Sequestro da Subjetividade

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Oi!

Boa parte das razões da minha ausência estão descritas no post Sobre meu sumiço, meu sono e meu diário … por tanto nem vou falar mais acerca disso, e vamos ao que interessa !
Em meio a correria da minha nova rotina, eu li o maravilhoso livro intitulado ‘QUEM ME ROUBOU DE MIM?‘ do Padre Fábio De Melo. ( Talvez o livro mais interessante que tenha lido este ano, realmente RECOMENDO! ) Eu nunca havia lido nada sobre o tema SEQUESTRO DA SUBJETIVIDADE, pelo menos não do modo exposto pelo autor.

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Em sua perspicaz analise sobre como as relações com outras pessoas pode vir a nos roubar de nós mesmos, é feito um comparativo de sequestro físico com o emocional.
O seqüestrador inicia no seqüestrado um processo de privações extremamente doloroso. Ao ser afastado dos locais de sua identificação, e passando a viver num ambiente estranho, inóspito e distante de tudo que o realiza, o seqüestrado mergulha num profundo estado de solidão. Não se trata de uma solidão comum, dessas que experimentamos ocasionalmente e que faz parte do cotidiano de todo mundo. Trata-se de uma solidão muito mais profunda, caracterizada como “ausência de si mesmo”.
Ao ser afastado de seu mundo particular e de tudo o que ele representa, o seqüestrado sente-se privado de ser ele mesmo. É como se ele tivesse sido levado para longe de tudo o que para ele faz sentido. O seu mundo não é o que agora lhe é oferecido. O cativeiro é a negação do seu direito de ser e estar. Esse profundo estado de ausência pode agravar-se com o tempo e evoluir para o que denominamos de “esquecimento do ser”.

No trecho acima o autor descreve bem o que vem a ser o sequestro físico, e demostra ao longo do livro com historias reais que acompanhou ao longo do contato com fieis, como o mesmo acontece com o sequestro emocional.
Muitas vezes sem perceber nos tornamos reféns de um namoro, casamento, amizade, e até mesmo  reféns de uma postura profissional que exige de nós ser totalmente diferente de quem somos.
O ”representar” para agradar o outro, para ser aceito, para se manter num padrão e etc, anula nossa identidade, nos rouba de nós mesmos.

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O livro também é super recomendado aos pais, que muitas vezes acabam sem perceber sequestrando a subjetividade dos filhos.

A identidade nos diz sobre nós mesmos. Diz a nós e aos outros. Há dois aspectos interessantes na identificação: uma afirmação e uma negação. Identificar-se é um jeito que a pessoa tem de afirmar o que é, mas é também um jeito de afirmar o que não é. Ao identificar-se, a pessoa estabelece uma autenticação, mas também uma separação.
Ao dizer “eu sou isso”, naturalmente estou dizendo também “que não sou aquilo que negaria o que sou”.
A religião também é um sequestrador de quem realmente somos.
Para entender melhor o que é subjetividade : Subjetividade é toda a estrutura que tem referência direta ao sujeito particular. Ela é o que há de mais profundo e irrenunciável na criatura humana. É o estatuto mais íntimo, o lugar onde o eu sobrevive.
A definição dos termos pode nos ajudar. Subjetividade é caráter ou qualidade do subjetivo, e subjetivo é tudo aquilo que é pertencente ou relativo ao sujeito.
De acordo com as regras gramaticais, o sujeito é o ser que realiza a ação do verbo. O sujeito é que dá movimento às frases. Interessante. Sempre que age, o sujeito age a partir de seu mundo, de sua história pessoal, de seus valores, limites, possibilidades. Sua ação é sempre carregada de história, motivos, razões.
A subjetividade é o contexto que engloba todas estas particularidades imanentes à condição de ser sujeito, e é muito mais. Ser sujeito
extrapola os limites da corporeidade, que age, movimenta e cria fatos. Um sujeito é um mosaico de desejos, temores, paixões, sentimentos, angústias, sentidos, mistérios. Realidades que são universais, mas que acontecem de maneira muito particular em cada um de nós. Por isso a subjetividade possui um caráter sacral, pois confere ao sujeito a possibilidade de estar no mundo de maneira única e irrenunciável.
Um objeto, por exemplo, pode ser repetido, mas um sujeito nunca. Um objeto pode ser manuseado e ocasionalmente dispensado como peça que perdeu a utilidade, mas um sujeito não. A sua subjetividade o diferencia no mundo e o coloca como valor a ser respeitado.

