Diálogo sobre dor

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Falávamos sobre ausência quando notei seu olhar marejado, e então perguntei :

– Você está bem?

– Estou. Embora nunca feliz. 

– O que  quer dizer?

– Desde que ela faleceu nunca mais fui o mesmo, e sei que nunca mais serei feliz. Tenho bons momentos, momentos de alegria, mas felicidade não mais. A felicidade se foi com ela.

– Não acho que deveria pensar dessa forma.

– Não escolhi pensar assim, simplesmente é desse jeito. Porque é assim que sinto, e não se pode mudar o que é, o que se sente.

– Gostaria de poder ajuda-lo mais não sei o que dizer.

– Não diga nada. Sensibilidade doí mais é necessária. Só agora sentindo a ausência dela consigo compreender tudo o que significa pra mim, e consigo ama-la muito mais do que antes. Talvez seja isso …

– O que ?

– A morte  talvez seja algum tipo de lição para ensinar aos que ficam algo sobre o amor. Inevitavelmente numa constatação envolta em dor… Queria  apenas mais um por do sol perto dela, mais um almoço juntos, só mais um momento, uma lembrança a mais, mais um dia. Queria nunca sentir  essa falta, nunca aprender essa lição, mas por alguma razão sou eu quem permanece desse lado.

 

 

PS ‘ Conversa com um amigo que perdeu a mãe em 2014 . 

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País do silencio

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O telefone tocou
Era a morte outra vez
Inquieta, precoce, cruel
Me levou outro alguém
E parte de mim desde então se apegou ao passado
Se tornando impossível esquecer o ontem que me causa as lágrimas de hoje
É inevitavel não sentir o cheiro da ausencia do ser velado
Me deixando aqui condenado em vida a lamentar o que de mim foi tirado
Memórias, vozes, gestos, momentos, para onde foram todos?
Para onde foi a vida que a pouco estava aqui compartilhando comigo o verbo existir?
A morte calou os sinos da igreja
Sucumbiu as alegrias
Deixou saudades quando levou para baixo da terra meninos e reis
Todos descendo iguais para o país do silencio
Enquanto nos choramos
Aqui sobre eles, não descansamos, não temos paz

 

 

Com imensas saudades do Paulo. Com imensas saudades do abraço que me fazia se sentir abraçada por Deus.

Paulo

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Meu primeiro luto de verdade aconteceu no dia 31 de Dezembro de 2015.

Eu já  havia perdido  minha prima pra um câncer terrível, minha avó também em 2015…

Mas de verdade a maior dor de haver perdido alguém, foi essa.

Eu o conheci quando era uma adolescente descabeçada, ele foi meu pastor, meu grande amigo, conselheiro, intercessor.

Grande parte de quem sou ( minhas melhores partes ) devo a ele.

Com muitos dos meus familiares não partilhei tanto de mim, e por mais cruel  que seja confessar isso por essa razão soube lhe dar melhor com a ausência dos que partiram.

Mas não sei lidar com a falta que ele faz. 

E ele se foi…

Na véspera de Natal um AVC, ficou internado e partiu dia 31.

Eu sinto sua hoje, sinto sua falta todos os dias passando em frente a igreja achando que ele irá sair de lá e me dar um abraço, como fazia sempre que me via.

Sinto falta de saber que ele estará orando por mim.

Eu sinto a falta dele, e isso dói.

Mas eu sei onde ele está, sei pra onde vai as pessoas boas de verdade.

E agente não perde algo que sabe onde está né?

Eu só queria ter dito o quanto o amava, o quanto é importante pra mim.

Eu só queria mais um abraço.

Eu ainda queria ele aqui!

 

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Agente se vê de novo Paulo.