UM RESUMO SOBRE A HISTÓRIA DA LUTA ANTIMANICOMIAL

Anatomia da Palavra

A loucura já foi compreendida de diversas maneiras ao longo dos séculos: já se pensou que se tratava de uma possessão demoníaca, já tentaram isolar os “loucos”, mantendo-os afastados da população, até chegarmos à lógica médica-psiquiátrica de internação. Essa lógica de manter a pessoa em sofrimento psíquico (um termo mais adequado) sob constante vigilância e punição foi muito discutido por Michel Foucault em suas obras ‘Vigiar e punir’ e ‘A história da loucura’. Essa lógica contribuiu para a criação dos manicômios, que davam um tratamento moral aos pacientes, isolando a doença do resto do sujeito. Enfim, esses “hospitais” se tornaram laboratórios de pesquisas com doenças e doentes e um espaço de reprodução do saber médico. Na década de 60, essas instituições eram utilizadas por grupos econômicos para a “fabricação da loucura”, com o interesse de fomentar a cronificação, mantendo a clientela, ao invés de oferecer um tratamento aos pacientes.

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Algum renovo depois de tanta ansiedade

Oi insólitos (as) !
Me perdoem pela falta de atualizações por aqui. Muita coisa tem acontecido na minha insólita vida, e sim eu gostaria de escrever sobre a maioria delas.

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Há bastante tempo não me sentia assim, reflexiva sobre o presente.
Na maior parte do tempo estava com a mente no futuro ou no passado,mas nunca no agora. Por algum motivo evitava estar realmente na realidade do hoje.

Tenho vivido com presa,contando as horas,os dias,os meses,os anos.Como se estivesse esperando por algo,que não sei o que é.
Me sinto sempre atrasada e exausta, como se precisasse do amanhã o mais rápido possível para que ele pudesse me livrar do hoje.
Entendem o que quero dizer?

Há quem diga que não sou a única, e que esse é o mau do século. DESEJAMOS TÃO ARDENTEMENTE O AMANHÃ QUE NÃO APROVEITAMOS O HOJE,NÃO VIVEMOS SOMENTE CORREMOS COMO LOUCOS ATRÁS DA PRÓPRIA MORTE AFIM DE ALCANÇAR ALGUM DESCANSO.

Por sorte adoecemos antes de desperdiçar toda a vida de maneira tão tola.E então despertamos e passamos a chance de mudar os hábitos, concertar os parafusos frouxos e viver de verdade.
Aparentemente tudo estava bem,eu estava num trabalho, fazia faculdade e passava o fim de semana com meu namorado.
Mas a verdade é que estava suportando nove horas diárias de tédio corporativo,fazendo o que detesto (quem me segue sabe que tenho dificuldade em estar em trabalhos que restringem minha criatividade em 4 paredes e muitas regras) . E sim eu havia voltado a contar as horas para ir embora,durante todas as árduas semanas e meses .Dia após dia sentia mais e mais presa,sentia se a ansiedade me consumisse e ainda tinha as tarefas da faculdade as exaustivas aulas teóricas em inglês. E não me levem a mau ey amo estudar, mas não teve um só dia desde que comecei o curso de Letras Inglês em que odiei menos o idioma, e sempre que ouvia em sala me perguntava o porquê de estar me torturando tanto.

Por que nos torturamos? Por que o trabalho mais longe e mais diferente da nossa personalidade? Por que o curso que vai custar anos de estudo para nos ensinar algo que odiamos? Por que ?

Por que eu nunca faço o que quero e apenas o que acho que devo?

Talvez a resposta seja uma justificativa: eu escolho com presa,pois tenho 26 anos e me sinto estupida por não ter uma droga diploma ou uma carreira.
Mas o mais louco é que quando recobro a consciência,eu realmente não me importo com nada disso. Eu só quero viver,viver bem e sem presa. SEM A ANGUSTIA DE ACOMPANHAR PONTEIROS TEMOROSA … APENAS VIVENDO.

