’ novos que possuía eram descartáveis, o tempo de vida útil deles era apenas para um começo cada, já não me resta nenhum.

Já cheguei naquela parte da vida em que só se tem o começo e isso tem que bastar.

Poluição

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Outros momentos de Wash aqui .

As crônicas de Wash

Episódio 13 : Poluição

Tentaram de novo, tentaram poluir o oceano das minhas ideias.E talvez tenham conseguido dessa vez, pelo menos parte dele está poluído. E se costumava me esconder em mim,  agora ocupada com lixo pra onde posso ir ( pra fugir de mim mesma ) ?

Andei necessita do oceano alheio pra me abrigar do meu próprio caos, e que inferno morar fora de si mesmo!

Já não posso mais evitar a difícil  tarefa de voltar pra casa, de acertar as coisas, de levar o lixo pra fora, de estar onde devo estar.De ser de novo eu mesma estando o mundo poluído ou não meu oceano nunca deve deixar de ser meu.

 

 

A mulher perfeita do Chico

LawsonHerEla é linda, porque é alta, magra, loira, e porque todos dizem que é linda. Ela é inteligente porque entende tudo que ele diz, e como ele é um gênio, se alguém compreende ao menos três palavras de cada frase que diz esse alguém deve ser no minimo inteligente.
Na noite passada, eu a amiga burra do Chico que nunca entendeu o proposito por trás de seus discursos o ouvi falar sobre ela, a mulher incrível dos seus sonhos, uma atriz, modelo, deusa do sexo, rainha dos seus versos, musa inspiradora do seu sexo só.
Ouvi Chico jurar que ela existe, e que por isso vai continuar a procura-la, mesmo agora aos trinta e sete, com algumas mechas grisalhas que o tempo o trouxe, continua um menino, o mesmo menino de sempre, que termina seus relacionamentos antes que os mesmos completem três meses.
Nunca conheci alguém que amasse tanto o ser idealizado em sua mente quanto o Chico … ainda mais o Chico ( que nem sabe o que é o amor ) que acha que o amor é perfeição.

Arthur não existe

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Há em Arthur, um jovem e 24 anos, uma necessidade gigantesca de manifestar no mundo digital todas suas mazelas. Igualmente a tudo que vai mau exposto como numa vitrine, também é transferido para suas redes sociais todas suas ”alegrias”, ”conquistas” e ”romances”  como uma novela que todos podem assistir e comentar.
Um vídeo game novo, um show, uma ida ao cinema, ingressos,fotos , provas de que ele é ( ou pelo menos tenta ser ) feliz.
Porque ele faz isso?
Ele precisa da aprovação do outro, um estranho qualquer, um velho amigo da infância, qualquer que o adicionou precisa concordar que ele está vivendo, pois essa é a única maneira de Arthur se sentir vivo.
Alguém precisa comentar sua dor, curtir com ele seu momento alegre. Arthur precisa de companhia, precisa fazer o que todos fazem pra se sentir como eles ( iguais, juntos), parte de um todo, vivo.
Mas na noite passada o meteoro da realidade caiu sobre a terra, todos continuam vivos, menos Arthur, que por um curto circuito  perdeu todos seus ”amigos” de uma só vez em todas as redes sociais.
Sem eles, Arthur não pode possuir o atestado ( dado pelo outro ) de que é feliz, não pode se quer existir.

Cronicamente Regina George

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Era uma vez na pacata cidade dos Devaneios onde todos eram ingênuos e bondosos, que Harry se encantou por uma garota. Harry imaginou um futuro lindo ao lado dela, filhos, uma casa azul  na cidade dos Sonhos e muitas noites de amor.

Mas o que Harry não sabia era que a tal garota  na verdade  não  passava de um ser cruel, invejo e mesquinho que se aproximara dele apenas para destruir os sonhos Alice.

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Alice era a  tolinha irmã caçula Harry que logo se encantou com a ”amizade” de Regina, que supostamente seria sua cunhada.E demorou muito até notar o grande nível de inveja  da megera. 

Mas mesmo com toda sua tolice e infantilidade Alice arquitetou um plano simples para constatar de uma vez o que temia…

Certo dia a pequena pintou as unhas de pink e no dia seguinte lá estava Regina com as unhas iguais. 

Mas isso  pode se confundir com admiração, mesmo roupas iguais e projetos similares …

Alice tentou algo mais ousado, dizer palavras de elogio a um rapaz qualquer, somente para notar se o mesmo despertaria o interesse de Regina e adivinhem ! 

As máscaras de Regina despencaram, Alice a viu como realmente era, notou o exato instante em que a cobra trocou de pele.

Alice deixou de ser tolinha, Harry se sentiu aliviado em saber a real identidade daquela com quem planejava dividir uma vida, e ambos se mudaram para Cidade das Amizades Reais.

Não se sabe sobre o paradeiro de Regina, mas provavelmente acabou como todas as Reginas acabam …

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