Sobre o que era e o que foi

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Tudo foi feito por uma razão e a razão se dissipou

Tudo era um jogo, e o jogo acabou

Foi, era … um argumento vazio, uma razão tola

Tudo foi feito para parecer real, mas não era

Tudo era apenas um conto, e essa é página final

Foi, era … um faz de conta, um teatro medíocre

 

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Passageira

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Sou passageira, sou  culpada e refém, sou peça do tabuleiro, fora do jogo há muito tempo

Não pude arriscar, não me deixaram tentar

P O R Q U E 

Nenhum lugar  no passado fora  confortável demais para abrigar o queimar das chamas

Nenhuma trilha de migalhas me levou a  uma ilusão que durasse mais do que alguns segundos

Nenhum um outro caminho que não seja o Seu

conseguiu guardar  o que levo comigo …

 

 

Expresso do Amanhã, distrações  e alguns  dos meus piores micos

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Antes de contar á vocês  o fato bizarro de hoje, vale lembrar que mergulho  em filmes, séries  e livros. Mas principalmente em filmes! Sou uma pessoa totalmente visual, tanto em relação  ao que diz respeito a aprendizado como para entretenimento. 

Dito isto, acredito que todas nós  mulheres,  concordamos que  o Chris Evans   tem uma dessas belezas únicas, capazes de  nos arrebatar para outra dimensão.

Ou talvez seja apenas eu com essa paixonite platônica  pelo loiro (duvido muito!), mas o caso é  que  hoje  estava assistindo EXPRESSO DO AMANHÃ, um filme que traz o galã  como protagonista, afim de ter ânimo  para enfrentar a segundona. Mas  ter começado a assistir  o filme estando dentro do metrô a caminho  do trabalho foi uma péssima escolha, uma vez que tentando não  surtar com a péssima  história  da humanidade ou o que resta dela em um expresso percorrendo  a terra toda congelada, eu acabei ficando presa dentro do metrô, literalmente!

Eu estava tão “presa” a um dos piores filmes que já  vi na vida, que  acabei ficando presa justamente  dentro de um trem (uma das piores ironias da minha vida nestes vinte e seis anos de existência!), onde não  havia nem ricos, nem pobres (Como no péssimo  longa do diretor Joon-Ho Bong) nada de Chris Evans, apenas eu sozinha enquanto o trem ia para  o que deveria ser as garagens dos trens, e eu finalmente deixava assim  EXPRESSO DO AMANHÃ de lado e me preocupava com a vida real. 

Eu via paredes  cinzas dos dois  lados das janelas, enquanto o trem ia rapidamente sabe se lá  para onde, até  que finalmente o metrô  parou, as luzes se apagaram e um pânico tomou conta de mim, minhas mãos e os pés  temiam feito  cara verde. Eu pensei em ligar para o meu namorado  ( que com certeza iria rir muito da situação) , mas a verdade é  que não  era se quer  capaz de  segurar  o celular. No momento eu não  pensei em pressionar  o botão  de emergência, não  pensei em gritar e pedir ajuda apenas tremia, andando de um lado para o outro no vagão  vazio. 

Fico imaginando o quanto a cena   não  deve ter causado  milhares de risos a quem me via  pelas câmeras.

O trem finalmente parou, as luzes, o relógio e a TV do trem se apagaram e fim do filme.

Eu morri .

E de repente um solavanco, tudo foi religado, o trem voltou a andar, logo estava  em uma estação  que desconhecia  qual era, e enquanto  muitas pessoas  tentavam  entrar  no trem eu tentava  sair. 

Finalmente descobri onde estava, estação  Palmeiras Barra Funda * linha vermelha do metrô. 

Estava viva outra vez.

PRINT DA TELA DO MEU CEL. (SIM EU NÃO TERMINEI DE ASSISTIR O FILME, NEM PRETENDO, ESTOU TRAUMATIZADA

A situação  me lembrou um caso  parecido em que estava na lotação, assistindo um episódio  de uma série  quando de repente  o motorista bateu  o dedo na tela do meu celular afim de me desperta para o mundo real.