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No decorrer do livro com registros de diferentes casos de pessoas roubadas de sua própria identidade, é impossível não olhar para si mesmo e refletir sobre todas as vezes em que nos permitimos ser sequestrado, e ainda pior, recordar todas as vezes que sequestramos o outro. Sim, não somos apenas sequestrados, muitas vezes somos sequestradores da identidade dos outros.
A religião também é um sequestrador de quem realmente somos e um tema abordado de maneira muito inteligente.
Sequestros da subjetividade acontecem o tempo todo. Todos nós estamos expostos aos riscos. Não é necessário muito tempo para que
alguém nos leve de nós. Uma palavra, um olhar, uma opinião, tudo pode ser laço que nos prende e aos poucos nos leva de nós (…) Toda relação humana necessita de cuidados, porque sempre transita nos limites ténues entre amor e posse. Do amor à posse o caminho é curto. Basta que percamos o foco de nossa identidade para que corramos o risco de alguém administrar nossa vida, roubando-nos de nós mesmos.
Além do conteúdo sobre filosofia, psicologia, e relatos reais, há entre os capítulos belíssimas poesias que nos fazem refletir muito sobre a questão da subjetividade, como por exemplo as minhas favoritas:

ALGUÉM
Alguém me levou de mim Alguém que eu não sei dizer
Alguém me levou daqui.
Alguém, esse nome estranho.
Alguém que eu não vi chegar
Alguém que eu não vi partir
Alguém, que se alguém encontrar,
Recomende que me devolva a mim.

PEDIDO
Eu não quero que você seja eu
Eu já tenho a mim.
O que quero é que você chegue
Com seu poder de chegar
E de me devolver pra mim.
Que você chegue com seu dom
De também me fazer chegar
Perto de mim…
Pra me fazer ver o que sou e que só você viu.
Pra eu ser capaz de amar também
O que só você amou.
Eu não quero que você seja igual a mim.
Eu já tenho a mim.
Não quero construir uma casa de espelhos
Que multiplique minha imagem por
todos os cantos.
Quero apenas que você me reflita
Melhor do que julgo ser.

VIR A SER
Eu procuro por mim.
Eu procuro por tudo o que é meu
e que em mim se esconde.
Eu procuro por um saber
que ainda não sei, mas que de alguma forma já sabe em mim.
Eu sou assim… processo constante de vir a ser.
O que sou e ainda serei
são verbos que se conjugam
sob áurea de um mistério fascinante.
Eu me recebo de Deus e a Ele me devolvo.
Movimento que não termina
porque terminar é o mesmo que deixar de ser.
Eu sou o que sou na medida em que
me permito ser.
E quando não sou é porque o ser eu não soube escolher.

Quero muito falar ainda mais sobre o tema aqui, tem me ajudado muito a evoluir como pessoa compreender quem sou, e não abrir mão da minhas características. Como vimos no estudo dos temperamentos, Deus nos usa com a personalidade que possuímos. Se nem Ele pedi para abrirmos mão de nosso temperamento e personalidade, como alguém pode vir e nós roubar de nós?
Relações que aprisionam, que tentam nos moldar e que nos força a ser como nosso algoz é uma prisão, prisão essa que nos escolhemos estar. Se liberte!
Leiam esse maravilhoso livro, e se souberem de mais obras sobre o tema me recomendem nos comentários.
Continuo disponível no e-mail : jaquelinek@live.com.pt

Beijo ! Deus abençoe a todos (as)!

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13 comentários sobre “Sequestro da Subjetividade

      1. Vou ler sim, já esta adicionada na minha listinha de leitura, ainda ontem um senhor nigeriano me chamou no meio da rua e disse pra eu orar, e perguntar pra Jesus o que sou nEle, seu post foi confirmação disso, as vezes ficamos prisioneiros de nós mesmos.
        Deus te abençoe flor

        Curtido por 1 pessoa

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