Então eu tentei outro trabalho,resolvi deixar a faculdade (embora eu apenas tenha a trancado não pretendo voltar para o estudo do mesmo idioma). Enfim eu voltei ao início de novo!
Lembram quando comecei esse blog eu estava doente, depressiva e recém saída de um relacionamento toxico? Sem trabalho e sem condições de outra atividade se não escrever… eu estava começando do zero.

Eu tive uns três empregos desde então. Eu me apaixonei duas vezes,eu conheci pessoas incríveis, lugares novos,enfim tive insólitas experiências boas (e confesso algumas ruins, mas até isso foi bom pois aprendi com elas!) , e tudo isso me levou ao agora e a esses pensamentos de recomeço a partir daqui.

Eu fui abençoada em ter nascido na família em que nasci,apesar de tudo o que vi e vivi desde a minha infância,eu não trocaria minha família por nenhuma outra.

***Nota: eu deletei ao postagem onde falava sobre e explico a respeito aqui * Nas palavras em azul no fim da página deste post ***

Entre tantos revés amorosos da maneira inusitada possível num emprego em que estive por apenas 3 meses eu conheci o cara mais incrível do mundo.
Eu tenho poucas e insólitas amizades que tornam mesmo meus piores e mais difíceis dias em dias inesquecíveis!
Eu tenho aprendido a viver o hoje,o agora, esse momento único e precioso e isso tudo o que realmente preciso!

Dedico esse post a você Wen ,meu ex companheiro de sala de aula que também tem enfrentado a ansiedade : Admiro sua força de vontade e seu amor pelos os estudos! Nunca vou esquecer das palavras que me disse: AS VEZES É PRECISO MAIS FORÇA E CORAGEM PARA ABANDONAR ALGO DO QUE PARA CONTINUAR.
Agora eu entendo, e sei que recomeçar não é a saída mais fácil, por isso exige mais coragem de nós. MAS COMO MINHAS EXPERIÊNCIAS ANTERIORES ME MOSTRARAM RECOMEÇAR TRAZ O NOVO,ACRESCENTA A NOS O QUE REALMENTE É PRECISO.
E AGORA EU SEI,EU APENAS PRECISO VIVER.

Certa sem conseguir dormir me levantei de madrugada e escrevi uma postagem de desabafo sobre assuntos familiares com o título “papai é um no monstro” . Muitas pessoas se sensibilizaram com a narrativa e me enviaram emails. AGRADEÇO A TODOS (AS) QUE FIZERAM ISTO.
E digo a vocês qye tenho aprendido muito desde então,sobre tudo a liberar perdão.
Deletei o post em questão a menos de uma semana, e como voces se preocuparam comigo acho importante dizer o que levou a deleta-lo.
Nunca quis que esse blog fosse um lugar odioso,ou apenas um espaço onde deposito minhas dores e traumas . PELO CONTRÁRIO, EU SEMPRE QUIS AQUI COMPARTILHAR MINHAS EXPERIÊNCIAS E IDEIAS*sejam elas boas ou ruins,afim de desabafar sim,mas sobre tudo registrar meus aprendizados com meus próprios erros. NÃO quero daqui alguns anos olhar para esse blog e ver estupidez como a daquele post. QUERO VER OS REGISTROS DE COMO CRESCI,APRENDENDO A LIDAR E ACIMA DE TUDO A SUPERAR.
A vida se encarrega de dar a cada um o que merece, o que já é razão suficiente para não precisarmos guardar mágoa.
Perdoar é libertador,e é melhor do que vingança.

Em breve uma  enxurrada de postagens novas, porque eu estou de volta!

Resenha: A fera em mim

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Quem me acompanha no instagram sabe que esses dias li o livro A FERA EM MIM de Serena Valentino, e fiquei de fazer uma resenha do mesmo por aqui. Mas antes de começar a falar sobre o livro, eu vou dizer quem é Serena e que tipo de trabalho ela desenvolve.