Já havia chegado ao  terminal ( por sorte para onde pretendia exatamente ir )  pessoas aguardavam que eu saísse para entrar na lotação/ micro-ônibus. O motorista  me olhou furioso pois eu se quer  havia passado  o bilhete na catraca, estava ainda  nos bancos da frente pra  acabar de matar. E o que eu fiz? Agarrei  minha mochila e são correndo pela porta da frente… só  depois de recuperar o fôlego  e a sanidade me caiu a ficha de que havia saído sem pagar a passagem.

Presumo que este motorista deva me amar, e sou grata as Gilmore Girls pela desventura

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Apesar de engraçadas, situações como estas, podem resultar em algo perigoso (Por exemplo o fato de que estava começando a passar mau no metro hoje). Por tanto adeus Net Flix durante as viagens! 

Como diz meu pai assistir no celular usando fones, nos deixa cegos e surdos para o que esta a nossa volta, fica a dica!

Ordinária

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Via tudo ao contrário do que é

Sonhava acordada e assassinava os próprios anseios para se manter viva

Num mundo onde ser egoísta era existir, ela optou por fingir

Fingia sorrisos, fingia não ouvir os rumores a seu respeito

Fingia até não ver os deboches de todos sobre ser como era, tal como parecia

Mas ela não era o que viam, nem tão pouco o que imaginavam

Era feita de concreto maciço, e por dentro era pura memória

Memória das vidas que sonhou ter tido

Vidas de quem tem alma de poeta, e um corpo carnal e facilmente corruptível

Mas o tempo a fez meio torta, quase atriz, mentirosa para o mundo e verdadeira onde importava ser

Ah se soubessem como era grande, rainha do seu próprio mundo

Ordinariamente imensa dentro se si

 

O soneto de minha autoria escolhido pela Editora Vivara

O hoje

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Hoje eu não vou pensar na paixão avassaladora da juventude que me escapou pelos dedos, e se casou com alguma mulher muito diferente de mim. Hoje não vou fazer contas, e ver se ainda tenho sanidade suficiente para o futuro. Não vou me pesar, não vou ao médico, não vou pensar na morte. Hoje não vou calçar nada, mas pretendo caminhar, ou quem sabe voar. Ir para qualquer lugar longe daqui, que não seja nem o passado e nem o futuro. Quero estar acima do tempo, quero ser livre da prisão dos calendários e das memórias.
Só hoje não vou sentir saudade da infância, vou ser complacente com o que quer que seja. Não vou julgar, não vou gritar, não vou pensar nos que me fizeram bem, nem nos que me fizeram mau, não vou pensar em trabalho, amor ou comida. Vou sucumbir na ideia do que posso ser no eterno. Vou me desfazer até sumir, não vou sentir frio, nem sono. Não haverá saudade que dói, nem carta ou email a esperar. O despertador não tocará, eu não vou dormir, nem despertar. Não vou viver dentro de um conto, ou morrer atravessando a rua. Vou ser o sempre, porque quis assim.
Vou voltar como se nunca houvesse partido, vou chorar um pouco e confessar, que mesmo desejando estar em qualquer outro lugar sempre estiver no hoje.

Pessoas

Renoir

Eu sou único e eles são todos
— Fiódor Dostoiévski – Notas do Subsolo, p. 56

Não era meu habito observar as pessoas, como tenho as observado nas últimas semanas. Mas algum tipo de mudança, tem acontecido, e uma vez que toda mudança seja ela qual for é significativa isso deve ter uma razão maior do que qualquer explicação que conseguisse deixar aqui. Por tanto, esquecemos as razões, apenas basta dizer que eu tenho tentando descobrir porque fazem o que fazem , do modo como fazem , ou porque deixam de fazer algo, e como isso impacta suas vidas.

