Os paradoxos da paixão e a razão cativa

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Estou lendo A RAZÃO CATIVA As ilusões da consciência: De Platão a Freud (SERGIO PAULO ROUANET – 2 Edição publicado pela Editora Brasiliense), o livro é divido em três partes: O ESPAÇO INTERNO, O ESPAÇO EXTERNO, O ESPAÇO FREUDIANO. E é na primeira parte que se encontra o capítulo sobre a consciência e vida efetiva onde  me deparei com todas as ideias filosóficas que tentam explicar os paradoxos da paixão.

Será que toda paixão torna nossa razão cativa, ou será que é justamente através da paixão que descobrimos a razão para tudo?
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Medeia é a famosa personagem da tragédia grega que, abandonada, assassina os próprios filhos a fim de se vingar do marido.

Sei que crimes estou na eminencia de cometer” disse Médeia, ”mas o desejo é mais forte que minhas razões”.

A psicologia de Platão diz que a alma é um conjunto de faculdades hierarquizadas:

Razão, o NOUS, que comanda as demais instancias
Vontade, o TIMOS, que inclina para razão
Apetite, EPTIMIA, que é dominado pelas emoções
E Sócrates compara a alma com coche conduzido por dois cavalos, cujo cocheiro é a RAZÃO.Num aparelho psíquico bem regulamentado o cocheiro deve ter o comando dos cavalos, embora possa perder o controle em certas circunstancias, o que significa que a razão possa ser deposta pelos desejos inferiores.
A ação ética é aquela que visa um bem,sob a impulsão do desejo, e mediante a tutela da razão. A virtude resulta de uma escolha, a escolha é o desejo e a razão, com vistas a um fim. Por tanto é uma razão que deseja e um desejo que raciocina. É o que instrui o desejo o levando a mover-se em direção ao que constitui verdadeiramente o bem, e não a um bem aparente, de modo que significa uma escolha baseada em evitar paixões extremas.
As paixões não são em si nem boas e nem más, mas pode ser que venham a se tornarem nocivas quando excessivas ou deficientes.E compete a razão orientar o comportamento de modo a evitar extremos.
Quantas vezes o desejo não se voltou contra a razão e então nos vimos reféns do que ou quem desejamos?
Desejo ardente por alguém, uma inquietação impetuosa, cólera… Era para possuirmos sentimos mas eles é que nos possuem, tornando a razão cativa e tornando nossa vida em uma busca incansável por realizações desses desejos ( sejam eles bons ou maus ).
Não é a atoa que não é só na psicologia e filosofia que esse assunto tem notoriedade, na literatura geral, no cinema, nas canções é comum nos depararmos com a ideia constante do conflito entre a razão e as paixões.
O homem está obrigatoriamente sujeito as paixões em alguma fase de sua vida ou melhor em todas.
Seja o desejo de enriquecer, de aplacar uma dor, ou de vencer uma competição, somos movidos por desejos o tempo todo, e desejos movem paixões, e paixões as vezes nos fazem esquecer quem somos , afinal de contas perdendo a razão nos perdemos de nós.
E de toda forma são nossos desejos que determinam nossas ações, e nossas ações quem somos, e se não compreendemos o porque de tal desejo, não sabemos o porque de tais ações, e consequentemente não saberemos quem somos e o desejo que deveria revelar quem somos nos faz nos perder totalmente.
Por tanto fazendo jus ao pensamento de Sócrates o melhor a se fazer é controlar bem os dois cavalos e fazer uso de toda temperança necessária para uma vida mais plena, certo?
Não exatamente!
Leibniz o último pensador racionalista do século XVII ressaltou o papel do desejo no processo do conhecimento ” As paixões são uma forma de inquietação, uma tendencia que nos impele a um objeto, e que são acompanhadas de prazer e desprazer.
Com o tempo as paixões deixaram de serem vistas como obstáculos e passaram a serem mais investigadas.Com o Iluminismo por exemplo passou a ser valorizada positivamente, e examinada pelos aspectos de seus condicionamentos sociais.
Vauvenargues escreveu que ”nossas paixões não são distintas de nós mesmos; muitas delas constituem o fundamento de toda a substancia de nossa alma,” e que ” o espirito é o olho da alma, não sua força; sua força está no seu coração, isto é, em suas paixões”.
É O PERÍODO EM QUE HELVETIUS ENSINA QUE ”AS PAIXÕES SÃO NO MUNDO MORAL O QUE O MOVIMENTO É NO MUNDO FISICO : ELE CRIA, DESTROI, CONSERVA, ANIMA TUDO, E SEM ELE TUDO É MORTO. DA MESMA FORMA SÃO AS PAIXÕES QUE VIVIFICAM O MUNDO MORAL.
Ou seja trazendo a ideia de que são justamente as paixões tão determinantes como princípios motores, e decisivas no processo do conhecimento.

FORAM AS PAIXÕES QUE ENSINARAM AOS HOMENS A RAZÃO. Na infância de todos os povos,como na dos indivíduos, o sentimento sempre precedeu a reflexão, e foi seu primeiro mestre”

-Vauvenargues

Não seria um atentado a razão dizer que duas coisas antagônicas são verdadeiras?
Teria a razão sempre estado cativa … e seremos sempre apaixonados acreditando estar certos?

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