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13765776_10154381928647938_260042759071089273_oSerena Valentino é conhecida por seu estilo único de contar histórias, trazendo seus leitores para mundos assustadores, beleza e extraordinárias protagonistas femininas. (palavras da Wikipédia sobre a autora)

C5xvbKfU4AAx4eiEla é autora de uma série de livros intitulada Os vilões da Disney , lançada pela editora Universo dos Livros, a série propõe contar aos fãs de contos de fadas um pouco sobre quem eram os personagens icônicos antes de se tornarem grandes vilões .

Confira aqui toda a coleção. <<

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RESENHA

Agora falando do volume (único que li desta coleção de livros da autora) A FERA EM MIM, que adquiri nas lojas Americanas, pensando realmente ser um livro que abordaria todo conto da visão da Fera, vamos a minhas primeiras impressões sobre:

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Devo salientar primeiramente que como sou fã deste conto de fadas, e pensei que seria interessante um livro que abordasse justamente o ponto de vista do príncipe amaldiçoado, ao invés de uma mera narrativa, como o conto fora contado e recontado pela Disney nos filmes.Tive certa presa em ler o livro, e fiz a leitura de suas 235 páginas em poucas horas dividas em dois dias. E após ler o livro pensei Apenas uma obra Disney contada com alguns personagens a mais, uma ou outra diferença da versão dos filmes e só ! Nada de pensamentos do príncipe a cerca de como era estar preso a uma maldição, ou mesmo sobre ter se apaixonado por uma garota tão diferente do tipo pelo qual costumava se atrair
Eu não teria comprado o livro se soubesse que Selena Valentino se baseia nos vilões da Disney , e como esses se apresentam nas histórias da própria produtora infantil Walt Disney Pictures.
De uma maneira bastante simples, beirando uma mediocridade na escrita, Selena apenas mostrou a fera tal como a vemos nos filmes. O que é contado sobre o príncipe ser arrogante,egocêntrico, mimado e obsessivo por beleza e perfeição é algo que todos nós já vimos, ou seja o príncipe aqui aparece exatamente como nas versões cinematográficas.

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A amizade do príncipe com Gaston 
Uma diferença bastante notória é amizade que ele tem com Gaston, nesta versão ambos são grandes amigos de infância, e Gaston chega até a salvar a  vida do príncipe. Com o passar dos anos a amizade de ambos se torna ainda maior. Porém Gaston começa a mostrar indícios de inveja, o que acaba gerando uma certa competitividade entre eles.

As pretendentes do príncipe 
Antes de ser amaldiçoado o príncipe se encanta pela beleza de Circe, uma moça de cabelos loiro claro, olhos azuis pálidos e delicadas sardas. Chega a ficar noivo da mesma, porém ao descobrir que essa era filha de um criador de porcos desmancha o noivado.  Circe porém é uma feiticeira, e neste caso a feiticeira que lança sobre ele a maldição que o transforma em fera. Sim, nesta versão é esta ex noiva a responsável pela maldição, que acontece pouco a pouco atormentando o príncipe dia após dia.

Mais tarde conhecemos  a princesa Tulipa Morningstar uma moça que embora bastante simpática e bonita, não é muito inteligente, e justamente por este motivo motivo Gaston a apresenta ao príncipe como um ótimo partido, e logo se torna a nova noiva do príncipe.  

Nesta parte a narrativa começa  a abordar  ( de maneira medíocre ) a questão de que naquela época as mulheres não liam ou estudavam , pois estas eram  vistas como atividades masculinas.

Bela é uma personagem que aparece pouco na narrativa, embora  apareça misteriosamente no decorrer da estória como uma moça que o príncipe nunca consegue ver de frente. Bela é justamente o perfil de garota pelo qual o príncipe jamais iria se interessar (antes da maldição), pois por ser uma apaixonada por livros, pensa de maneira  muito diferente das outras mulheres.