tenor.gifAs pessoas do meu trabalho por exemplo, são todas bastante parecidas. Concordam sobre praticamente todos os assuntos. Concordam inclusive de que eu sou do tipo que costuma contrariar a maioria em praticamente todo assunto.
Já minha família, bom, basta dizer que para eles sou maluca, incuravelmente insana. E com isso concluo que não me conhecem o suficiente.
Pois além de insana, eu sou também agora, a observadora.
Tenho olhado  todos, as estranhas aberrações no trem, os executivos do centro, meu chefe, a secretária, o carteiro, o frentista, os estranhos no ônibus, as mães solteiras na fila do mercado, os idosos no hospital… me parecem tão resignados, e se estivessem felizes, daria um “viva” á resignação.
Mas parecem terem sucumbido a uma miserável vida na qual comer, dormir, fazer sexo e trabalhar basta (mesmo que não seja nessa ordem).
Mas e eu? Carregando esse insólito eu e mais uns vinte eus líricos, como posso suportar o fardo das obrigações, os trinta dias até o salário, as enormes filas do banco, meu diagnostico sem tratamento pelo governo, minha fome por alguma coisa surreal que abasteça o dia com algo mais do que cumprimentos falsos.
Gente indo e vindo, vida esvaindo…
Eu conheço uma mulher que engravidou na adolescência e hoje conta todos os dias a quantidade de comida que resta até o fim do mês, para saber se poderá sustentar a filha de seis anos. Conheço um tipico homem do que chamo ”o meio corporativo” na beirada dos cinquenta que quer dormir comigo, e acha que um dia vai conseguir. Conheço um outro homem , esse de 30 anos, que traí a esposa toda semana com garotas mais jovens, mais diz que nunca irá se divorciar por não querer que outro homem crie seus filhos. E tem também a insuportável estudante de direito que pensa ser dona do mundo, e que por alguma razão me odeia… não consigo ver razões em suas escolhas sejam elas do passado ou do presente.
Compreendo é claro, que a mãe queira alimentar a filha, que homens de quase cinquenta daquele tipo querem transar com qualquer mulher com menos de trinta, que é quase sinônimo de ”hombridade” querer criar os próprios filhos, e que pessoas que cursam direito, bom são pessoas que cursam direito então…
Eu apenas me pergunto se assim como eu, eles possuem fomes mais urgentes, algo que a alma peça, e seja maior do que fome de alimentos, desejo, orgulho ou ambição profissional.
Eu observei bastante, eu até conversei com eles, mas eu não achei o que procurava.
São imensos, são universos, são pessoas, que para mim são parecidos entre si, justamente por não se parecem comigo.

Resenha: O Calor Do Sangue

PicsArt_10-01-08.17.30O Calor Do Sangue – IRÉNE NÉMIROVSKY

É na França da década de 30, que Sílvio um homem já velho, relembra sua juventude. Enquanto a morte sem muitas explicações do personagem Jean Dorin, acaba pouco a pouco por revelar alguns segredos acerca de outros personagens.

O livro parece ter tentado seguir a linha de mistério policial, mas fracassou feio nessa tentativa. No entanto é recheado de boas frases, e eu separei dois trechos  para que se tenha uma noção da escrita de Némirovsky:

Não sei se o ser humano faz sua própria vida, mas o certo é que a vida acaba por  por transformar o homem.

Cada um deve viver e sofrer por si próprio. O serviço que podemos prestar aos nossos filhos é deixar que ignorem nossa própria experiencia. 

O titulo “Calor do Sangue” se refere a chama da vontade, tipicamente jovem, que faz com que se viva para realizar os próprios desejos, da maneira mais intensa e egoísta possível.

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E leva o leitor a refletir sobre o qual tolos somos nessa fase da vida, e como isto pode resultar no nosso futuro (e também no de outras pessoas). 
A obra inacabada, que deveria ter sido datilografada pelo marido da Irène, Michel Epstein, foi interrompida quando Michel soube da prisão de Némirovsky, pela polícia nazista em 1942. Denile Epstein a filha do casal, foi quem apresentou ao mundo as obras da mãe.

Considero uma leitura leve, bem vinda para quem gosta de detalhes e reflexões do gênero.