Era verdade: todo mundo no vilarejo pensava que ela era estranha por ler muito, já que não se comportava exatamente como as outras garotas. *** E dai que ela estava mais interessada em ler sobre princesas do que em ser uma? * Trecho da página 193🌷  

Não era um mostro completo, era? Se fosse, não a teria matado? Não teria se importado em quebrar o feitiço.Assim, precisava dela desesperadamente. Ela era sua última chance. Não tinha certeza se merecia uma chance , mas interpretou a chegada de Bela  como um sinal de que deveria tentar.* Trecho da página 194 🌷  

Livros! Livros a deixavam feliz.Ela não era como qualquer garota que ele conhecera,e ele pensou que talvez gostasse disso. Na verdade, ele tinha certeza de que gostava.
* Trecho da página 197🌷  

As bruxas
Circe a feiticeira ”boazinha”, é a irmã mais nova de 3 bruxas: Marhta, Ruby e Lucinda que odiosas pelo que o príncipe fez a ela, buscam  não dar a ele a opção de se livrar da maldição (conhecendo o amor verdadeiro). Essa foi a única parte da estória em que noto o esforço da autora em tornar este um conto ”assustador”, tanto na descrição da aparência das bruxas, ou até mesmo no comportamento delas  Serena tentou realmente trazer ao livro um ar mais pesado, mas sinceramente não conseguiu!

O desfecho da história é bastante parecida com o que todos conhecemos, não  é um livro que eu recomende, e deixo aqui meu porque.

Oficina Cultural Oswald de Andrade inaugura Espaço do Livro

=D

Livre Opinião - Ideias em Debate

São mais de 2.500 títulos sobre arte e autores consagrados da literatura nacional e estrangeira

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A partir de maio, a Oficina Cultural Oswald de Andrade, programa da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, gerenciada pela Poiesis, inaugura o Espaço do Livro com leituras, empréstimos de mais de 2.500 títulos de diferentes gêneros – com ênfase em artes diversas: teatro, cinema, dança, artes plásticas, música e catálogos de exposições importantes, como as edições da Bienal de São Paulo e da Pinacoteca do Estado. Além disso, o Espaço também oferece troca e feira de livros.

Autores consagrados da literatura nacional e estrangeira também fazem parte do acervo, tais como: Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Lígia Fagundes Telles, José Saramago, Agatha Christie, entre outros. Além das obras completas do escritor modernista, Oswald de Andrade, patrono da casa. O espaço ainda possui livros infanto-juvenis, obras sobre a cidade de…

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“Extraordinário”: Confira o primeiro trailer da adaptação

Ansiosa! =D

Cineverso Paralelo

A Lionsgate acaba de divulgar o primeiro trailer da adaptação cinematográfica do best-seller “Extraordinário”, da autora R.J. Palacio

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“Extraordinário” narra a vida de Auggie Pullman, um garoto de 10 anos que possui uma deformidade facial e começa a vida escolar após anos sendo ensinado em casa. Além de Jacob, a atriz Julia Roberts foi escolhida para ser a mãe de Auggie no filme. A direção fica a cargo de Stephen Chbosky, autor e diretor de “As Vantagens de Ser Invisível”.

Com estreia marcada para 17 de novembro de 2017, o elenco conta também com a presença de Owen Wilson e Mandy Patinkin, que interpretam respectivamente Nate Pullman (pai de Auggie) e o Sr. Tushman, diretor da escola Beecher Prep.

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Quem foi SABINA SPIELREIN

 

Foi por acaso que acabei assistindo o filme Jornada da Alma  ( titulo original :  Prendimi l’anima ) que conta muito bem a história da grande psicanalista Sabina Spielrein, a qual influenciou na psicanálise de Freud e  Jung , e vale destacar o fato de que  foi uma das primeiras mulheres psicanalistas do mundo! 

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Com  Emilia Fox  brilhantemente como Sabina Spielrein e Iain Glen como Carl Gustav Jung, o filme nos leva a jornada de dois personagens que buscam descobrir  quem  de fato foi  Sabina. E então mergulhamos na  histeria, desejos e psicanalise que fez parte da vida de Spielrein. Super recomendo esse filme (e deixo o mesmo aqui, para apreciação de todos): 


A HISTERIA, A CURA E GRADUAÇÃO DE SABINA

Entre 1904 e 1905, Spielrein esteve internada no hospital Burghölzli em Zurique como paciente diagnosticada com histeria. Carl Gustav Jung foi seu médico e acabou sendo também seu amante, com um o tratamento iniciado utilizando o  método de Freud passou a ajudante de Jung depois de mostrar sinais de progresso. Após Spielrein sair do hospital e começar a estudar medicina, teve Jung como seu mentor de dissertação. Até mesmo o próprio trabalho de Jung adquiriu certa influência de Spielrein.

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Sabina se graduou em 1911, defendendo uma dissertação sobre um caso de esquizofrenia. No mesmo ano, foi aceita como membro da Sociedade de Psicanálise de Viena. Em 1923, Spielrein retornou para a União Soviética e, junto com Vera Schmidt, criou um jardim de infância em Moscou, sendo todas as paredes e as mobílias de cor branca, o que deu o apelido ao lugar de Berçário Branco.

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O Berçário Branco em Moscovo

A instituição tinha como principal finalidade o rápido amadurecimento crítico e analítico das crianças. O Berçário Branco foi fechado três anos depois por autoridades soviéticas sob a justificativa de que o local provia práticas de perversões sexuais para as crianças. Um fato interessante foi que o próprio Stalin matriculou seu filho Vassili neste lugar, mas com um nome falso.

Um documentário chamado Ich hieß Sabina Spielrein (Meu nome era Sabina Spielrein) foi feito em 2002 pela diretora sueca Elisabeth Marton, sendo lançado nos Estados Unidos no final de 2005. E além do filme que deixo aqui (de 2002) do cineasta Roberto Faenza, foi lançado em 2011 o filme Um Método Perigoso (A Dangerous Method), que aborda com mais apelo para relação sexual  de Jung com a Sabina, vivida por Keira Knightley (como mostra as fotos abaixo):2dbee5dca2976498083787f72e33de96

b968013d4a5805f477de1818e3877a89Confesso  que prefiro a versão de 2002, pois ela é muito mais focada na vida e trabalho de Sabina na psicanalise. Além de que a triz  Keira não passou ao público a mesma vivacidade de Emilia Fox em sua atuação, deixando o filme ainda mais falho se comparado ao anterior.

Mas deixo aqui o link dessa versão,caso queiram conferir  :  ASSISTIR ONLINE <<

É INTERESSANTE CONHECER A HISTÓRIA DE SABINA E VER COMO A PSICANALISE PODE DE FATO  AJUDAR A TRANSFORMAR NOSSA VIDA.

 

A apelação mais do que sensacionalista do Netflix : Thirteen Reasons Why

A série sensação do momento  Thirteen Reasons Why é uma adaptação do  livro de mesmo titulo, que  fora publicado  em 2007, cujo autor é  Jay Asher.

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Nunca li o livro ( não perderia meu tempo! ), já perdi tempo demais assistindo a série. Mas faço questão de registrar aqui minha enorme repulsa pela mesma! 

Não vou me estender aqui sobre o blá blá que a sinopse dessa série apresenta, pois acredito que a maioria já tenha visto o bastante sobre, ou talvez assistido ao menos um episódio, mas é importante que este  post seja lido, pois essa série pode sim ser prejudicial …

Eis aqui meus 13 motivos para acha-la tão inútil  (okay na verdade apenas resumi meus mais de 13 motivos em três razões serias de porque detestei a série)! Mas antes, atenção nas palavras em vermelho :

O tema bullying é  sim um tema sério, merece sim ser abordado e tratado, abuso físico e psicológico pode sim causar depressão, e depressão pode  realmente levar ao suicídio.  Mas o que a  produção da Netflix fez foi apelar para o tema, fazendo com que se acreditasse que esta é uma série  para o publico adolescente, por abordar um tema infelizmente tão comum na fase escolar. 

Porém, na verdade essa série é adulta ( aborda violência, estrupo … morte!) ! Mas é claro que a Netflix precisa agradar a maioria dos seus espectadores, ou seja os jovens, e as garotinhas fãs de Selena Gomes (produtora da  série)! Por isso a série traz rostinhos bonitos e um estilo bem clichê adolescente,  onde a novata se apaixona pelo vampiro, ops! quer dizer pelo cara mala jogador do time da escola (que obviamente só quer transar com toda e qualquer garota, o que significa que logicamente a quer também *caso não esteja claro!)

A porcaria da série não irá apresentar soluções para os adolescentes que sofrem algum tipo de abuso, ela não oferece opções, não diz ” Fale com um adulto, ele pode ajudar! ” , pelo contrário ela diz ” É provável que seu conselheiro diga Siga em frente depois que você falar com ele sobre seu abuso, então nem conte a ele, seja rápida corte os pulsos!  O que você tem a perder amigos falsos, abusos ? Sua merda de vida? Vamos exaltar a morte, pois ela meninos (as)  é a única solução ! ”

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Motivo de inutilidade número 1 :   LANÇAR A CULPA SOBRE OS OUTROS

Como devem saber   a série  se inicia com Clay Jensen encontrando as fitas de Hanna Baker, onde a mesma irá contar a todos nós porque resolveu partir. Hanna faz isso de maneira bastante organizada, numera as fitas de 1 a 13, coloca Tony Padilla para ser uma espécie de guardião das mesmas, para se certificar de que todos saibam o que fizeram a ela ! 

Devem todos pagar?! Devem todos sofrer ?! Devem todos cortar os pulsos como ela ( e Alex) fizeram ?

Por que Hanna deixa as fitas ?

Sua preocupação não são seus pais, sua melhor amiga que se mudou de cidade ou qualquer outra pessoa, Hanna quer se eximir da culpa, quer  apontar o erro, ou falha de cada um para com ela, ela não se vê como culpada por ter feito escolhas ruins, ela apenas diz ” você falhou comigo, e é por sua CULPA que eu enfiei a navalha nos pulsos! ”

 Hanna é uma personagem jovem , e jovens costumam serem assim, impulsivos, péssimos em fazer escolhas,  suscetíveis a depressão quando tudo esta difícil, certo? 

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No momento em que se nota que a personagem da aos outros o poder de seu bem estar, parece justo que ela culpe os outros pela maneira como  é tratada. 

Mas quando ela pode fazer algo por si mesma o que ela faz? Ela desiste!  Ela entra numa banheira e corta os pulsos, e que se dane pai e mãe, o Clay,  e até mesmo sua melhor amiga  que se mudou, que se dane a vida !  

Muitos podem discordar de mim, mas eu não creio que a personagem pareça uma pessoa com depressão, ao longo da série vemos que Hanna  tem facilidade em fazer amigos,  é bonita, tem um emprego, chama a atenção dos garotos, inclusive de Clay que se apaixona realmente por ela.

Mas o que  sai errado?  Tudo começa com seu interesse por Justin Foley, e o que seria seu primeiro beijo acaba por se tornar  o inicio dos abusos que viria a sofrer. 

E então nos enquanto assistimos também culpamos Justin Folley por ser um abusador nojento, culpamos Jess/Jessica Davis por ser uma péssima amiga, Alex Standall pela lista quente, Zach Dempsey e  todos os demais por suas horríveis falhas. E somos levados a não culpar Hanna (pobre Hanna uma inocente suicida)! 

E então  acontece o estrupo da Jess ( o qual Hanna assiste, sem fazer nada é claro !), e depois acontece o estrupo com a própria e já fragilizada Hanna , o que torna a personagem ainda mais vitimizada, e  dessa vez por um motivo mais devastador.

As treze fitas, os treze motivos de Hanna, são sobre as atitudes de outras pessoas, logo para ela a culpa é do outro e somente do outro. Hanna vai mergulhando pouco a pouco na depressão, porque entrega o controle de sua vida aos seus abusadores, logo já não é mais tão fácil fazer amigos, nem mesmo o conselheiro da escola a ajuda, e então a solução parece  obvia ” se mate!

Para mim é inútil uma série que mostre ao jovem o que pode leva-lo ao suicídio, infelizmente é comum jovens  terem pensamentos suicidas hoje em dia, eles sabem muito bem o que os levam a te-los. Eles podem até se identificar com Hanna, e eu temo que se identifiquem com uma personagem tão fraca, tão pouco dona de si e de suas ações.  Vivemos sim , numa sociedade cheia de abusadores, ocorre abuso de crianças e jovens nos lares, nas escolhas, no trabalho, mas eles precisam aprender a lidar com isso evitando ao máximo se colocarem em risco, e a sempre buscarem ajuda, e compreender que  o ato de dor ao qual foram submetidos é sim culpa do outro, porém será somente culpa deles ( somente deles ) darem cabo da própria vida, se nem se quer tentarem realmente lutar pela vida.

Há quem diga que Hanna queria deixar uma lição através das fitas, mais  como a maioria de seus abusadores se sentiram perante elas?

  • Pouco culpados (ironicamente já que Hanna quis o tempo todo deixar claro a culpa e participação de cada um deles em sua decisão pelo suicídio!) , seguem com suas vidas, suas festas e jogos de basket, e o que vemos apenas é o mártir pelo medo de serem descobertos! Hanna deixa o Clay com o coração  tragicamente partido, colabora para o suicídio de Alex, arrasa seus pais  para sempre (que nem se quer tiveram a chance de ajuda-la!) 

Motivo de inutilidade número 2  :   Romancear o suicídio

Já temos músicas, filmes e outras séries que se apoiam sobre a depressão (ou que levam a agravar a  depressão), queremos nos divertir um pouco  através do Netflix, mas se for para assistir algo  que aborde assuntos sérios como abusos e suicídio, que isso por favor não  seja romanceado!  Porque o drama real   da depressão/abusos/suicídio não pode ser mensurado por uma série tão ridícula, que coloca foco nos pontos errados, e leva o adolescente suicida a parecer apenas alguém sem nenhuma escolha.

                                        Motivo de inutilidade número 3  :   Personagens Estereotipados

Não bastasse toda a apelação  em torno do tema ( que sempre causa na mídia e internet ), a série precisou realmente apelar para os esterótipos dos filmes  americanos sobre os adolescentes. Eu poderia falar aqui  sobre o qual inútil é a construção medíocre de cada personagem vazio, mas acho que qualquer um que tenha o minimo de percepção notou isso!

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Lição da série : Morrer parece ser  bem mais fácil do que evitar ser idiota, ou evitar  idiotas!

A série não nos mostra  que através da tortura que Hanna tentou provocar em seus abusadores com as fitas, eles tenham realmente aprendido algo, ou  deixado  de serem cruéis nos pontos em que a fizeram sofrer. Os personagens apenas seguem com suas vidas, deixando claro aos que sofrem os abusos  na vida real, que  se matar não levará ninguém a mudar, e que seu sofrimento mesmo que explicado através de um bilhete ou gravação é inútil, porque  tudo  permanece o mesmo ou pior …porque existem muitas outras vitimas para fazerem o papel de Hanna. 

Os personagens não sofrem , eles  apenas temem serem descobertos, Alex que se  sensibiliza demais com tudo se mata ( por culpa? ) …  ou para que tenha mais temporadas?  ( Pois quem sabe na Segunda Temporada alguém além de Clay e os pais de Hanna se sensibilizem realmente com a alguns dos  temas tão explorados) . 

A série não ajuda a tratar o bullyng ou o abuso ( seja ele físico ou emocional) , a série é ridícula, exalta a dor, a depressão e morte/suicídio  da personagem… nos leva no máximo a pensar que  já fomos ( ou somos ) vitimas , ou ”abusadores” de alguma maneira.
Não ensina os jovens a lidarem o tema, a pedirem ajuda,  ou mesmo a não serem os causadores de tanta dor para com seus conhecidos.

A série só diz  da maneira mais romanceada possível ” Hanna se matou ”.